AGENCIAS - Brasília – El País - 07/09/2009
Tradução de Antonio de Freitas Jr.
O presidente francês Nicolas Sarkozy e seu homólogo brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva assistiram juntos hoje a um desfile em Brasília em comemoração ao Dia da Independência do Brasil, pouco antes da assinatura de uma série de acordos na área de defesa no valor total de uns 12 bilhões de dólares (uns 8 bilhões de euros).
Também, hoje, ambos os mandatários anunciaram oficialmente a compra de 36 caças franceses Rafale para a Força Aérea Brasileira. O preço da compra não foi divulgado, mas se estima que poderia rondar os 3,8 bilhões de reais brasileiros, uns 1,436 bilhões de euros.
Ademais, na manhã de hoje, através de um comunicado, Sarkozy informou a Lula a "intenção da França de adquirir uma dezena de unidades da futura aeronave de transporte militar KC-390 e manifestou a disposição dos industriais franceses em contribuir para o desenvolvimento do programa dessa aeronave". O KC-390, da empresa brasileira Embraer, é um avião militar mediano de transporte com dois motores a reação que ainda se encontra em fase de desenvolvimento. Em virtude do acordo fechado hoje, a França se compromete a colaborar no desenvolvimento do KC-390 com transferências de tecnologia e aportando capacidade de produção.
Estes acordos formam parte de uma série de pactos nas áreas de defesa, cooperação policial, imigração, transporte, agricultura e tecnologia. Sarkozy chegou ontem à capital brasileira acompanhado por uma nutrida delegação integrada por oito ministros, entre eles o de Assuntos Exteriores, Bernard Kouchner. Lula, num gesto pouco usual, esperou o presidente galo no aeroporto da capital, de onde ambos se dirigiram ao Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência brasileira, onde foi oferecido um jantar em homenagem ao visitante.
A delegação encabeçada por Sarkozy, também, formalizará os pactos previamente alcançados para a construção conjunta de um submarino de propulsão nuclear e outros quatro convencionais do modelo francês Scorpene, assim como a edificação do estaleiro onde serão fabricados os submarinos e uma base naval de apoio. Ademais, os convênios também incluem a compra de 50 helicópteros de transporte franceses EC-725 para as Forças Armadas brasileiras, que serão entregues entre 2010 e 2016 por um consórcio formado pela brasileira Helibras e pela europeia Eurocopter, sucursal do grupo EADS.
Ambos os projetos, que incluem a construção dos estaleiros nos quais serão fabricados os submarinos e das fábricas em que serão elaborados os helicópteros, representarão para o Brasil um desembolso de 12,317 bilhões de dólares até 2021, dos quais uns 9 bilhões serão destinados à compra do armamento.
AGENCIAS - Colleville – El País - 06/06/2009
Tradução de Antonio de Freitas Jr.
O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chegou hoje em Caen (Normandia) onde participou dos atos comemorativos do 65° aniversario do Dia D. Acompanhado de sua esposa, Michelle, Obama chegou a Caen, onde se reuniu com Sarkozy, a bordo de uma versão mais reduzida de seu avião ‘Air Force One’ tradicional, procedente de Paris.
Antes dos atos oficiais, os dois mandatários mantiveram uma reunião na qual abordaram assuntos como a situação no Oriente Médio, o desafio nuclear do Irã e da Coréia do Norte ou a crise econômica mundial. A respeito da situação em Israel, o Presidente estadunidense expressou seu desejo de que se estabeleçam conversações "sérias e construtivas" para lograr uma solução consensual entre Israel e Palestina. "Não espero que um problema de 60 anos se resolva da noite pro dia, porém, como disse antes, o que espero é que ambas as partes reconheçam que perdem o controle sobre seus destinos", afirmou o Presidente dos EUA, acompanhado do Chefe de Estado francês, Nicolas Sarkozy.
Barack Obama tampouco quis se esquecer da Coréia do Norte e voltou a tachar de "extremadamente provocativa" as últimas ações nucleares do governo de Pyongyang e não pode estar sujeita a "nenhuma recompensa". "Vamos olhar muito seriamente a forma pela qual estudaremos estas questões", declarou Obama aos jornalistas. "Não acredito que continuaremos a seguir por um caminho onde a Coréia do Norte segue desestabilizando a região enquanto nós reagimos como sempre", declarou Obama. "Temos pensado seguir com a política habitual de recompensar as provocações", afirmou. Com relação ao Irã, Obama advertiu que seria "extremadamente perigoso" que o governo de Teerã desenvolvesse uma arma nuclear.
A lembrança dos caídos
As conversas entre Obama e Sarkozy continuaram durante o almoço de trabalho, ao final do qual dirigiu-se até Colleville, onde se encontra o Memorial e Cemitério Americano, para participar das comemorações do Desembarque da Normandia nas praias denominadas Omaha, Utah, Juno, Gold e Sword, que marcou o começo da ofensiva aliada na Europa em 6 de junho de 1944.
"Vivemos num mundo onde as ideologias e as declarações sobre o que é verdade e o que não é competem. Neste mundo, é raro se encontrar com um enfrentamento que fale de algo tão universal como é a humanidade em si mesma. Esse enfrentamento foi a Segunda Guerra Mundial", assegurou Obama em seu discurso. "Então ninguém sabia, mas grande parte do progresso que definiu o século XX, em ambos os lados do Atlântico, começou numa batalha por um pedaço de praia de somente sete quilômetros de comprimento por três de largura", recordou. "Nenhum homem que haja derramado seu sangue ou haja perdido um irmão pode dizer que a guerra é boa, porém todos nós sabemos que essa guerra foi essencial", concluiu Obama cujo avô e o tio-avô participaram do desembarque.
Também participaram dos atos comemorativos o Príncipe Charles da Inglaterra, o Primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e do Canadá, Stephen Harper, representando os países que participaram do Dia D.
Obama, que na sexta-feira (05/06) visitou na Alemanha o campo de concentração de Buchenwald, tem um interesse pessoal em participar dos eventos de hoje.
Postado por Antonio de Freitas no Periscópio em 6/06/2009 05:30:00 PM
IKER SEISDEDOS / EFE - Madrid – El País - 17/05/2009
Tradução de Antonio de Freitas Jr.
Mario Benedetti, poeta do amor e do exílio, morre em Montevidéu aos 88 anos. Após uma longa doença que tentou varias vezes levá-lo a este ‘best seller’ das letras uruguaias, dos sentimentos, a este popularizador da poesia em espanhol como quase nenhum outro. A morte, ou seja, essa doença pulmonar crônica de que padecia, o levou após sua quarta hospitalização em um ano no hospital Impasa, de Montevidéu.
Premiado em 1999 com o Prêmio “Reina Sofía de Poesía Iberoamericana” e em 2005 com o “Internacional Menéndez Pelayo”, Benedetti abordou todos os gêneros literários, nos quais deixou uma visão crítica de esquerda que lhe levaria ao exílio e a ser, até seus últimos dias, um firme detrator da política exterior dos Estados Unidos. Suas poesias foram cantadas por compositores como Joan Manuel Serrat, Daniel Viglietti, Nacha Guevara, Luis Pastor ou Pedro Guerra, e suas novelas mais famosas levadas ao cine, como ‘La tregua’ (1974) ou ‘Gracias por el fuego’ (1985), a cargo do diretor argentino Sergio Renán.
Este expoente por antonomásia da chamada geração uruguaia de 1945, a "generación crítica", nasceu em 14 de setembro de 1920 em ‘Paso de los Toros’, no Departamento de ‘Tacuarembo’. Em 1928 começou seus estudos primários no Colégio Alemão de Montevidéu’, onde, segundo contava o próprio Benedetti, gostava de escrever em verso as lições e incluso surpreendeu a seus mestres com um primeiro poema em alemão.
As dificuldades econômicas só lhe permitiram cursar um ano de educação secundaria no ‘Liceo Miranda’ e depois teve que ser quase autodidata, compaginando os estudos com o trabalho, que começou aos 14 anos numa oficina de consertos de automóveis. Antes de se dedicar a escrever, Benedett trabalhou de taquígrafo, caixa, vendedor, livreiro, jornalista, tradutor, funcionário público e comerciante. Todos estes ofícios representaram um contato com a realidade social do Uruguai que foi determinante na hora de modelar seu estilo e a essência de sua escritura.
Entre 1938 e 1941 residiu em Buenos Aires e em 1945 ingressou no semanário ‘Marcha’ como redator e publicou seu primeiro livro, ‘La víspera indeleble’, de poesia. Em 1949 Benedetti avançou na sua carreira jornalística com seu trabalho na destacada revista literária ‘Número’, compaginando ao mesmo tempo suas tarefas de crítico com uma carreira imparável como escritor. Assim, em uma década trepidante publicou obras como ‘Esta mañana y otros cuentos’ (1949), ‘Poemas de oficina’ (1956), ‘Ida y vuelta’ (1958) e ‘La tregua’ (1960).
Desde 1952 começou a implicar-se de forma destacada nos protestos contra o tratado militar entre Uruguai e os Estados Unidos. Sua primeira viagem a Europa foi em 1957, como correspondente dos jornais ‘Marcha’ e ‘El Diario’. De 1961 data do livro ‘Mejor es meneallo’, que agrupa suas crônicas humorísticas, firmadas com o pseudónimo de ‘Damocles’. Residiu em Paris entre 1966 e 1967, onde trabalhou como tradutor e locutor para a Radio e Televisão Francesa, e logo de taquígrafo e tradutor para a UNESCO.
Em 1968 fundou na cidade cubana de ‘La Habana’ o ‘Centro de Investigaciones Literarias de la Casa de las Américas’, que dirigiu até 1971, e encabeçou o ‘Departamento de Literatura Latinoamericana de la Facultad de Humanidades y Ciencias de la Universidad de Montevideo’, entre 1971 e 1973. Nos anos 70 desenvolveu uma intensa atividade política, como dirigente do ‘Movimiento 26 de Marzo’, do qual foi co-fundador em 1971 e que represento na ‘Frente Amplio’, coalizão de esquerda que alcançou o poder em 2005.
PARÉNTESIS
Mario Benedetti, Montevideo 2008
Acompáñenme a entrar en el paréntesis
que alguien abrió cuando parió mi madre
y permanece aún en los otroras
y en los ahoras y en los puede ser
lo llaman vida si no tiene herrumbre
yo manejo el deseo con mis riendas
mientras trato de construir un río
en sus nubes los pájaros se esconden
no es posible viajar bajo sus alas
lo mejor es abrir el corazón
y llenar el paréntesis con sueños
los pájaros escapan como amores
y como amores vuelven a encontrarnos
son sencillos como las soledades
y repetidos como los insomnios
busco mis cómplices en la frontera
que media entre tu piel y mi pellejo
me oriento hacia el amor sin heroísmo
sin esperanzas pero con memoria
por ahora el paréntesis prosigue
abierto y taciturno como un túnel
CERRAR LOS OJOS
Mario Benedetti, Montevideo 2008
Cerremos estos ojos para entrar al misterio
el que acude con gozos y desdichas
así / en esta noche provocada
crearemos por fin nuestras propias estrellas
y nuestra hermosa colección de sueños
el pobre mundo seguirá rodando
lejos de nuestros párpados caídos
habrá hurtos abusos fechorías
o sea el espantoso ritmo de las cosas
allá en la calle seguirán los mismos
escaparates de las tentaciones
ah pero nuestros ojos tapados piensan sienten
lo que no pensaron ni sintieron antes
si pasado mañana los abrimos
el corazón acaso de encabrite
así hasta que los párpados
se nos caigan de nuevo
y volvamos al pacto de lo oscuro
PRESAGIOS
Mario Benedetti, Montevideo 2008
Los presagios nos cercan / nos oprimen
pueden llegar con vivas o con lágrimas
son quizá las propuestas del futuro
que acuden con su estilo mesurado
en la vejez / que nos agarra exhaustos
se le meten a uno entre las canas
y al recibirlos con melancolía
les hacemos un sitio en la memoria
los presagios inspiran desconfianza
mueven sus pétalos agonizantes
y van de a poco fabricando olvidos
heridas del amor con cicatrices
presagios son augurios / vaticinios
se entienden con el alma y con la lluvia
y suelen trabajar sobre seguro
no hay presagio más fiable que la muerte
Palavras de Mario Benedetti
«Te dejo con tu vida, tu trabajo, tu gente, con tus puestas de sol y tus amaneceres. Sembrando tu confianza, te dejo junto al mundo, derrotando imposibles, segura sin seguro (...)
Pero tampoco creas a pie juntillas todo. No creas, nunca creas, este falso abandono. Estaré donde menos lo esperes. Por ejemplo, en un árbol añoso de oscuros cabeceos. Estaré en un lejano horizonte sin horas, en la huella del tacto, en tu sombra y mi sombra (...)».
Despedida de Mario Benedetti em 'Chau número tres'.
LA INFANCIA
«La infancia es un privilegio de la vejez. No sé por qué la recuerdo actualmente con más claridad que nunca». «Es a veces un paraíso perdido, pero otras, es un infierno de mierda».
EL APRENDIZAJE
«Mi primer trabajo fue en una empresa de repuestos de automóviles, luego 15 años en una inmobiliaria y después, al periódico —el primero puesto que ocupó fue el redactor del semanario 'Marcha'—; y al tiempo, taquígrafo, porque con un solo empleo no se podía sobrevivir». «He trabajado ocho y diez horas diarias en cosas que no tenían nada que ver con la literatura, empecé a ganarme la vida con ella en el exilio».
EL AMOR
«Yo siempre digo que soy fiel, pero no fanático en el amor».
«Si el corazón se aburre de querer, para qué sirve».
«Porque eres mía, porque no eres mía, porque te miro y muero, y peor que muero si no te miro amor, si no te miro (...)».
Versos de 'Corazón coraza'.
«Mi táctica es mirarte, aprender como sos, quererte como sos. Mi táctica es hablarte y escucharte, construir con palabras un puente indestructible. Mi táctica es quedarme en tu recuerdo. No sé cómo ni sé con qué pretexto, pero quedarme en vos. Mi táctica es ser franco y saber que sos franca y que no nos vendamos simulacros, para que entre los dos no haya telón ni abismos. Mi estrategia es en cambio más profunda y más simple. Mi estrategia es que un día cualquiera no sé cómo ni sé con qué pretexto por fin me necesites», 'Táctica y Estrategia'.
LA POLÍTICA
«Nunca fui comunista, nunca milité en partidos. Estuve algún tiempo en el Frente Amplio, pero como independiente. No sirvo para dirigente. Para un intelectual es muy duro. Me encontré hablando ante 60.000 personas haciendo planteamientos en los que no creía. Me dejaba un malestar de conciencia espantoso. Creo que puedo hacer más políticamente con lo que escribo que desde una tribuna».
EL EXILIO
«Me echaban y me amenazaban de muerte. De Uruguay tuve que irme porque estaban a punto de meterme preso y torturarme. De Buenos Aires, porque una asociación profascista me puso en una lista de condenados a muerte y me dieron 48 horas para que me fuera. Me marché a Perú y me metieron preso sin que yo hubiera hecho absolutamente nada político. Me deportaron a Argentina, donde estaba amenazado de muerte. Me ofrecieron asilo en Cuba, donde dirigí un departamento de literatura en La Casa de las Américas —por primera vez me gané la vida literariamente—. Y de La Habana, a Madrid».
LA POESÍA
«La poesía es el género en el que un escritor interviene más con su propia vida. Los otros géneros son de ficción, la poesía no».
«Un poema lo puedo escribir en un avión, en un fin de semana o mientras espero al destino».
«Mis maestros fueron Vallejo, Neruda, Pessoa y Borges, a quien se le admira por sus cuentos pero se le quiere más por sus poemas, porque se muestra como era, un ser desvalido y frágil».
EL OLVIDO
«El olvido está lleno de memoria —es el título de uno de sus libros—. Está lleno de memoria y esa memoria vuelve a salir».
EL 'DESEXILIO'
«El exilio es el aprendizaje de la vergüenza. El desexilio, una provincia de la melancolía».
Benedetti conseguiu regressar ao Uruguai em 1985. «El país había cambiado después de diez años de dictadura, pero yo también, después de 12 años domiciliado en cuatro países tan distintos. De los gobiernos no se aprende nada, pero de la gente de la calle yo aprendí mucho y entonces volví diferente, más maduro, otra persona, aunque siempre con el arraigo de mi ciudad».
LA RELIGIÓN
«Debo ser una de las personas menos religiosas del mundo. La única religión válida para mí es la conciencia; y la poesía tiene mucha vinculación con la conciencia».
«Yo no sé si Dios existe, pero si existe sé que no le va a molestar mi duda».
LA UTOPÍA
«La utopía es una cosa que debemos mantener. Por definición es algo que nunca se realiza por completo, una cosa que parece imposible y después resulta que se realiza. Siempre digo que los tres grandes utópicos que ha dado este mundo son Jesús, Freud y Marx. Gracias a ellos la humanidad ha dado pasos positivos».
«Aunque de cada utopía se realice un 10%, gracias a ese 10% la humanidad ha mejorado un poco. Yo soy un optimista incorregible».
LA CONCIENCIA
«Las causas en las que he creído y creo han sido derrotadas, pero yo no me siento derrotado en cuanto a mis creencias, en cuanto a mis posiciones ideológicas y seguiré luchando por ellas. Sin éxito, eso sí. Mientras pueda dormir tranquilo, no me consideraré un derrotado total».
EL SOCIALISMO
«Con todos sus defectos, la utopía socialista es la que puede traer bienestar a la Humanidad. Pese al fracaso del socialismo democrático de los países del Este, porque no fueron fieles y desvirtuaron la esencia, yo no me he borrado de las ideologías».
EL TIEMPO
«Cinco minutos bastan para soñar toda una vida, así de relativo es el tiempo».
«Preciso tiempo, necesito ese tiempo que otros dejan abandonado porque les sobra o ya no saben qué hacer con él. Tiempo en blanco, en rojo, en verde, hasta en castaño oscuro. No me importa el color. Cándido tiempo que yo no puedo abrir y cerrar como una puerta», versos del poema 'Tiempo sin tiempo'.
LA MUERTE
«Es tarde. Sin embargo yo daría todos los juramentos y las lluvias, las paredes con insultos y mimos, las ventanas de invierno, el mar a veces, por no tener tu corazón en mí, tu corazón inevitable y doloroso en mí que estoy enteramente solo, sobreviviéndote». Versos de 'Ausencia de Dios'.
«Hay que vivir como si fuéramos inmortales».
«Cuando me entierren, por favor, que no se olviden de mi bolígrafo», sentenciou em 'El Rincon de Haikus'.
FRANCHO BARÓN - Rio de Janeiro - 09/03/2009
Tradução de Antonio de Freitas Jr.
Brasil e EUA mantêm contatos informais com o objetivo de fechar um futuro acordo comercial que aumente o fluxo de petróleo e derivados desde o gigante sul-americano até seu vizinho do norte. A recém estreada administração de Barack Obama já deixou clara sua vontade de incrementar consideravelmente as importações de petróleo brasileiro. Concretizando-se o pacto comercial, algo que hoje em dia parece muito provável, e que depende unicamente do Brasil, a consequência mais direta seria a saída da Venezuela do mercado energético estadunidense, onde atualmente consegue colocar entre 40% e 70% de sua produção petrolífera.
Várias fontes diplomáticas e governamentais de Brasília confirmaram a EL PAÍS o interesse do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em aumentar a presença brasileira no mercado norte-americano de hidrocarbonetos, ainda que isso implique numa colisão frontal com os interesses venezuelanos. Tudo isso dependerá da quantidade de petróleo que a companhia estatal brasileira Petrobras consiga bombear nos próximos anos dos poços perfurados em frente aos litorais dos Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, assim como do marco jurídico que Washington e Brasília estabeleçam.
De Brasília se insiste em que o primeiro objetivo do governo é abastecer totalmente seu mercado interno e deixar de depender das importações de petróleo. Uma vez alcançada esta meta, a Petrobras entrará na luta de qualquer maneira pelos mercados mundiais de hidrocarbonetos e seus derivados. Por sua proximidade geográfica e a fluidez do diálogo político que já se estabeleceu com seu novo presidente, EUA se converte no grande comprador natural do ‘ouro negro’ brasileiro.
Do total das importações norte-americanas de hidrocarbonetos, 11% proveem da Venezuela. A empresa estatal venezuelana PDVSA não somente vende aos EUA petróleo pesado e extrapesado, como também mantêm suas próprias refinarias em solo estadunidense e uma ampla rede de postos de gasolina que distribuem seus derivados. Para Washington, uma relação comercial estável com a Venezuela no terreno energético é importante. Contudo, mesmo com suas frequentes ameaças de fechar a torneira do petróleo, para o regime de Chávez a venda de petróleo a seu inimigo ‘número um’ se converteu numa questão de vida ou morte já que lhe supõe um caixa diário de uns 80 milhões de dólares (64 milhões de euros).
É neste contexto que o governo de Washington tem posto os olhos desde há alguns meses nos recém descobertos mega-campos brasileiros de petróleo. Segundo os estudos preliminares realizados pela Petrobras, se encontram frente às costas do Brasil, na camada denominada pré-sal, ou seja, debaixo de uma grossa camada de sal que pode alcançar os dois quilômetros de espessura. É de uma qualidade excelente. Trata-se de petróleo leve, que em comparação com o pesado e o extrapesado (os extraídos na Venezuela), requer menos trabalho e investimento para ser refinado e transformado em derivados.
Fontes diplomáticas brasileiras recordam que o Departamento de Defesa norte-americano decidiu reativar em julho passado sua Quarta Frota para o Caribe e América do Sul, composta inicialmente por 11 navios, entre eles um porta-aviões e um submarino nuclear. "Esta decisão não é casual. Agora mais do que nunca estamos no radar dos estadunidenses, já que existe certa preocupação em alguns setores desse governo pelo que ocorra nesta zona de produção petrolífera", aponta uma fonte próxima ao presidente brasileiro.
As mesmas fontes afirmam que, para os EUA, a Venezuela é um motivo de preocupação mais que de sossego ou estabilidade regional. Obama vê o governo de Brasília como seu aliado natural na América do Sul. O Brasil é um país politicamente estável, de grande potencial econômico, com uma imensa riqueza natural e humana. "Se o Brasil continua em sua linha de fortalecimento institucional, respeito aos princípios da democracia e ao meio ambiente, segurança jurídica e diminuição da desigualdade social, seremos um país produtor de petróleo único no mundo. E isto é muito atraente para os EUA", assegura uma fonte governamental brasileira especialista em política energética.
Ainda que se desconheçam as reservas exatas, é certo que o petróleo achado no litoral brasileiro é abundante: cumprindo-se estas previsões, o Brasil passará a ser o oitavo ou nono produtor do planeta. Ademais, seu transporte até os EUA é quase tão simples como das costas venezuelanas. "Washington entende que as reservas do pré-sal são a salvação de sua dependência da Venezuela", se insiste em Brasília.
Para a Petrobras, a viabilidade do pacto comercial dependerá das quantidades de petróleo que se logrem extrair. A previsão é que haja petróleo para exportar não somente para os EUA, mas para outros países do mundo que já mostraram interesse, como a China e o Japão.
O Brasil insiste em que está mais interessado na venda de derivados, como gasolina, já que lhe resultará muito mais rentável que a venda de barris de petróleo. Isto explica que Lula haja decidido apostar por uma grande injeção de capital na Petrobras para a construção de quatro novas refinarias e a ampliação de outras tantas que já existem. O país aumentou suas exportações de petróleo e derivados em quase 10% em 2008, e 40% dessas vendas foram parar nos EUA. O negocio está em marcha.
Antônio Freitas Junior
ELEGIA A CAMPO MAIOR
Elmar Carvalho
Na paisagem plana do tabuleiro
campeava sozinha a solidão.
Ao longe, nas manhãs de inverno,
a serra cachimbava suas névoas.
As névoas se misturavam com as nuvens
que rondavam sobre o cume.
As águas mortas do açude
tudo viam e tudo refletiam.
À tarde o aboio dolente do vaqueiro
partia a solidão que tudo presidia.
E o aboio sem resposta
- eco de si mesmo - repetia-se e se extinguia.
O canto rascante e áspero de grilos e cigarras
arranhava o veludo macio do silêncio.
Os cupins espalhados pelo tabuleiro
eram pedras de um jogo em que a
tristeza jogava paciência com a solidão.
E a palma da carnaúba acenava
para vivalma que nunca partia
ou para um fantasma que jamais chegava.
O menino em seu cavalo de talo de carnaúba
campeava seu rebanho de nada
pela fazenda do não-ser.
Campeava seu rebanho de bois de jatobá
por entre manadas de formigas
que pastavam tapetes de babugens
por entre cupins que erigiam moradas
de solidão na solidão da chapada.
E a serra se erguia do plano descampado
cachimbando suas névoas
para um céu que sequer olhava.
Cachimbando suas brumas
como um Sinai que fumegasse.
Diz a lenda que a serra é uma cidade
encantada. Diz o povo que em suas encostas
vagam fantasmas penados em busca de furnas
de ouro. Mas nas cavernas apenas a onça
faz morada.
Mas o menino ainda assim esperava pelo
desencantamento da serra em vão esperado.
Porque o menino era um poeta
que campeava pelo campo do sem fim
o seu rebanho de sonho e solidão.
Em 2009 existem muitas datas importantes, confira.
Aniversários: Dia 1º - 50 anos da Revolução Cubana;
- 400 anos da primeira vez que Galileu Galilei usou um telescópio astronômico, o que levou os astrônomos a declarar o ano de 2009 como Ano Internacional da Astronomia. Contudo, o livro ‘Mensageiro Estelar’, no qual Galileu relata suas descobertas somente foi publicado em 1610;
Política: Dia 20 – Barack Hussein Obama Jr., toma posse como o 44º Presidente dos EUA;
- A República Tcheca assume a presidência da União Européia
Eleições: Bolívia – referendo constitucional;
Eventos: Dia 12 – Em Zurique, na Suíça, a FIFA anuncia o nome do melhor jogador do mundo de 2008;
Dia 21 – Primeiro dia, em oito anos, sem George W. Bush na presidência dos EUA;
- Fórum Econômico Mundial, no resort de Davos, na Suíça, com os ‘melhores’ da política, dos negócios e da mídia;
- Fórum Social Mundial, em Belém, Estado do Pará, Brasil;
- Os chineses iniciam em 2009 o Ano do Boi, que resiste sem reclamar e alcançar a prosperidade com paciência e trabalho duro.
FEVEREIRO
Aniversários:
Política: O Irã celebra os “Dez Dias de Aurora”, uma referência aos dez dias que antecederam a vitória da Revolução Islâmica, que este ano comemora 30 anos;
Eleições: Israel – legislativas;
Eventos: Dia 16 – Fim do horário de verão em dez estados das regiões sul, sudeste e centro-oeste do Brasil;
Dia 17 – Fim das transmissões analógicas de televisão nos EUA;
Dia 22 – 81ª Cerimônia de entrega do Oscar, em Los Angeles, nos EUA;
MARÇO
Aniversários: Dia 9 – 50 anos da boneca Barbie, que fatura em vendas anualmente US$ 1,25 bilhão;
Política: - 170 milhões de falantes da língua francesa em todo o planeta celebram o dia internacional da francofonia, contra a onda anglófona;
Eleições: China – sessão plenária anual do Congresso Nacional do Povo; Congo-Brazzaville – presidenciais;
Eventos: - Maratona das Areias do Marrocos, durante seis dias corredores atravessarão 243 quilômetros do deserto do Saara;
-Paris Fashion Week.
ABRIL
Aniversários:
Política: Eleições: Equador – presidências e legislativas; África do Sul - presidências e legislativas; Indonésia – com 174 milhões de eleitores espalhados em 14 mil ilhas, a Indonésia vai às eleições legislativas para a escolha de 560 parlamentares;
Eventos: Dia 29 – de acordo com a Global Language Monitor, o número de palavras em língua inglesa chegará a 1 milhão;
- Beirute, no Líbano, torna-se a 9ª Capital Mundial do Livro pela UNESCO, com base na sua diversidade cultural.
MAIO
Aniversários: Dia 23 – 60 anos da República Federal da Alemanha;
- 1º ano da UNASUL;
Política: Dia 13 – Data-limite para que os países interessados em reclamar direitos sobre sua plataforma continental enviem os pedidos para as Nações Unidas. O Prazo se aplica a todos aqueles que ratificarem a Convenção de 1982 da ONU sobre a Lei do Mar antes de 19 de maio de 2009;
Eleições: Alemanha – a maior economia da Europa realiza eleições presidenciais, na qual provavelmente será reeleito o atual presidente Horst Köhler; Índia – a maior democracia do mundo realiza eleições legislativas para sua Assembléia do Povo;
Eventos: Dia 27 – Final, em Roma, na Itália, da Liga dos Campeões da UEFA, a principal competição de clubes de futebol da Europa;
- A Rússia sedia o Concurso de Música EUROVISION;
- Estréia ‘Jornada nas Estrelas 11’, que vai explorar as origens da tripulação da Enterprise;
JUNHO
Aniversários:
Política: Dia 28 – Os países-membros da União Européia passam a exigir o novo modelo de passaporte com dados biométricos;
Eleições: Dia 7 - União Européia – todos os 27 países-membros elegem representantes para o Parlamento Europeu, com mandato de quatro anos; Irã – presidenciais;
Eventos: Dia 7 – Final do torneio de tênis de Roland Garros;
De 14 a 28 – Copa das Confederações, reunindo oito seleções na África do Sul. O Brasil, atual campeão, estréia contra o Egito no dia 15;
- Bienal de Veneza, na Itália;
JULHO
Aniversários: Dia 26 - 40 anos de Antonio de Freitas Jr;
Política: A Suécia assume a presidência da União Européia;
Eleições: Indonésia, o mais populoso país muçulmano do mundo, com 174 milhões de eleitores espalhados em 14 mil ilhas inicia o primeiro turno de suas eleições presidenciais;
Eventos: Dia 22 – ocorre o mais longo eclipse solar completo do Século XXI, com duração de 6 minutos e 43 segundos, podendo ser visto da Índia, Butão, Nepal, China e Ilhas do Pacífico, mas imperceptível do Brasil;
- Cavaleiros correm ao redor da principal praça de Siena, na Itália;
- Touros correm pelas ruas de Pamplona, na Espanha;
- Ciclistas se reúnem em Mônaco para o ‘Tour de France’;
- Festival anual de d’Avignon, na França, e Festival Internacional de Baalbeck, no Líbano, reunindo artistas;
- Campeonato Mundial de Carregamento de Esposas, na Finlândia, no qual os competidores têm de carregar a parceira feminina por uma trilha de obstáculos no menor tempo possível. Os vencedores recebem o equivalente do peso da mulher em cerveja.
AGOSTO
Aniversários: Política: Eleições:
Eventos: - A Revista Forbes anuncia a lista das mulheres mais poderosas do ano;
- Convenção Mundial de Ficção Científica, em Montreal, no Canadá;
- A maior parte da Europa está de férias, ao contrários dos EUA e do Brasil.
SETEMBRO
Aniversários: Política:
Eleições: Dia 27 - Alemanha – a maior economia da Europa realiza eleições legislativas federais;
Eventos: - Assembléia da ONU, com a reunião dos principais líderes mundiais em Nova York, nos EUA;
- A sonda Messenger (Mensageiro) contorna o planeta Mercúrio pela terceira e última vez, desde que foi lançada pela NASA em agosto de 2004;
- A NASA lança o Laboratório de Ciências Marte, jipe-robô que chega a Marte em 2010;
- MTV Vídeo Awards, em Los Angeles, nos EUA.
OUTUBRO
Aniversários: Dia 24 – 70 anos do crash da Bolsa de Nova York, que deu início à Grande depressão dos anos trinta;
Dia 29 – 50 anos do herói dos quadrinhos franceses Asterix, o gaulês, traduzido para mais de cem idiomas;
Política: - O FMI e o Banco Mundial se reúnem em Istambul, na Turquia, para discutir os problemas econômicos mundiais;
- A Academia Real de Ciências da Suécia escolhe os laureados do Nobel de Economia a Literatura, e o Comitê Norueguês Nobel concede o Prêmio da Paz;
- O Reino Unido ganha uma Suprema Corte, assumindo algumas funções da Câmara dos Lordes, separando mais o Judiciário do Legislativo;
Eleições: Uruguai – presidências e legislativas; Argentina - legislativas; Tunísia – realiza eleições presidenciais, pois Zine El-Abidine Bem Ali, Chefe de Estado desde 1987, encerra seu último mandato de cinco anos;
Eventos: Dia 2 – Em Copenhague, na Dinamarca, o Comitê Olímpico Internacional anuncia a cidade-sede das Olimpíadas de 2016, escolhendo entre Chicago, Madri, Tóquio e Rio de Janeiro;
NOVEMBRO
Aniversários: Dia 9 - 20 anos da queda do Muro de Berlim;
Política: - Cingapura sedia o Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, reunindo 21 países do entorno do Oceano Pacífico;
- A rainha Elizabeth, da Grã-Bretanha, vai abrir a cúpula bienal, que se realizará em Trinidad e Tobago, com 53 Chefes de Estado e de Governo da Commonwealth, para discutir o pedido de entrada de Ruanda, uma ex-colônia belga;
Eleições:
Eventos: Dia 30 – Início da ‘Conferência sobre as Alterações Climáticas’, em Copenhague, na Dinamarca, cujo objetivo é encontrar um acordo substituto para o Protocolo de Kyoto, para reduzir a emissão de gases causadores de efeito estufa, que expira em 2012. As discussões irão até 11 de dezembro;
DEZEMBRO
Aniversários:
Política: Finda o terceiro prazo estabelecido para adaptar os protestos de americanos e outros adeptos do sistema de medidas não métricas. A União Européia vai banir todas as importações que não estejam rotuladas no sistema métrico;
Eleições: Chile - presidências e legislativas; Bolívia – presidências e legislativas; Moçambique - presidências e legislativas; Iraque – eleições para um novo Conselho de Representantes;
Eventos: - Viagem inaugural do maior transatlântico do mundo, o finlandês ‘Oasis of the Seas’, que custou US$ 1,2 bilhão, e tem capacidade para 5,4 mil passageiros, além de 16 andares, floresta tropical, bares móveis. A primeira viagem será através do Caribe;
ADEMAIS
- A Universidade de Cambridge completa 800 anos de fundação;
- As primeiras traduções da Bíblia do latim para o inglês celebram 600 anos;
- A Eslováquia adotará o Euro como moeda;
- Os viajantes da União Européia para os EUA devem antes, tirar uma autorização de viagem eletrônica, enquanto os estrangeiros terão registradas as impressões digitais antes de deixar o solo estadunidense;
- Aniversário de 60 anos da OTAN, com o possível regresso da França ao comando integrado da aliança. A OTAN foi concebida para manter os alemães por baixo, os russos por fora e os americanos por dentro;
- O Chile pretende se juntar ao clube dos países ricos como membro da OCDE;
- Cuba realizará no final do ano o longamente adiado Congresso do Partido Comunista;
- Portugal sedia a cúpula de estados Ibero-americanos, coincidindo com as celebrações do bicentenário de independência de muitos países originários da Espanha;
- 100 anos do nascimento de Isaiah Berlin, um intelectual público.
Setores judeus acusam a Pacelli de fazer vista gorda ao Holocausto
M. ANDRADE / J. M. MUÑOZ – El País - Roma / Jerusalén - 21/10/2008
Tradução de Antonio de Freitas
O processo de beatificação do Papa Pio XII (1939-1958), assunto espinhoso e com ramificações diplomáticas e políticas de profundo calado, aguarda a assinatura de Bento XVI. Porém, tropeçou com um obstáculo que já se esperava: a amarga censura de amplos setores do judaísmo, que acusam a Pio XII de fazer vista grossa ao Holocausto. Ratzinger, que destacou em setembro o trabalho silencioso e secreto de Pio XII em favor dos judeus, optou agora por promover uma investigação mais profunda. Através de seu porta-voz, Federico Lombardi, confirmou que "não assinou ainda o decreto das virtudes heróicas" de Eugenio Pacelli, e que o assunto "está sendo objeto de estudo e de reflexão". Lombarda pediu calma a católicos e judeus.
O Vaticano sabe bem que a figura de Pio XII é objeto de ácidas críticas em Israel, críticas que não somente recaem sobre este Papa. Ontem apareceu numa web de simpatizantes do Kadima – o partido do primeiro-ministro israelense Ehud Olmert - uma fotografia de Ratzinger com uma cruz gamada sobreposta. Horas depois, foi retirada. Lombardi recordou que o Vaticano já protestou quando o Museu do Holocausto de Jerusalém (Yad Vashem) colocou o seguinte texto sob a fotografia de Pio XII: "Quando a relação de fatos sobre o massacre dos hebreus chegou ao Vaticano, não reagiu com protestos escritos ou verbais. Quando os judeus foram deportados de Roma a Auschwitz, Pio XII não interveio... Quando os fornos eram alimentados dia e noite, o Santo Padre que vive em Roma não abandonou seu palácio".
Essa ojeriza, que expressou há duas semanas em Roma o rabino chefe de Haifa, Shear Cohen, convidado especial do pontífice ao sínodo, é o maior obstáculo no processo de beatificação. O Vaticano pede tranqüilidade antes de tomar uma decisão. Lombardi apontou que "nesta situação não é oportuno tentar pressionar nem para um lado nem para outro". Mas, ao mesmo tempo, no passado fim de semana, o relator do processo de beatificação, Peter Gumpel, e o postulador, Paolo Molinari, reavivaram a polêmica pelas "falsidades" lançadas contra o Papa Pacelli. Gumpel afirma que "são uma evidente falsificação histórica" e que Bento XVI "tem em suspenso o processo" porque deseja manter relações amistosas com os judeus.
Tanto Gumpel como Molinari esperam um gesto de Israel. Ambos pedem que a inscrição sobre Pio XII seja retirada do Yad Vashem, e Molinari se queixa: "Prometem que vão mudá-la, porém não fizeram nada". O postulador confirma que Bento XVI espera um sinal de "arrependimento" que acabe com a lenda negra de Pacelli para seguir com o processo. Ratzinger duvida. Teme que a beatificação suscite airadas reações em Israel e nos EUA.
Israel e o Vaticano estabeleceram relações diplomáticas a começos dos anos noventa. Entretanto possuem assuntos pendentes que aprofundam o receio mútuo. As instituições católicas em Jerusalém lamentam que não se resolva a expropriação de terras e outras propriedades, que não desfrutem de isenções fiscais e que os clérigos não disponham de liberdade de movimentos para visitar a Cisjordânia.
O presidente Shimon Peres pretende que Bento XVI marque uma visita oficial a Israel. O processo de beatificação supõe um obstáculo a mais para a organização de uma visita que exige a negociação do protocolo. A maioria dos chefes de Estado e Governo que visitam Israel pára no Museu do Holocausto. É impensável que Bento XVI acuda se a polêmica placa continua exposta.
"Temos razões para pensar que Pio XII não fez o suficiente para salvar vidas judias. Não quero julgar. Se existem evidencias deverão ser examinadas cuidadosamente", afirmou no domingo Peres. "A visita nada tem a ver com as disputas. Esta terra é santa para todos nós". Ainda que com estas palavras, a visita de Bento XVI se vincula à polêmica. O Museu do Holocausto – que sempre pressionou para que o Vaticano abra seus arquivos- expressou-se com cautela. "Qualquer visita do Papa a Israel seria um assunto político do que o Yad Vashem não é parte". "Estamos convencidos de que a abertura dos arquivos ajudaria a clarificar este episódio histórico".
As razões do silêncio
HILARI RAGUER
Historiador e monge de Montserrat
El País - 21/10/2008
Uma pesquisa entre mil profissionais estabelece o ano de 2018 para a superação do suporte tradicional - A censura na Turquia marca o inicio da Feira de Frankfurt
G. ALTARES / C. GELI – El País - Francfort - 15/10/2008
Tradução de Antonio de Freitas
Ninguém diria pela quantidade de caminhões que ontem descarregavam na Feira de Frankfurt toneladas dessa mescla de pasta de celulose e tinta que formou nosso mundo e que chamamos livros. Porém, nunca até agora o mundo digital teve tanta importância. A principal feira do livro do mundo, que inaugurou oficialmente na noite de ontem e que hoje abre suas portas aos negócios durante cinco dias, começou sob a sombra de uma pesquisa a 1.000 profissionais do setor de 30 países cuja principal conclusão é que, dentro de uma década, em 2018, os livros eletrônicos em qualquer dos formatos imagináveis superarão em volume de negocio aos herdeiros da galáxia Gutenberg.
Portanto, na edição deste ano da feira, a 60ª, que conta com a Turquia como país convidado e a que tem previsto assistir 7.000 expositores de 101 países e cerca de 1.000 autores - uma cifra praticamente idêntica à do ano passado-, os livros clássicos no representam já mais que 42% do volume total frente à avalanche de seus parentes digitais, DVD, áudio livros e os novos reprodutores, com o Kindle de amazon.com e o leitor da Sony á frente.
O escritor brasileiro Paulo Coelho, um dos autores mais populares, que receberá hoje uma homenagem em Frankfurt após superar os 100 milhões de exemplares vendidos, asseguro na inauguração da feira que havia começado a predicar com o exemplo e que postou na sua página web uma cópia gratuita de seu livro mais famoso, O Alquimista, dado que, já circulavam cópias piratas pela Internet. "O primeiro ano, as vendas passaram de 1.000 a 10.000 cópias. No segundo, subiram até as 100.000. Até o dia de hoje, vendeu 10 milhões de livros na Rússia", afirmou. "Durante 15 séculos, o livro tradicional demonstrou ser insuperável. Porém os livros digitais estão reclamando seu espaço e tudo indica que chegará um momento no qual o digital superará o de papel. Mas se necessitam, todavia, uns quantos anos, o que nos dá - aos editores, autores e escritores - um tempo precioso antes que a Internet nos alcance", prosseguiu o autor.
As quatro principais conclusões da macropesquisa encarregada pela feira revelam que os editores compartem o otimismo de Coelho, isto é, que a indústria pode sobreviver à avalanche digital, ainda que a mudança de cenário será brutal: a influencia da China na edição digital se multiplicará por três nos próximos anos (atualmente EUA domina o mercado); os consumidores, Google e Amazon impulsionarão a mudança digital; os e-livros superarão aos livros tradicionais em 2018 (segundo a opinião de 40% dos entrevistados, frente a 30% que considera que isto nunca ocorrerá) e a venda de livros por Internet foi escolhida como o acontecimento mais importante no mundo da edição nos últimos 60 anos, os mesmos que cumpre agora a feira.
Contudo, a mesma pesquisa demonstra que, todavia falta um longo caminho antes de chegar a um industrial e voluntario Fahrenheit 451: 60% dos editores não utilizam ainda livros digitais nem os novos suportes, e quase ninguém (7%) acredita que os e-livros serão sua principal fonte de ingressos dentro de cinco anos. Assim, os preparativos da feira ofereciam ontem pela manhã uma imagem surrealista: três operários descarregavam com dificuldade, até o pavilhão que ocupava Alemanha, uma linotipo, a mesma imagem do passado numa feira que se lança até outra era e que em promoção começa a mudar o logo 'Book Fair' para 'Media Fair'.
Porém muitos editores compartilham uma preocupação muito mais terrena: Em que medida a crise global pode chegar a afetar o setor do livro? De momento, alguns editores espanhóis consultados asseguravam que começavam a notar uma ligeira baixa de vendas nos títulos de pequena tiragem, ainda que a dos grandes nomes se mantêm. Por fim, o diretor da Feira do Livro, Juergen Boos, se mostrou todo o tranqüilizador que pode. "O setor do livro segue suas próprias regras, incluso frente a uma crise financeira internacional", assinalou. "Isto ficou demonstrado num estudo das principais editoras alemãs. Ainda que haja tantos pessimistas como otimistas entre os que responderam, a opinião majoritária era que a situação econômica dos editores seguirá sendo consistente. Os livros parecem ser muito resistentes aos ciclos econômicos negativos, o que deixa claro o fato de que são bens necessários, não de luxo".
As cifras, uma vez mais, jogam a favor de Boos: o número de títulos expostos (402.284) e o de novas publicações (123.496) é claramente superiores à passada edição da Feira de Frankfurt. No papel ou em bit, a coisa segue.
Pamuk, sempre desafiante
O prêmio Nobel de Literatura Orhan Pamuk e o presidente islâmico moderado da Turquia, Abdulá Gül, ofereceram na noite de ontem, na inauguração da Feira do Livro de Frankfurt, suas visões contrapostas deste país, convidado de honra este ano. Foi um exercício dialético apaixonante que demonstrou as feridas abertas de um Estado-ponte entre Oriente e Ocidente e submetido a uma dialética entre a tradição e a modernidade que lhe faz caminhar muitas vezes pelo fio da navalha. Os dois foram ao limite de suas possibilidades. "Um século de proibir e queimar livros, de mandar aos escritores à prisão ou assassiná-los como traidores ou enviá-los ao exílio. Denegri-los constantemente nos meios de comunicação não serviu para enriquecer a literatura turca, só a fez mais pobre", assinalou o autor de Neve.
Logo, em meio de um grande aplauso, se lançou diretamente contra a instituição que encarna o presidente turco, que se encontrava a somente uns metros dele, sentado junto a sua esposa, que luzia o lenço muçulmano. "O costume do Estado de penalizar os escritores e seus livros segue muito viva: o artigo 301 do Código Penal é utilizado ainda em silencio para suprimir a muitos outros escritores, da mesma forma em que foi utilizado contra mim", disse Pamuk.
O presidente Gül, por outro lado, começou seu discurso com um chamativo elogio da figura de Pamuk e uma descrição de seu país totalmente diferente. "As restrições aos autores se reduziram ou desapareceram. A Turquia se converteu num Estado em que prevalece a liberdade de opinião e de expressão", manifestou.
Postado por Antonio de Freitas no Periscópio
Google completa dez anos de internet
EFE - São Francisco – El País - 08/09/2008
Tradução de Antonio de Freitas
Quando em 1998 Larry Page e Sergey Brin criaram um novo motor de busca em Internet e tentaram vendê-lo ninguém o quis comprar, assim que decidiram fundar sua própria firma e a nomearam inspirando-se num termo matemático: Google.
Dez anos depois, Google é um gigante informático onipresente na Internet -e, às vezes, fora dela- com 20.000 trabalhadores e um valor em bolsa que se aproxima aos 104 bilhões de euros, muito próximo de grandes do setor com décadas de historia como a Microsoft ou a Apple.
Page e Brin, então dois estudantes da universidade de Stanford, fundaram a Google em setembro de 1998. Em 7 de setembro desse ano o Estado da Califórnia aceitou a solicitação de criação da empresa, se bem Google não têm uma data oficial de aniversario e simplesmente celebra o mês de setembro pela coincidência de eventos relacionados com a criação da companhia.
Cansados de buscar um comprador, Page e Brin montaram sua própria empresa e conseguiram 100.000 dólares de capital de risco de Andy Bechtolsheim, um dos fundadores de Sun Microsystems. Google - cujo nome deriva do termo matemático Gogol, um numero um seguido de cem zeros - operou em principio nos dormitórios de Brin e Page numa faculdade de Stanford.
Da garagem ao escritório
Com o tempo, a empresa deu o grande salto a uma garagem de propriedade de Susan Wojcicki, hoje cunhada de Brin, e em 1999 se mudou a sua sede corporativa em Silicon Valley conhecida como Googleplex. Seus empregados desfrutam ali de umas das melhores condições laborais de todo o setor, com comida e massagens grátis e a possibilidade de dedicar 20% de seu tempo de trabalho a iniciativas e projetos próprios.
Google processa dois terços de todas as buscas mundiais em Internet, 40% da publicidade online e acede a informação potencialmente confidencial de cerca de 650 milhões de pessoas que usam diariamente seu serviço de buscas ou outros como YouTube, Google Maps ou Gmail.
A companhia adentrou em campos bastante distantes a seu negocio tradicional como o software baseado na Internet ou a luta contra a mudança climática e esta semana anunciou o lançamento de Chrome, um navegador de Internet com o espírito de competir com Explorer de Microsoft. Porém seu crescente controle do tráfego em Internet e publicidade online preocupam a alguns especialistas, que temem que o buscador esteja estendendo demasiado seus tentáculos e olham com receio que controle tanta informação.
"Estão acumulando demasiado poder", assegura Jeff Chester, diretor do Centro para a Democracia Digital, uma prestigiosa organização não governamental (ONG) e centro de estudos sobre Internet. "É uma equação que não está equilibrada, trata-se de um sistema desenhado somente por uma entidade", disse este especialista que, não obstante, acredita que Google contribuiu "a democratizar o aceso à informação".
O poder do Google
Outros analistas vêem com desconfiança seu rápido crescimento, pois crêem que a que é uma das empresas mais dinâmicas e inovadoras de Internet pode acabar afogada em burocracia e se parecer com a Microsoft ou com a IBM.
Para Jeff Battelle, conselheiro delegado de Federated Media e autor de The Search, um dos livros mais vendidos sobre o buscador, Google têm que ter especial cuidado em não ser vítima de seu próprio sucesso. "Creio que Google se enfrenta ao típico desafio de todas as empresas excepcionais de grande crescimento: inovar à medida que muda o clima econômico mas não enamorar-se de cada coisa que possam fazer", assegura Battelle.
Em Google opinam que, em que pese serem hoje tão grandes, mantiveram-se "fieis a uma cultura que permite que as melhores idéias saiam à superfície, venham de onde vier dentro da empresa". Num documento para a imprensa sobre seu décimo aniversario, o buscador insiste em que sua hierarquia "é mínima" e em que seguem sendo uma organização plana na que cada individuo pode ter um grande impacto. Como suas prioridades para o futuro, a firma cita "apostar com força pela web móvil", ademais de "desenvolver potencial para monetarização" e "liderar em busca rápida como o raio".
O Império de Lucas contra-ataca
ROCÍO AYUSO - El País - 24/08/2008
Tradução de Antonio de Freitas
É algo assim como o episodio dois e meio. Chama-se ‘The clone wars’, e é um filme e uma série de TV. Porém, a grande novidade desta sétima entrega da saga galáctica é que é de desenhos animados. George Lucas da renda solta a sua vocação infantil de desenhista e amplia seu império àanimação. O multimilionário produtor recebe a ‘El País Semanal’ no seurancho Skywalker, nas montanhas da Califórnia.
Este diálogo, que forma parte da Guerra nas Estrelas, é o germe de um novo império. Um minuto de conversa entre os protagonistas de um filme que estreou há mais de 30 anos, o episodio IV de uma das sagas mais populares da historia do cinema e que mudou todo um universo, o que criou George
Lucas em 1977 com a primeira entrega de uma ópera espacial à que seguiriam outros cinco largo metragens: O império contra-ataca (1980), O retorno de Jedi (1983), A ameaça fantasma (1999), O ataque dos clones (2002) e A vingança dos Sith (2005). Jogos, livros, bonecos e todo tipo de parafernália de marketing fizeram o resto e converteram a este realizador e produtor na cabeça visível de um império multimilionário – a saga arrecadou mais de 4,3 bilhões de dólares em todo o mundo–. O sexto filme (o episodio III de uma historia contada sem ordem numérica) ia a ser o último da saga. Porém, nas longínquas galáxias nas que transcorrem as aventuras de Luke Skywalker, Obi-Wan Kenobi, Darth Vader ou o mestre Jedi Yoda a palavra “última” não deve existir. Daí a estréia agora de Starwars: the clone wars, o longa metragem dos estúdios Lucasfilm Animation que faz daquelas guerras clônicas o eixo do filme que David Filoni, o diretor, descreve como “o episódio dois e meio”.
“Quando estava preparando os três primeiros episódios da Guerra nas Estrelas sabia que da forma na qual havia estruturado a historia não ia tocar no tema das guerras clônicas”, comenta Lucas, o criador deste universo galáctico. “Deixei a Anakin Skywalker e a Obi-Wan incomodados ao final do segundo episodio e no terceiro regressaram como amigos após participar nas guerras clônicas. Eu queria contar esses dois ou três anos de historia, porém sem que formassem parte da saga cinematográfica, porqueo cenário dos filmes é contar como uma democracia se converte numa ditadura, como uma pessoa boa se passa ao outro lado da força, temas mais profundos que estas batalhas”.
Ao cabo de três décadas de sucesso, esse deus de Hollywood que é George Lucas criou um novo estúdio. O mesmo homem que fundou a casa pioneira de efeitos especiais Industrial, Light & Magic (ILM), que deu seu nome à produtora cinematográfica Lucasfilm e a sua companhia dedicada aodesenvolvimento de videojogos, Lucasarts, ademais de ser proprietário do Skywalker Ranch, um dos melhores estúdios de pós-produção da indústria do cinema, que deu ao mundo o envolvente som THX, agora têm também um estúdio de animação, Lucasfilm Animation, uma companhia criada com a única finalidade de fazer de Star wars: the clone wars um longa-metragem de animação por ordenador. O estúdio de Lucasfilm Animation está situado no Skywalker Ranch, dentro do rancho Big Rock, chamado assim por causa de um grande penhasco que recebe aos que passam por este páramo perdido nas montanhas do condado de Marín, na Califórnia. Lucas possui, ainda, umestúdio em Singapura e associou-se a em Taiwan.
O proprietário deste grande império é um homem melhor Dito baixinho, quase sem pescoço, de aspecto franco e barba branca que a seus 64 anos continua vestindo as mesmas calças jeans, idênticas camisas a quadros e os mesmos tênis esportivos de sua juventude, quando sonhou com outros mundos e ninguém acreditava nele em Hollywood. Porém, disso também há três décadas.
“Quando fiz Guerra nas Estrelas não era mais que um filme de que acabei escrevendo um Romeiro de mais de 200 páginas que sabia que não podia gravar porque só contava com um ornamento de três milhões de dólares. Por isso me esqueci do resto desta saga e me concentrei num filme só. Meu primeiro filme, THX, havia fracassado. Com A guerra nas Estrelas houve mais de um executivo que me assegurou que não entendia o quê eu queria fazer. Daí que quando o filme triunfou, eu fui o primeiro surpreendido”, diz Lucas, um dos produtores independentes mais reputados, com uma fortuna estimada em 3,6 bilhões de dólares. Um sucesso que se aprecia a simples vista nas instalações de sua empresa, radicadas num antigo quartel militar, dentro do que é um grande parque e pulmão de São Francisco (Califórnia).
Como assegura Filoni, Lucas não necessitaria esta abundância de espaço numa industria mais que acostumada a recortar gastos. “E sem embargo lhe encanta construir maravilhosos lugares de trabalho, rodeados de mar ou montanhas. Com a natureza como fonte de inspiração”, e acrescenta em tom messiânico: “Lhe respeito como o criador do universo de A guerra nas Estrelas, me sinto afortunado de poder formar parte dele”.
Os demais companheiros de trabalho falam em termos parecidos. “Foi todo um prazer compartilhar com Lucas o mesmo desejo de devolver a magia da A Guerra nas Estrelas de novo à tela”, diz o colombiano Sergio Páez, artista de story boards. Nic Anastassio, francês, um dos montadores, também se sente “eleito”. Em Lucasfilm Animation trabalham mais de 100 pessoas no departamento de animação e outras 1.500 nas outras três empresas do grupo.
O espírito é tal, que algum descreve este grupo de estúdios como “o pátio de recreio de um multimilionário”.
Abundância de madeiras, detalhes de art nouveau e da cultura japonesa, mas o primeiro com o que o visitante se tropeça ao entrar nos estúdios são as réplicas em tamanho natural de Darth Vader ou de Boba Fett. Lucas ri dos comentários. “Não sei se é um lugar de recreio, porém sim sei que A Guerra nas Estrelas é minha diversão. E o rancho, os estúdios, são meu hobby. Me divirto fazendo os filmes que quero, colecionando os pôsteres que quero e construindo os edifícios que quero. Tudo isso sou eu”, resume.
Fica claro que Star wars: the clone wars surge porque ele quer e porque pode. Ademais, como recorda Filoni, não estão sozinhos. “É difícil de acreditar que 30 anos mais tarde este título geral a mesma emoção que senti eu aos quatro anos”. Lucas poderia ser hoje o dono da Pixar se não houvesse vendido esta companhia há 20 anos, quando não era mais que um incipiente estúdio, por cinco milhões de dólares a Steve Jobs, seu atual presidente, hoje à frente da Apple. “Lucas ama a animação. Pensou em ser desenhista e o haveria sido se não houvesse se distraído fazendo estes seis filmes”, brinca Filoni.
As últimas entregas da A Guerra nas Estrelas deixaram muito a desejar tanto entre a crítica como entre seu público. Star wars: the clone wars não nasceu como um longa-metragem, mas como uma série de TV, com episódios de cinco minutos que passaram a ser de 25. De acordo com Lucas, foi sua qualidade que lhe convenceu a fazer um filme para apresentar a serie e as novas personagens como Ahsoka, a primeira mulher aprendiz de Jedi. “Na atualidade, a TV me parece um meio mais interessante. O cinema leva demasiado tempo e muito recurso para contar uma historia muito mais concreta”, comenta.
Lucas experimenta na TV com outras influencias, desde o estilo manga japonês até o das marionetes britânicas da serie Guardiães do espaço, de Gerry Anderson. “Todo o desenvolvimento da historia, dos episódios, a pre-visualização e a direção de arte se fazem no estúdio de Big Rock.
Depois se mandam os episódios completos a Singapura ou a Taiwan que voltam às instalações de Skywalker para a pos-produção e a montagem”, detalha Filoni. De acordo com a produtora Catherine Winder, a idéia de criar este estúdio internacional não foi só econômica, mas “reunir um talentointernacional difícil de trazer aos EUA”.
Em todo o processo, a participação de Lucas foi intensa. “Partimos do zero e, ainda que tenha muita gente que trabalha para mim, investi dois anos para pô-los em dia com este universo. Porém, ao final, meu título é o de produtor executivo, assim que foram eles os que fizeram o trabalho diário”, assegura. Winder indica que outra das inovações de Lucas é que produziu o filme como se se tratasse de um filme convencional. “George trabalhou distanciando-se dos métodos tradicionais de animação, acrescentando uma iluminação muito marcada e mais próxima à imagem real.
Criou o filme na sala de montagem mais que nos storyboard como se faz habitualmente. Ensinou-lhes a montar com o cinema tradicional na cabeça”. Num momento no qual a animação por ordenador tende ao hiper-realismo, Lucas reconhece que ele preferiu estilizar seus protagonistas “porque se quisesse que fossem reais, utilizaria atores de verdade”. E outra de suas decisões excepcionais foi o de produzir de seu próprio bolso não só o filme, mas também os 22 primeiros episódios da primeira temporada de Star wars: the clone wars sem esperar contar com um distribuidor ou com um canal de TV. Decisão arriscada, tendo em conta que cada um dos capítulos custa entre 750.000 e 1,5 milhão de dólares (preço médio em series de sucesso como Os Simpsons ou Uma Família da Pesada, ainda que o normal costuma ser 375.000 dólares).
Os estúdios Fox, distribuidores até agora de todas as entregas da saga, não se interessaram na ocasião e a Warner só se interessou quando, ademais da série, Lucas lhes ofereceu também um longa-metragem. Pode existir um final para o império galáctico? “Pra mim é muito difícil imaginar, porque George Lucas tem tantas historias e seu universo é tão rico e com tal profundidade de conteúdos, que não considero possível”, afirma Winder, apontando já a essa outra série de TV em marcha, desta vez com imagem real e que provavelmente se gravará na Austrália, centrada na vida cotidiana dos habitantes da galáxia nos anos do império, um fragmento de vida que iria entre os episódios III e IV. “Parece que todas as pessoas que conheço cresceram com A Guerra nas Estrelas”, confirma Lucas com humor.
“Não importa que geração, todos passaram por esta faceta. E esta é uma nova exploração de outra parte destas galáxias, com uma textura diferente, animada, e num meio diferente, a TV”.
Anastassio encolhe os ombros quando escuta os temores de que Star wars: the clone wars não seja capaz de alcançar a seus predecessores na bilheteria. “Com que me encontre a um rapazinho de sete ou oito anos com os olhos como pratos e querendo ver o filme de novo, pensarei que fizemos bem nosso trabalho”, diz. Dado que definitivamente no vocabulário de A Guerra nas Estrelas não existe o “nunca jamais”, significará esta nova vida a possibilidade de completar a saga com os episódios VII, VIII e IX que Lucas sempre negou que tiveram uma historia? Ele sorri, com algumas sacudidas de sua preeminente barriga. Sua companheira sentimental, Mellody Hobson, presidenta da companhia Ariel Capital, lhe espera no carro para abandonar o rancho. O dia foi longo. “Uma vez que Luke Skywalker redime a seu padre, o que passa com o filho não me interessa. Não é a historia que quero contar e não sei que fazer com ele. Não tenho nada pensado para Skywalker. Por isso evito essa parte da historia e a seguirei evitando enquanto possa”, conclui.
Star Wars
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Star Wars (A Guerra das Estrelas / Guerra nas Estrelas) é o título de uma Space Opera (nas próprias palavras do seu autor que assim designou o universo de fantasia que compunha este projeto) que foi transformada em uma série de seis filmes de ficção científica. Como subprodutos surgiram também uma franquia literária, uma série de jogos eletrônicos e desenhos animados (incluindo inúmeras prequelas, sequências e adaptações literárias) baseados nas idéias do cineasta e roteirista George Lucas. Os filmes, organizados em duas trilogias, abordam a transição histórica "numa galáxia muito, muito distante...." onde ocorre a queda da República Galáctica e a implantação e posterior derrocada do Império Galáctico sob comando do senador Palpatine (Lord Sith).
Os episódios são:
I. A Ameaça Fantasma, Maio 19 de 1999;
II. O Ataque dos Clones, Maio 16 de 2002;
III. A Vingança dos Sith, Maio 19 de 2005;
IV. Uma Nova Esperança, Maio 25 de 1977;
V. O Império Contra-Ataca, Maio 21 de 1980
VI. O Retorno de Jedi, Maio 25 de 1983;
VI. guerras clonicas - agosto 15 de 2008 E ainda há o universo expandido,que são alguns episódios extras de Star Wars criados por fãs, ou até mesmo por Lucas. Um exemplo é Sombras do Império ou como O retorno de Darth Vader
O Universo
Os acontecimentos relatados em Star Wars ocorrem numa galáxia fictícia, sendo cada filme acompanhado por um pequeno texto de abertura com a intenção de contextualizar essa história no Universo Star Wars. É a únicavez nos filmes que este Universo é analisado tendo o nosso como ponto de referência. O texto começa com a expressão: "Há muito tempo, numa galáxia muito,muito distante....", numa clara alusão aos contos de fadas "Era uma vez...". (Estão bem presentes quatro pontos ao fim da frase, desde 1977 e o primeiro filme, e este erro foi voluntariamente repetido para todos os outros filmes).
Muitas das suas personagens são humanas, interagindo com várias criaturas fantásticas de muitos sistemas planetários diferentes. Utiliza vários elementos sobrenaturais como Magia, cavaleiros Jedi, bruxas e princesas, procurando reinterpretar arquétipos clássicos dos contos de fada e outros elementos mitológicos.
Apesar dos filmes decorrerem no período cronológico de duas gerações, o Universo Expandido decorre num período de milhares de anos (mais de 25140 anos), desde acontecimentos anteriores aos relatados nos jogos Star Wars: Knights of the Old Republic ("KOTOR") (2003) ou KotOR II - The Sith Lords aos decorridos na banda desenhada (História em Quadrinhos) Legacy of The Force ou Star Wars: Legacy.
A publicação de "Nova Ordem Jedi" contribuiu para o aumento do Universo, seguindo-se a publicação de bandas desenhadas (Histórias em Quadrinhos), livros e jogos que ampliaram o Universo Star Wars futuro e passado, levando a criação de várias eras com períodos cronológicos bem definidos.
República
República galáctica é uma civilização ficcional ou modelo de sociedade onde milhares de civilizações de planetas diferentes mantinham-se organizadas na forma de um senado galáctico.
No senado, representantes de cada civilização ou planeta interagiam entre si. A república dominou a galáxia por milhares de anos, criando um governo justo e pacífico, incluindo inúmeros planetas, mas ao final tornou-se corrupta e acabou sendo dissolvida pelo Imperador Palpatine em um golpe de estado.
Eras
A contagem do tempo faz-se antes (ABY) e depois (DBY) da batalha de Yavin (a destruição da 1ª Estrela da Morte), apresentada no Episódio IV.
A 1ª de que há registro, e a Era Pré Repúblicana (13700000000ABY ou 7500000000ABY (formação do Sistema Cularin)-25000ABY),desde o Big Bang no Universo do Star Wars, até a formação de Grandes Impérios, como os do Rakata, conhecido como "Império Infinito", famosos por construirem o Star Forge (30000 ABY) ou o Império Xim (25130 ABY),e a fundação de Coruscant (200000 ABY)encerrando este Período com a formação da República em 25000 ABY,
A 2ª é a Era da Velha República (25000 ABY-1000 ABY), focando a recém formada República Galáctica, os seus protectores, a Ordem Jedi e os seus inimigos, os Sith. Começa com a criação da República e termina com a derrota da "Brotherhood of Darkness" ou Irmandade da Escuridão na 7ª Batalha de Ruusan e o posterior renascimento da República na Reforma Ruusan.
A 3ª é a Era do Império (1000 ABY-0 ABY) que foca a era dourada da República e a sua posterior transformação no Império Galáctico através das maquinações de, Darth Bane e posteriormente Darth Sidious, culminando na Guerra dos Clones. A história contada nos Eps. I, II e III passa-se no final desta era.
A 4ª é a Era da Rebelião (0 ABY-5 DBY), focando o período dos filmes originais, os Eps IV, V e VI. Foca a Guerra Civil Galáctica entra a Rebelião e o Império até à Batalha de Endor.
A 5ª é a Era da Nova República (5 DBY-25 DBY), que conta a formação da Nova República e a sua luta com vários líderes imperiais, culminado com o fim da Guerra Civíl Galáctica com o Tratado Pellaeon-Gavrisom ou Acordos de Bastion.
A 6ª é a Era da Nova Ordem Jedi(25 DBY-40 DBY), introduzindo novasgaláxias e raças como os Yuuzhan Vong e a Civilização Killik e a reconstrução da Ordem Jedi pela mão de Luke Skywalker.
A 7ª é a Era do Legado (40 DBY- ), não possuindo ainda um fim definido. Esta era começa com a Nova Ordem Jedi e a Aliança Galáctica em 40 ABY, mas 100 anos no futuro relata e existência de um novo Império Galáctico e novos Sith, e a luta de Cade Skywalker para salvar a galáxia.
A Força
A Força é uma constante nas sagas Star Wars e sujeita a muitas interpretações, sendo descrita por Obi-Wan Kenobi no Ep. IV da seguinte forma: "An energy field created by all living things. It surrounds us, penetrates us, and binds the galaxy together." - Um campo de energia criado por tudo o que vive. Rodeia-nos, penetra-nos e une a galáxia.
No universo expandido, Luke Skywalker diz: "The Force is a river from which many can drink, and the training of the Jedi is not the only cup which can catch it." - A Força é um rio onde muitos podem beber, e o treino do Jedi não é a única taça que a pode conter. Numa clara alusão às diferentes filosofias.
As teorias defendidas pela velha Ordem Jedi são as que nos são apresentadas nas duas triologias: Ashla (o Lado Luminoso) versus Bogan (o Lado Negro da Força), com as suas filosofias próprias.
Código Jedi:
“There is no emotion, there is peace.” - Não existe emoção, existe paz.
“There is no ignorance, there is knowledge.” - Não existe ignorância, existe conhecimento
“There is no passion, there is serenity.” - Não existe paixão, existe serenidade.
“There is no death, there is the Force.” - Não existe morte, existe a Força.
Filosofia Sith:
“Peace is a lie, there is only passion.” - Paz é uma mentira, só existe paixão.
"Through passion, I gain strength." - Através da paixão, ganho força.
"Through strength, I gain power." - Através da força, ganho poder.
"Through power, I gain victory." - Através do poder, atinjo a vitória.
"Through victory, my chains are broken." - Através da vitória, as minhas correntes são quebradas
"The Force shall free me." - A força me libertará.
Apesar de ambas as facções procurarem atingir um patamar existencial superior, fazem-no com diferenças filosóficas acentuadas.
Os Jedi defendem o distanciamento emocional, a meditação, devendo as suas acções serem pautuadas pela sabedoria e lógica em função do bem comum, sendo Força usada com sensatez e de forma pacífica. Os Jedi devem fazer um uso da Força que sirva o conhecimento e para se defenderem, nunca para atacar. Defendem uma atitude menos interventiva, na qual se deve aceitar as situações menos positivas e tentar contorná-las ou resolvê-las de forma a aceitar o fluxo natural do universo e da Força.
Os Sith, em contrapartida, acreditam na utilização de emoções fortes para alimentarem as suas habilidades, defendem a sobrevivência do mais apto e o uso sem restrições das suas habilidades. As suas técnicas tendem a ser mais agressivas e destructivas. Mesmo curar alguém pode ser um acto que se aproxima da filosofia Sith quando tal é feito com o total desrespeito das leis naturais e vergando a Força à vontade do utilizador (como é o caso de Cade Skywalker na 6ª era - Era do Legado).
O único ponto em que concordam é no perigo que o amor representa. Para os Jedi, pode levar a sentimentos como ciúme e raiva. Para os Sith, pode levar a sentimentos como compaixão e pena.
Midi-chloriansPosteriormente, no Ep.I foi introduzido o conceito de "midi-chlorians",como organismos microscópicos, existentes nas células de seres vivos, que facilitam a interação com a Força e podem ser utilizados para contabilizar a sensitividade de cada um. Os que possuirem uma contagem maior de"midi-chlorians", poderão manipular de forma mais eficaz a Força.
Um teste sanguíneo é suficiente para confirmar a quantidade desses seres e dessa forma indicar o nível de sensitividade de alguém. Permitem a percepção da Força da mesma forma que os nossos olhos permitem ver certas frequências luminosas ou os nossos ouvidos interpretar as vibraçoes do ar como som.
Ao longo do Universo expandido foram surgindo formas artificiais de embuir alguém ou algo com o poder da Força, quer seja através de cristais artusianos, de artefatos Sith ou das manipulações genéticas dos Rakata. A invenção do conceito de "midi-chlorians" poderá vir a explicar como esses processos funcionam, podendo no entanto entrar em conflito com a existência de seres não orgânicos (Shards e Tsil) sensitivos à Força.
Poderes
A Força confere aos seus utilizadores uma série de talentos excepcionais, a sua maioria de origem psíquica, tais como telepatia, telecinesia, habilidades precognitivas, mas também melhoria de atributos físicos (velocidade, força e resistência). Quando canalizada para o meio envolvente em vez de uma pessoa, permite técnicas como descargas eléctricas e estrangulamento (via telecinesia), repetidamente usadas pelos Sith ou habilidades curativas e criação de escudos pelos Jedi de acordo com as filosofias de cada um.
Ao longo dos vários filmes e do Universo Expandido existe uma grande variedade de técnicas diferentes, nas quais a Força permite a criação de resultados bem diferentes dos acima mencionados. Luke Skywalker utilizou-a para conseguir acertar no alvo no Ep.IV e destruir assim a 1ª Estrela da Morte, Darth Sidious dominou a técnica que permite transferir o seu espírito para outros corpos, enganando a morte, tal como Qui-Gon-Jinn que se tornou um fantasma da Força e transmitiu esse conhecimento a Yoda e Obi-Wan Kenobi ,que em seguida a repassou para seu aprendiz Anakin Skywalker.
Na nomenclatura normal dos poderes da Força apenas diz-se "Force" na frente e, em seguida, o tipo específico do poder. Por exemplo: os raios lançados por Dooku (Dokan) contra Yoda e Obi-Wan no EP. II se chamam Force Lightning; a habilidade de enforcar à distância é Force Grip, entre outros. Existem, no entanto, muitas exceções à regra, na maioria dos casos relativos à habilidades conjutas (maioria), e não poderes de ataque/defesa com de costume. Exemplo disso é o Battle Meditation (e não "Force BattleMeditation").
Sabres de Luz
Introduzidos no Ep. IV os "lightsabers" ou sabres de luz, tornaram-se um dos elementos visuais que mais marcaram os filmes e o restante Universo Expandido. Inicialmente criados pelos Jedi, rapidamente foram adoptados pelos Sith e outros sensitivos, tornando-se na galáxia, sinónimo de algum tipo deligação com a Força, apesar de poderem ser utilizados por não sensitivos (como o General Grievous). No entanto, a Força é um elemento fundamental na sua construção, visto que é através dela que os vários componentes são fundidos, de forma a garantir o correcto fluxo de energia.
Os elementos que sobressaem na composição de uma sabre de luz são os cristais que irão contribuir para a cor, e características da lâmina, podendo existir até um máximo de três cristais no sabre de luz normal.
Citando as palavras da Mestre Jedi Luminara Unduli:
"The crystal is the heart of the blade." - O cristal é o coração daprópria lâmina.
"The heart is the crystal of the Jedi." - O coração é o cristal do próprio Jedi.
"The Jedi is the crystal of the Force." - O Jedi é o cristal da própria Força.
"The Force is the blade of the heart." - A Força é a lâmina do próprio coração.
"All are intertwined: The crystal, The blade, The Jedi." - Todos estão ligados: o cristal, a lâmina, o Jedi.
"You are one." - São um.
O filme
Inicialmente, George Lucas escreveu um roteiro de 6 horas de filme, e o fez mesmo prevendo a resposta do estúdio. Recebendo um "não" como resposta, decidiu dividir o filme em 6 episódios, sendo que resolveu gravar apenas os 3 últimos pois os julgava mais interessantes e reconhecia neles aspectos que cativaria o público. Mas no fim dos anos 90 os fãs ganharam um presente, a notícia de que os 3 primeiros episódios seriam gravados. Antes disso, no início da década de 90, os 3 episódios já gravados foram relançados em edição remasterizada.
A Fox, por desacreditar num filme que falava sobre o espaço, que na época era loucura, permitiu que George Lucas tivesse todos os direitos do filme, o que garantiu a George Lucas dinheiro suficiente para montar suas próprias empresas cinematográficas. Dentre elas a ILM, empresa que revolucionou a industria cinematográfica com efeitos especiais de altíssima qualidade, desenvolvendo tecnologia própria. Hoje, George Lucas é dono das seguintes companhias: Lucasfilm; LucasArts; Industrial Light &Magic; Lucasfilm Animation; Skywalker Sound; Lucas Licensing; Lucas Online; George Lucas Educational Foundation.
Entre as empresas criadas por George Lucas, que depois se tornaram independentes, estão Avid Technology, THX e Pixar Animation. Com o sucesso de Star Wars (Guerra nas Estrelas) surgiram várias lendas, ena sede dos fãs de saber mais sobre a saga, histórias e mais histórias surgiram, porém não se sabe sobre a veracidade delas. Uma delas é que George Lucas teria escrito 9 episódios e não 6, uns dizem que o que acontecerá nos últimos 3 episódios, outros dizem que George Lucas não revelou nada sobre eles e que não pretende gravá-los, pois diz que não terão o mesmo efeito que os outros episódios tiveram, outros também afirmam que ele deixou os episódios disponíveis para qualquer diretor que quiser gravá-los, mas não se sabe ao certo qual dessas informações éverídica.
A saga Star Wars faz uso de arquétipos, comuns tanto em ficção científica quanto em mitologia antiga, assim como da musica romântica presente nesses gêneros. Em 2005, a Revista Forbes estimou o rendimento total gerado pela franquia Star Wars (durante o percurso de seus 28 anos de história) em aproximadamente US$ 20.000.000.000,00 (vinte bilhões ou vinte mil milhões de dólares), facilmente fazendo-a uma das franquias baseadas em filmes de maior sucesso de todos os tempos. Também na Forbes, na lista das pessoas mais ricas do mundo publicada na revista em 2004, George Lucas aparece em153º lugar, com uma fortuna estimada em 3 bilhões de dólares.
História da produção e realização do filme
George Lucas era um dos diretores da nova geração do cinema americano nosanos 70, juntamente com Francis Ford Coppola, Steven Spielberg, Martin Scorcese e Brian de Palma. Após o sucesso de American Grafitti, George Lucas consegue convencer a Fox a financiar o filme, conseguindo uma verba de 8 milhões de dólares americanos. Entretanto, antes disso, vários estúdios já tinham recusado o filme. Para impressionar os executivos daFox, Lucas contratou Ralph MacQuirre, designer da Boeing e artista conceitual, para desenhar as cenas a partir do roteiro. Lucas exigiu em seu contrato que as possíveis sequências do filme seriam realizadas por ele, além de ter garantido os direitos de merchandising sobre a obra. A Fox, não imaginando o sucesso do filme, concordou com Lucas, que também não esperava, naquele momento, que o filme se tornasse um divisor de águas da indústria cinematográfica americana.
Durante a elaboração do roteiro de Star Wars, Han Solo chegou a ser um alienígena verde e Luke um general de 60 anos de idade. O sobrenome original de Luke, (nome obviamente escolhido devido ao nome do diretor) era Starkiller, alterado para Skywalker no roteiro final. Devido a grandiosidade do roteiro, Lucas dividiu a história em 6 partes, começando a partir da 4º parte, considerada mais viável economicamente e de maior apelo ao público.
Lucas opta por escolher um elenco desconhecido, desagradando o estúdio. Harrison Ford, que já era conhecido, foi inicialmente chamado apenas para participar dos testes de elenco. Vários atores como Kurt Russel fizeram testes para o papel de Solo. Mark Hamill era conhecido por seu papel em uma série de televisão e Carrie Fisher era filha de artistas consagrados de Hollywood, mas também era desconhecida. Peter Mayhew foi escolhido para o papel de Chewbacca devido a sua altura (2,20 m). Kenny Baker, umcomediante anão, faria R2-D2 e o artista mímico Anthony Daniels, seria C-3PO. David Prowse, com seus 2 metros e corpo atlético seria Darth Vader.
Mas a voz de Vader ganharia a interpretação de James Earl Jones, ator reconhecido do teatro e que mais tarde trabalharia novamente com Harrison Ford na série "Jack Ryan: Jogos Patrióticos e Perigo Real e Imediato", interpretando o almirante Jim Greer. Para viver Obi-Wan Kenobi, o famoso ator britânico e vencedor do Oscar por "A Ponte do Rio Kwai", Alec Guinness fora chamado por Lucas para dar credibilidade ao filme.
O início das filmagens ocorre na Tunísia, em pleno deserto do Saara. Ao mesmo tempo, nos estúdios Elstree em Londres, os cenários gigantescos da Estrela da Morte e das naves, era construído. Nos Estados Unidos, a ILM(Industrial Light & Magic), empresa fundada por Lucas, começava a preparar os modelos, miniaturas e equipamentos para criar os efeitos especiais.
Na Tunísia, logo no inicio das filmagens sob um calor de 40º, o cenário do filme do planeta Tattoine é destruído por uma tempestade. Problemas com R2-D2 são corriqueiros. O ator Anthony Daniels se machuca com a armadura de C-3PO antes das filmagens.
Após semanas na Tunísia, as filmagens passam para Londres. Lucas enfrenta diversos problemas como a interrupção das filmagens as 17:30h todos os dias devido as normas do sindicato inglês, as constantes brincadeiras dos atores durantes as filmagens, as discussões com a equipe técnica do estúdio inglês e a pressão do estúdio Fox pelo término das filmagens. Na Fox, apenas Alan Ladd Jr., executivo que contratara Lucas, ainda acreditava no sucesso de Star Wars. Nesse momento os técnicos ingleses chegavam a perguntar aos atores "que filme era aquele, com tantas babaquices e coisas sem sentido", segundo o documentário "Impérios dos Sonhos". Mal sabiam que estavam participando do filme que mudaria a história do cinema e que revolucionária a forma de se fazer filmes.
Após as filmagens em Londres, Lucas se concentra na produção dos efeitos do filme e na montagem. O primeiro corte de Star Wars foi um desastre, segundo Lucas, obrigando-o a demitir o editor e contratar uma nova equipe de edição. A ILM, nesse momento, só tinha produzido 4 tomadas para o filme, sendo que todas foram descartadas por Lucas. Com o prazo se esgotando, Lucas assume o controle da ILM. Para mostrar aos técnicos o que ele desejava em termos de ação e velocidade para as cenas de batalhaespacial, recorreu a filmes de combates aéreos da Segunda Guerra Mundial.
Para a trilha sonora, Lucas contrata John Williams, compositor já reconhecido por trabalhos como Jaws (Tubarão) de Spielberg. A trilha é gravada pela Orquestra Sinfônica de Londres. Na primeira exibição do filme ainda não finalizado, a executivos da Fox, alguns chegaram a chorar e reconhecer que Star Wars modificaria história do cinema.
Com o atraso na produção do filme, a estréia programada para dezembro de 1976 fora adiada para 25 de maio de 1977. A princípio, em torno de apenas 40 cinemas aceitaram exibir o filme. Muitos críticos e executivos esperavam o fracasso do filme nas bilheterias e Lucas não imaginava o que estaria por vir. A campanha de marketing bem sucedida nos meses anteriores com a exibição de traillers, a venda de produtos e difusão do filme entre entusiastas de ficção científica e histórias em quadrinhos, alavancou o filme e filas imensas se formaram no dia de estréia. Nas primeiras semanas Star Wars já batia todos os recordes de bilheteria tornando-se umestrondoso sucesso de público e de crítica.
Star Wars fora indicado a diversos prêmios Oscar, inclusive melhor filme, ganhando praticamente todos prêmios técnicos como efeitos sonoros, visuais, edição, de um total de 7 estatuetas. O sucesso de bilheteria pelo mundo todo garantiu a Lucas as condições financeiras para produzir a sequência de Star Wars, O Império Contra-Ataca e depois O Retorno de Jedi.
Star Wars revolucionou o cinema e a forma de se fazer filmes. Surge aqui o conceito de blockbuster (filme arrasa-quarteirão) com grandes bilheterias e orçamentos. O público jovem era o novo alvo da indústria. As inúmeras técnicas criadas pela ILM revolucionaram a indústria de efeitos especiais no cinema, dando origem a outras divisões como Skywalker Sound, THX, Pixar, LucasArts entre outras.
George Lucas, com Star Wars, tornara-se o cineasta independente de maior sucesso do cinema. Lucas colocou praticamente todo dinheiro ganho com Star Wars na produção de O Império Contra-Ataca, não se rendendo ao poder dos estúdios. Na verdade, Lucas foi responsável por revitalizar a força daquilo que ele sempre combateu como cineasta independente.
A partir de Star Wars e suas sequências, todo um universo de produtos foi desenvolvido, como história em quadrinhos, desenhos animados, brinquedos, roupas, etc. Star Wars se tornou uma febre mundial e mesmo após 30 anos de seu lançamento, em 2007, a franquia continua forte. O lançamento recente dos últimos 3 filmes da série alavancaram mais ainda o que já era um sucesso, conquistando uma nova geração de fãs.
Temáticas
A utilização da fórmula épica é uma constante nos filmes, recorrendo à utilização de temas e conceitos comuns aplicados visualmente e no desenrolar da história. A reinterpretação dos arquétipos mitológicos é a base da intemporalidade dos filmes, pois focam temáticas com que todos serelacionam, incorporando no entanto conceitos modernos:
As tensões paisfilhos (AnakinObi-Wan e LukeAnakin), as donzelas em perigo (PadméLeia) que afinal não são assim tão indefesas, as histórias de amor que persistem contra todas as adversidades (PadmeAnakin e LeiaHan)
Um exemplo da utilização de arquétipos ao longo das sagas é o paralelismoentre as histórias de Anakin e Luke Skywalker:
Ambos são encontrados ainda jovens por um ancião que os introduz a um universo mais amplo, revelando-lhes as suas habilidades, ambos os anciãos sabem algo sobre a sua origem que os próprios desconhecem (Qui-Gon-Jin e a profecia sobre o Escolhido e Obi-wan Kenobi e a identidade de Darth Vader), ambos vêm o seu mestre morto antes de terem o seu treino completo, sendo adoptados por um mestre com uma relação aluno/professor com o mestre anterior (Obi-wan é o antigo padawan de Qui-Gon e Yoda é um antigo mestre de Obi-wan. Ambos evidenciam-se no uso da Força (Anakin ultrapassa os seus mestres e Luke evolui quase sem treino), ambos são assolados por fortes emoções: amor e raiva. Anakin sente amor por Padme e raiva pela morte da sua mãe e Luke sente amor pelos seus amigos e raiva pela morte dos seus tios, ambos vêm essas emoções utilizadas contra si na tentativa de os persuadir para o Lado Negro da Força e ambos são salvos pela compaixão que sentem. Luke pela compaixão pelo seu pai, não o matando quando teve oportunidade e Anakin pela compaixão pelo seu filho, não deixando que o Imperador o matasse.
Ficha técnica
Personagens
Anakin Skywalker (epis. I Jake Lloyd) (epis. II e III : Hayden Christensen) (epis. VI Sebastian Shaw)
Darth Vader (epis. III Hayden Christensen) (epis. IV, V, VI David Prowse)(epis. III, IV, V e VI dublando a voz: James Earl Jones)
Obi-Wan Kenobi (epis. I, II e III Ewan McGregor)(epis. IV, V e VI Alec Guiness)
Luke Skywalker (epis. IV, V e VI Mark Hamill)
Princesa Leia (epis. IV, V e VI Carrie Fisher)
Han Solo (epis. IV, V e VI Harrison Ford)
Padmé Amidala (epis. I, II e III Natalie Portman)
Mace Windu (epis. I, II e III Samuel L. Jackson)
Mestre Yoda (performance Frank Oz) (epis. I, II ,III,V e VI)
Chewbacca (epis. III, IV, V e VI Peter Mayhew)
C-3PO (epis. I a VI Anthony Daniels)
R2-D2 (epis. I, III, IV e VI Kenny Baker)
Lando Calrissian (epis. V e VI Billy Dee Williams)
Palpatine/Darth Sidious(epis. I, II ,III,V e VI Ian McDiarmid}
Conde Dookan/Darth Tyrannus(epis II e III Christopher Lee)
Qui-Gon Jinn -(epi. I Liam Neeson)
Música John Williams acompanhado pela Orquestra Sinfônica de Londres