O corpo da adolescente Eloá Cristina Pimentel, foi enterrado por volta das 9h10 desta terça-feira no cemitério Jardim Santo André (Grande São Paulo). Cerca de dez mil pessoas acompanharam o cortejo, de acordo com a Guarda Municipal.
Eloá foi morta com um tiro na cabeça após ser mantida refém por cem horas pelo ex-namorado, Lindemberg Fernandes Alves, 22. Durante o trajeto até o jazigo, pessoas bateram palmas.
Também por volta das 9h10, enquanto o jazigo começava a ser lacrado, a mãe, Ana Cristina Pimentel, jogou flores sobre o caixão. Ela era amparada pelo filho. O pai da menina não acompanhou a cerimônia --hipertenso, ele havia recebido atendimento médico.
No final da noite de ontem, Ana Cristina disse que perdoa o ex-namorado da filha, mas que quer justiça. "Eu consigo perdoar o Lindemberg. Eu consigo perdoá-lo de todo o coração, mas que a justiça seja feita", afirmou Ana. "A Eloá está feliz em um lugar melhor", disse.
A declaração foi dada em frente ao caixão. Um grupo que a acompanhava a cerimônia vestindo camisetas brancas com a imagem de Eloá sorrindo, chorou. Foi a primeira manifestação pública da mãe desde que a filha foi feita refém.
A mãe isentou o Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais), da Polícia Militar, de qualquer espécie de culpa pelo trágico desfecho e agradeceu a população que foi ao velório da filha, iniciado na tarde de ontem. Cerca de 30 mil pessoas já haviam passado pelo local até por volta das 8h40 de hoje.
Órgãos
A família de Eloá autorizou a doação de seus órgãos. Uma mulher de 39 anos foi a primeira beneficiada, e recebeu o coração da adolescente. Segundo o Hospital da Beneficência Portuguesa, a paciente aguardava um coração há um ano e meio, quando recebeu o diagnóstico de que o transplante era a única solução para resolver um problema de cardiopatia congênita.
Uma jovem de 18 anos recebeu nesta segunda-feira os pulmões. A cirurgia durou 11 horas e terminou por volta das 13h, de acordo com o Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas).
De acordo com o hospital, a garota estava na fila do transplantes havia dois anos, vítima de fibrose cística --uma doença congênita que compromete progressivamente a função respiratória. Após o transplante, a jovem foi levada para recuperação na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e tem quadro clínico estável.
Um homem de 25 anos, de Guarulhos, recebeu o pâncreas e o rim de Eloá. Ele passou por uma cirurgia de aproximadamente sete horas no Hospital Beneficência Portuguesa. Segundo o hospital, o paciente sofria de diabetes crônica e insuficiência renal. Ele estava na lista de espera por um órgão havia quatro anos e foi beneficiado porque as três primeiras pessoas da lista não eram compatíveis com os órgãos doados.
Ex-namorado
Lindemberg Fernandes Alves, 22, preso desde a sexta-feira (18) após o fim do cárcere privado de Eloá Cristina Pimentel, 15, foi transferido na tarde desta segunda-feira do CDP (Centro de Detenção Provisória) 2 de Pinheiros (zona oeste de São Paulo) para a penitenciária 2 de Tremembé (147 km de SP). A unidade é a mesma onde está preso Alexandre Nardoni, 29, acusado de matar e jogar a filha Isabella, 5.
Alves manteve por mais de cem horas sua ex-namorada Eloá e a amiga Nayara, também de 15 anos. Ele estava inconformado com o fim do namoro de três anos com a garota.
No desfecho do caso, Eloá foi baleada na cabeça e na virilha e a amiga foi atingida por um tiro na boca. Nayara foi operada e passa bem. Ela receberá alta na quarta-feira (22).
Todos os disparos foram feitos por Alves, segundo a polícia. A PM afirma que decidiu invadir o apartamento na noite de sexta após o rapaz atirar.