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15-03-2010 15:46:00

Adailton Medeiros

ADAILTON MEDEIROS

 








ADAILTON MEDEIROS

Rogel Samuel


Eu soube da morte de Adailton Medeiros dias depois pela Internet, na coluna de Cunha e Silva. Fui à sua missa de 30º dia. No magnífico Mosteiro de São Bento, onde suas
cinzas estão depósitadas. Uma glória post-mortem. Espírito introvertido, homem tímido, grande poeta, excelente amigo, grande conversador. Eu o conhecia há décadas. Desde o início da década de 70. Ele nasceu em Caxias do Maranhão, em 1930 e estudou jornalismo, fez mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde fui seu colega.

Para ver como ele era, cito o seu:




AUTO-RETRATO



Diante do espelho grande do tempo

sinto asco

tenho ódio

descubro que não sou mais menino

Aos 50 anos (hoje — 16 / 7 / 88 (câncer) sábado — e sempre

com medo olhando para trás e para os lados)

questiono-me (lagarto sem rabo):

— como deve ser bom

nascer crescer envelhecer e morrer



Diante do espelho grande na porta

(o nascido no jirau: meu nobre catre) choro-me:

feto asno velhote pétreo ser incomunicável

sem qualquer detalhe que eu goste

(Um espermatozóide feio e raquítico)



Como nas cartas do tarô onde me leio

— eis-me aqui espelho grande quebrado ao meio
11-03-2010 06:31:00

Horácio

Horácio

Rogel Samuel

 

Estou novamente escrevendo neste blog. Andei muito ocupado. O calor volta. A internet falha. Muito se fala, pouco se faz. Quando vemos, o dia passa, a hora e a vez. Estava lendo:

HORÁCIO

Ode III

AO NAVIO DE VERGÍLIO

Trad. Elpino Duriense, Lisboa, 1807.

Assim a deusa poderosa em Chipre,
Assim os irmãos de Helena, brilhantes
Astros, e o rei dos ventos, só com japis,
prendendo os mais, te reja,
Ó nau, que és de Vergílio devedora,
Que a ti se confiou, rogo-te, o ponhas,
Salvo nas terras áticas, e guardes
metade de minha alma.
Enzinho e tresdobrado bronze havia
Em torno ao peito, quem ao pego iroso
O baixel frágil cometeu primeiro;
Nem já temeu o ábrego.
Com os aquilões brigando impetuoso,
Hiadas tristes, nem de Noto a raiva;
Que é da Ádria o mór senhor, ou erguer queira,
Ou amainar as ondas.
Que gênero temeu de morte aquele,
Que a olhos secos viu nadantes monstros,
Que viu túrgido mar, e Acroceraunos
infamados cachopos?
Em vão próvido Deus com o oceano
As terras retalhou insociáveis,
Se contudo os baixéis ímpios trespassam
os não tocandos mares.
Audaz a sofrer tudo, a gente humana
Por defezas maldades se despenha;
Audaz a prole de japeto às gentes
com fraude iníqua o fogo.
Trouxe: depois que o fogo à casa etérea
Se furtou, a magreza e nova tropa
De febre sobreveio à terra, e o fado
vagaroso da morte.
Dantes remota, apressurou o passo
Tentou com penas ao mortal não dadas,
Dédalo o ar vazio: o Aqueronte
rompeu trabalho hercúleo.
Nada aos mortais é árduo: cometemos
Loucos o mesmo Céu; e não deixamos
Com os nossos crimes, que deponha Jove
Os iracundos raios.

[HORÁCIO. Obras completas. São Paulo, Cultura, 1941. p. 24-25.]

Sim, diz o poeta, nada é árduo demais para tentarmos. Cometemos mesmo o céu. Fomos à lua e estamos indo a Marte. Assim vem o fado da morte. O poeta pede pelo amigo, posto ao mar. Como os irmãos de Helena. Que a nau de Vergilio seja guiada pela deusa poderosa, pelos astros e pelo rei dos ventos.
O amigo, metade da alma. Quem foi o que ousou primeiro enfrentar o mar?
Como amainar as ondas? enfrentar a ira dos ventos. Já o deus retalhou a terra com os oceanos, que a raça humana ousa atravessar. O poema é todo de mitologia feito.

O inicio da Ode III de Horacio assim traduzimos e nos diz:

Para a nave que leva Virgilio


Nave, que leva Virgilio, você leva
A metade de minha alma.
Por isso peço à amorosa deusa
de Chipre e ao pai dos ventos
que o restituam a salvo
para as areias Áticas
Como fizeram aos irmãos da bela Helena,
brilhantes astros.


Camões parodiou esses versos n´Os lusídas:

Canto IV
— "Ó maldito o primeiro que no mundo
Nas ondas velas pôs em seco lenho,
Dino da eterna pena do profundo,
Se é justa a justa lei, que sigo e tenho!
Nunca juízo algum alto e profundo,
Nem cítara sonora, ou vivo engenho,
Te dê por isso fama nem memória,
Mas contigo se acabe o nome e glória.


"Não cometera o moço miserando
O carro alto do pai, nem o ar vazio
O grande Arquiteto co'o filho, dando
Um, nome ao mar, e o outro, fama ao rio.
Nenhum cometimento alto e nefando,
Por fogo, ferro, água, calma e frio,
Deixa intentado a humana geração.
Mísera sorte, estranha condição!" —

06-03-2010 08:37:00

Faz frio


FAZ FRIO

Rogel Samuel

Faz frio, no Rio. Muito estranho, quando faz frio, no Rio de Janeiro. Se me perguntam qual o pior problema da cidade, digo: é o calor. Não a violência. Com a violência você acaba acostumando-se. Aprende a andar na corda bamba, a desconfiar. Sabe por onde pode, e não pode andar. Mas fico imaginando se houver falta de luz, durante o verão. No meu mini-escritório, desde cedo ligo o ar-condicionado. O computador passa o dia todo ligado. Sem energia, fecho tudo, vou-me embora. Mudo-me para Poços de Caldas. Para Manaus, não. Manaus é uma das cidades mais quentes do mundo. Mas sinto-me bem, em Manaus. Minha saúde melhora. Tenho grandes amigos, lá. Manaus me lembra Luiz Ruas, o grande poeta. Autor de Aparição do clown. Ruas faleceu há anos. Ninguém falou dele. Nem em Manaus, creio. Quase ninguém o conhece. Quase ninguém o lê. Seu livro permaneceu décadas desconhecido. Você, querido/a leitor/a, felizmente o pode ler no nosso blog. Vale. Vale a pena. Salve no seu micro, essa obra prima. Conte pra todo mundo que, no meio da Floresta Amazônica, viveu e escreveu um dos maiores poetas do século.

O poema começa com uma "descoberta":
foi no tempo do luar pois não existe sol
no velho parque — tempo não maduro —
que encontrei o sempiterno clown.
queria ver-lhe a face. e sua face
era imenso lago azul parado
onde a lua se repetia. lua.
queria ver seu corpo — um chafariz
era seu corpo de barro modelado
aljofrando de estrelas e de pérolas
o céu e o chão banhados em azul.
apenas vi e velho clown beijando
uma boneca. e beijando-a chorava.
e ria ao mesmo tempo que
o destino dos palhaços é fundir
à luz da lua o alegre riso e o triste pranto.

E termina com uma "despedida":

e o velho clown partiu beijando ainda
o brinquedo que a criança abandonara
no velho palco parque ou tempo sem memória.

Começa e termina num "velho parque", onde se encontra um "velho clown". Era no tempo do luar, quando ainda existia luar. A face do clown era uma máscara, ou melhor, era imenso lago azul parado. A lua refletida no lago o próprio lago. Onde a lua se refletia, "se repetia". Desde o início do livro há um palhaço, uma boneca, e uma tragédia, que não se revela facilmente. O livro é enigmático, povoado de labirintos de sentidos. O tema se dispersa em várias armadilhas. Dir-se-ia que o autor, Luiz Ruas, que na vida real era padre, tenta esconder suas emoções amorosas a cada passo, a cada frase. Olha-me, sou enigma, diz, a cada verso, aquele "palhaço", que ama uma boneca sem vida. Há mesmo uma presença sexualizada em cada metáfora, como se a máscara escondesse o desejo e seu objeto. É um dos livros mais profundos que já se escreveu, em língua portuguesa.

Nada mais vou dizer, sobre o livro. Estou agora lendo suas críticas, antológicas, no livro do Roberto Mendonça.

Além disso, há outra minha leitura, para quem quiser.

Faz frio, no Rio. O céu está escuro e triste. E eu me lembro, não sei por que, de L. Ruas, do calor de Manaus, do sol aberto da Amazônia, das suas noite de luar. O poeta Luiz Ruas arrastou seu sofrimento para o túmulo,

sem ver o sol, apenas o luar
e a luz indecisa das estrelas
recriam esta mascara e fonte
do riso e da tristeza que oculta
o meu rosto e corpo verdadeiros.
e assim caminharei eternamente
peregrino sempre sempre marinheiro
carregando meu fado torturante
- semente feto messe em promissão —
de ser ave sem poder voar
de ser clown isto é ser e não ser.
 

04-03-2010 10:04:00

Barbirolli

 

Barbirolli

 















BRAHMS, O CALOR, A PRAÇA

Rogel Samuel


Enquanto a Internet abre o seu computador e faz o
daw-load da minha crônica de sábado e, neste dia de
calor,eu me recuso a voltar ao Rio. Vou-me deixando
ficar por aqui, nesta cidade ondese está quase bem. Os
dias são claros, as noites suportáveis. Nem ventilador
há no quarto do hotel,mas se dorme bem. De madrugada,
os canais apresentam mensagens evangélicas, e a Globo
filmes de horror. Mas tenho quatro livros para ler. O
silêncio. Os carros ao longe. Logo será dia. Eu
andarei pelo grande jardim. Ali lerei os jornais. A
praço é o lugar ideal para ouvir o cd-player. A praça
areja o seu perfume de madeira. Não. Não volto logo.
Deixo-me ficar. Os ruídos longuínquos. Estamos no
verão. Alta-estação em Poços. Mas sou um turista
ocupado. Escrevo, leio, trabalho. Medito. Nunca perdi
a sensação de perda de tempo. Escrevo esta crônica
para me garantir a mim mesmo que produzo, ainda.
Estamos na praça. Meus deus! faz 31 graus por aqui. No
Rio deve estar pior. As águas do chafariz refrescam a
visão, escorrem os dias, o tempo. O vento é bom. Meus
olhos se enchem do verde-musgo. Meus ouvidos se
inundam da segunda sinfonia de Brahms. Klemperer rege.
A felicidade é assim, uma praça de estação de águas
coberta de velhas árvores. Um velho passa vende
sorvete. As águas escorrem abundantes da sinfonia de
Brahms. Todas as árvores se emudecem, diante da
sinfonia que só eu ouço mas que domina a imensidão do
espaço. Seu mover-se me leva à década de 60,
Maracanazinho. Barbirolli regia a Sinfônica de
Londres. Era a mesma sinfonia, mas com a leitura dele.
Foi o mais impressionante concerto a que assisti em
minha vida. Baixinho, tenso, nervos. Barbirolli
parecia bem velho. Gritou contra um fotógrafo: "No
photo!", interrompendo. No anfiteatro eu estava na sua
frente, por trás da orquestra, observava sua regência.
Ele morreu pouco depois. Que coisa á a morte? Não, eu
me recuso a voltar para o Rio. Prefiro falar da morte.
25-02-2010 18:48:00

Saiu a 5a edição

Saiu a 5a edição

 










Saiu a 5a edição do nosso "Novo manual de teoria literária", Editora Vozes.

O texto é o mesmo do da 4a edição, revista e ampliada. Esperamos que este manual continue a servir a todos que à literatura se dedicam.

8532626726
NOVO MANUAL DE TEORIA LITERÁRIA - edição revisada e ampliada


Editora: Vozes
Rogel Samuel

232 páginas
Formato (largura x altura): 13.7 x 21.0 cm cm
Peso: 196 gramas
5ª edição (2010)
Assunto: Letras e literatura



Manual básico de Teoria Literária, o qual apresenta os conceitos básicos e as modernas pesquisas feitas sobre os gêneros literários. Estuda também as teoria críticas, a literatura comparada e as teorias "pós-modernas".

SUMÁRIO
Conceitos básicos da teoria literária.
Natureza do fenômeno literário.
O belo. O mito. O trágico. O fantástico.
Gêneros literários.
As teorias críticas
Século Dezenove
A dialética hegeliana
Nietzsche e a crítica dos valores
Século Dezenove no Brasil
Século XX
Formalismo russo
Estilística
New criticism
Estruturalismo
Semiologia
A hermenêutica literária
A crítica de Bachelard
A crítica psicanalítica
A crítica marxista e neo-marxista
Literatura e História.
Literatura comparada.
Best-seller, cinema e TV.
As teorias "pós-modernas".
A Modernidade.
A pós-modernidade.
Teoria da recepção.
Pós-estruturalismo.
Michel Foucault
Desconstrução.
Teoria pós-colonial.
A crítica feminista
A estética da contingência.
Poesia e filosofia da linguagem.
Interpretação e crítica.
Literatura e Internet.
A terceira margem da crítica como exemplo de leitura de texto.
Bibliografia.
23-02-2010 20:05:00

Poema da Amante

POEMA DA AMANTE

 

POEMA DA AMANTE





Adalgisa Nery





Eu te amo
Antes e depois de todos os acontecimentos,
Na profunda imensidade do vazio
E a cada lágrima dos meus pensamentos.
Eu te amo
Em todos os ventos que cantam,
Em todas as sombras que choram,
Na extensão infinita dos tempos
Até a região onde os silêncios moram.
Eu te amo
Em todas as transformações da vida,
Em todos os caminhos do medo,
Na angústia da vontade perdida
E na dor que se veste em segredo.
Eu te amo
Em tudo que está presente,
No olhar dos astros que te alcançam
E em tudo que ainda está ausente.
Eu te amo
Desde a criação das águas,
Desde a idéia do fogo
E antes do primeiro riso e da primeira mágoa.
Eu te amo perdidamente
Desde a grande nebulosa
Até depois que o universo cair sobre mim
Suavemente.


(Mundos oscilantes. José Olympio, 1962, RJ )


Gosto deste poema porque ele ama o vazio, a intensidade do vazio, nos ventos, sombras e tempos, nas voltas dos medos, nas tristeza e nos caminhos dos astros, desde a criação das águas, desde a grande nebulosa até a queda do universo suave.
 

 

LANÇAMENTO EM MANAUS

 








O livro excelente. Estou lendo-o. Não perca.
 
19-02-2010 13:13:00

Aderson Dutra

Aderson Dutra

 






Aderson Dutra


Rogel Samuel



Eu me lembro de Aderson Dutra jovem, na varanda de nossa ex-casa, na Av Getulio Vargas, nos dias de aniversário. Rindo, como sempre contando fatos, não tinha pose de Procurador Geral de Justiça, ou de Reitor, mas de amigo. Foi lá que deu emprego a um jovem químico, assim:

- Que você está estudando, perguntou ele ao rapaz.
- Estou-me formando em engenharia química este ano, respondeu;
- Estamos precisando de químicos lá na CEM.

E o rapaz estava empregado.

Certa vez fui visitá-lo e ele me presenteou com o grande livro de Samuel Benchimol "Amazônia", que tenho até hoje.

Ele era assim. Generoso. Ele e Norma, sua esposa, instituíram uma cesta básica para minha avó, que sempre passou necessidades, e todo mês o chofer ia levar os mantimentos para ela.

Ele vivia para os outros.

Gostava de política e era um democrata. Sabendo da minha paixão pelo PT, sempre que me via perguntava, rindo:

- Como vai a Erundina? - então prefeita de São Paulo.

Ele era assim.

18-02-2010 20:21:00

Bilac Pinto

Bilac Pinto

 

Creio que foi Olavo Bilac Pinto (Santa Rita do Sapucaí, 8 de fevereiro de 1908 — Brasília, 18 de abril de 1985) quem participou da banca de catedrático de Aderson Dutra.

Era um grande advogado, jurista e político brasileiro, que foi presidente da Câmara dos Deputados do Brasil em 1965 e embaixador do Brasil na França de 1966 a 1970.

Ministro do Supremo Tribunal Federal até 1978.

Outros membros da banca devem ter sido Enoch Reis e Áderson de Meneses.

Aderson de Meneses foi professor titular das Universidades do Amazonas e de Brasília.

Aderson de Meneses é o famoso autor da "Teoria geral do estado", manual usado até hoje nas Faculdades de Direito no Brasil.


Aderson Dutra foi o orador que representou a Ordem dos Advogados na homenagem a Waldemar Pedrosa, discurso publicado no Jornal do Comercio de 18.11.1955.
17-02-2010 18:10:00

Falece Áderson Dutra

Falece Áderson Dutra

 









Falece Áderson Dutra (27/01/1922 – 17/02/2010)

Rogel Samuel


Leio agora no Blog O FINGIDOR, de Zemaria Pinto: "Faleceu nesta manhã o acadêmico Áderson Pereira Dutra (27/01/1922 – 17/02/2010), natural de Parintins, deixando vaga a cadeira 24 da Academia Amazonense de Letras, que tem por patrono Joaquim Nabuco, a qual ocupava desde 1983.

Áderson Dutra, formado em Direito pela Universidade Federal do Amazonas, foi professor catedrático de Direito Administrativo e, entre 1970 e 1977, reitor da UFAM.

Dutra, que foi também secretário de Justiça do Amazonas, deixou vários títulos na área que era sua especialidade".


Dutra era casado com a prima de minha mãe, Norma Dutra, já falecida. Era um bom amigo. Quando Diretor da Companhia de Eletricidade de Manaus vinha muitas vezes ao Rio, onde eu, na época estudante, o encontrava.

Homem de grande cultura, tinha uma extraordinária biblioteca na sua casa, na rua 10 de julho, onde todos os fins de ano passávamos o reveillon.

Sempre de muito bom humor, gostava de fazer umas reflexões jocosas sobre as coisas mais sérias.

Era juiz e professor catedrático de direito administrativo da Faculdade de Direito do Amazonas, naqueles tempos em que aquela Faculdade, fundada em 1909, tinha os grandes catedráticos: Aderson Meneses, Plinio Coelho, Samuel Benchimol, Henoch Reis (Ministro do STJ), Jauary de Sousa Marinho, e outros.

Famoso foi o seu concurso para catedrático, em cuja banca estavam os maiores nomes da ciência jurídica do seu tempo. Foi Secretário de Estado do Amazonas.

Não será esquecido.
16-02-2010 14:19:00

Fantasias do carnaval carioca

Carnaval carioca

 








Fantasias do carnaval carioca


Rogel samuel





Clovis Bornay foi importantíssimo no carnaval carioca. Ele inventou o Baile de Gala do Municipal, os destaques das escolas de samba. Ele introduziu o luxo no carnaval. Foi um visionário que deu certo. Morava modestamente na rua Prado Junior. Eu morava na época na Av. N. S. Copacabana (creio que número 99), na década de 60, perto dele. E o via sempre, na praia, no fim do dia. Ele parecia um ser oriental, estranho, parecia um príncipe turco. Tinha classe, um misto de arrogância, nobreza e classe. Não era afeminado, mas sofisticado. Dizem que era pobre, vivia do salário de museólogo. Era símbolo de uma época de grandeza.

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