45Graus
Dias Normais
Dias Normais
05-08-2010 11:37:00

Leia 'Toni não é vampiro' de José Augusto Sampaio

Toni não é vampiro
 
Tirei uma pulga “saúva” do meu cachorro.
Uma pulga puta nojenta.
 
Com o isqueiro na mão e a pulga no chão
Gorda, letárgica de satisfação, avermelhada
Podre, chupadora de sangue
Acendo o fogo e a queimo.
 
Queimei. Queimei a chula.
Meu cachorro sentindo o cheiro de queimado
Começou a se agitar, ele gritava silenciosamente
Pronto para explodir de tesão
E paixão por aquele exalar.
Ele, inexato em seu instinto animal
Ficou pronto para comer a pulguinha
Pretinha e queimadinha. Suculenta.
Morta de forma truculenta?
 
Daqui de onde estou, não ouvi, mas imaginei os gritos dessa vampira.
Gritos de horror, de muita, enorme dor. Fiquei extasiado de prazer.
Já a pulga encheu seu coração de sofrimento e ódio. De arrependimento?
Nunca! Ela pensou antes de se encolhida pelo calor e a força exuberante e bela do fogo.
 
Depois de 15 segundos usando minha aptidão
Queimando a pulga filha
Da puta  
Que gerou um odor mexendo com a ansiedade do meu
Cão
A pulga que já havia sido encolhida
Carbonizada
Desta vez explodiu no azulejo
Velho e sujo da sala daqui de
Casa.
 
Gotículas de sangue, como fogos de artifícios
Psicodélicos
Oníricos
Espalharam-se ao redor da carnificina.
Antes que eu limpasse, Toni, meu cachorro curioso
Cheiroso, enérgico
Foi e cheirou a pulga desmembrada.
Desistiu de comer. Toni não é vampiro.
Nada valeu a pulga, pelo seu martírio.
 
////
 
Por José Augusto Sampaio
 
Conheça meu outro blog:
 
joseaugustosampaio.blogspot.com
 
  
  
14-07-2010 23:03:00

Leia um conto de José Augusto Sampaio em homenagem ao dia do Rock and Roll

Um conto em homenagem ao dia do Rock. Abaixo dele, uma música do Titãs. Tem muito haver com o Rock de hoje em dia.
 
Sonhos enlatados
 
Quando já eram nove horas, a platéia ainda era vaga e desanimada com as atrações da noite dos shows beneficentes. Chico, cantor e compositor independente, ainda iria tocar. Ao lado de sua esposa grávida, sua sogra e sua mãe, ele esperava sentado na mesa do bar. Para ele, oportunidades assim de mostrar suas composições e arte, eram quase inexistentes.
Neste momento da noite, com seu violão dentro da velha capa de couro que ele conservava desde adolescência, sapato bico fino, calça jeans dobrada na ponta e camisa quadriculada de botões, como os meninos cult usam hoje em dia, e ainda com geo em seu cabelo e uma vastidão de sonhos conservados como uma sardinha se conserva enlatada, Chico é chamado pelo apresentador. Calorosas palmas são ouvidas no salão quase que vazio e assobios e gritos de emoção “vai Chico cantar pra mim”, era a sua esposa em coro com a sua mãe. A sua sogra mostrava emoção também, mas mais pelo amor à filha.
Luzes ambientadas, som, apesar de alguns ruídos, palco livre, microfone sem microfonia, no peito aquele velho e bom bater adiantado e pesado do coração, e na platéia as três, sua esposa, mãe e sogra, juntas à sua espera. Tudo pronto, e Chico embala o verso: quando o amor bateu em minha janela eu criei asas e voei, te transformei em minha borboleta, eu te amei...
As pessoas não prestavam tanta atenção, uns falavam de futebol, outros usavam loló no canto do salão, outros falam no seu i-phone com alguém do outro lado da cidade através de uma tela (modernidade), já outros não perceberam que havia alguém cantando ali em cima. Mas Chico, composto de felicidade, cantava para sua esposa, sua mãe e sua sogra, que vibravam e dançavam sem precisar de nenhum aval para trocarem afetos, paixões, admirações e amor, naquele momento mágico.   
 
POR José Augusto Sampaio
 
Música do Titãs:
 
Nome aos bois

Garrastazu
Stalin
Erasmo Dias
Franco
Lindomar Castilho
Nixon
Delfim
Ronaldo Bôscoli
Baby Doc
Papa Doc
Mengele
Doca Street
Rockfeller
Afanásio
Dulcídio Wanderley Bosquila
Pinochet
Gil Gomes
Reverendo Moon
Jim Jones
General Custer
Flávio Cavalcante
Adolf Hitler
Borba Gato
Newton Cruz
Sérgio Dourado
Idi Amin
Plínio Correia de Oliveira
Plínio Salgado
Mussolini
Truman
Khomeini
Reagan
Chapman
Fleury

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O Rock , hoje  em dia, é muito menos música e muito mais atitude. Muito mais caráter.
 
CONHEÇAM meu outro blog:
 
Até breve...
 
24-06-2010 00:32:00

Leia 'Médicos não pegam dermatite de contato' de José Augusto Sampaio

Médicos não pegam dermatite de contato
 
Depois de uma semana de faxina, a coceira apareceu. E era uma coceira nas mãos. Ele coçava tanto que em alguns momentos a mão ficava quase em carne viva. Sangrava. Sangra às vezes sim, mas é uma delícia. Ele com tesão e trazendo uma certo conformismo em sua vida conta a sua esposa sobre o sangue, que reprova a loucura do marido. Mas convenhamos: loucura para ela, prazer para ele. 
Lavando a louça com a esponja, ele a esfrega na sua mão com força. Com detergente, e muito ensaboado, fica mais gostosa essa coceira. Arde. Ele reflete saboreando o deleite da coceira. Quando esse tesão ia perdendo a graça, ele trocava a esponja por uma palha de aço e um novo orgasmo de coceira acontecia. Ele dobrava os olhos e até gemia, uivava. Uma vez sua esposa, chegando à cozinha e vendo o seu marido de costas nesta cena, gritou apavorada “você está se masturbando na pia?!”. Assustado, vira-se, mas sem parar de esfregar a palha de aço em suas mãos, ele mostra a ela o que está fazendo. Com os olhos, eles comunicam-se: eu casei com esse tarado louco! Ela está virando uma chata velha.
Outro dia, ele estava lavando uns panos de chão em sua lavanderia e, no esfregar dos panos, a coceira tomava uma proporção de prazer inimaginável, trazendo respostas que a vida pede. E nesse enrolar de panos, ele lavou todos os panos de chão sujos da casa. Os limpos também. Chegava a ficar ereto com a sensação da coceira. Quando neste estado, fitava os olhos rapidamente pela casa para ver se sua mulher não estava o vigiando. Ela tem andando muito estressada ultimamente. É capaz de se separar de mim se me vê alterado por um pano de chão e uma coceira louca nas mãos. Ele reflete.
Já fazia duas semanas que ele estava se deliciando em momentos únicos do dia com a sua coceira. E fazia também duas semanas que ele não conseguia nem encostar o dedo em sua amada esposa. Ela, falando enlouquecida, reclamava: você está parecendo um leproso com essas mãos. Parece um louco se coçando com tudo que é objeto por aí. Você pensa que eu não vejo? Já vi você se coçando até sangrar e depois eu vi também você lambendo o sangue. Eu acho que casei com um louco, sadomasoquista. E mais, você ainda deixou essas unhas crescerem para poder ficar por aí se coçando. Olha pra o estado delas: pretas de lodo, sangue e loucura. Ele, calado, pleno, sem parar o traquejo das mãos, sorri rapidamente. Ela dá o ultimato: essa coceira idiota ou eu? Ele queria os dois, mas.
 
No médico, ele fala quando começou a coceira: eu fiz uma limpeza no banheiro e usei o produto (sem propaganda neste conto). Com isso, deu uma pequena alergia. Aí começou a coceira. O médico, muito sábio (eles são os seres mais sábios do mundo), diz: é dermatite de contato. Está na hora de você e sua esposa arranjarem uma secretária do lar para evitar contato com esses produtos. Ele, coçando as mãos com uma certa violência comedida, retruca com ironia e sem medo: Doutor, você acha que quem faz a faxina em casa e tem esse seguro de saúde que me faz esperar quase um dia inteiro pode pagar uma empregada? O médico sorri, desconversa e fala sobre o remédio que promete uma melhora em dois dias. Ele sai da sala com suas unhas negras de pele e lodo. O doutor ri sozinho e sai para dar uma pausa de 30 minutos pra tomar um cafezinho.
 
Dois dias depois ele está sem a coceira, mas com saudades dela. Sua esposa está toda satisfeita, parecendo uma segunda mãe. Mas uma mãe que vai dar um presentinho em breve. Ele termina suas tarefas de casa mais cedo e vai se deitar. Ela também. Praticamente deitaram-se no mesmo momento. Eles assistem à TV juntos. Se beijam um pouco. Se amam mais. Se entram. Paz.
No dia seguinte, ela reclama que seu banheiro está sujo e ele é quem cuida da limpeza dos banheiros na casa. Ele tenta falar sobre a recomendação do seu sábio médico, mas ela não dá ouvidos. Fala mais, mais e mais e quase não ouve. Já mais tarde, ele olha para o banheiro, para o produto que causou a alergia em sua mão, deixa escapulir um riso de canto de boca, abre o produto e o joga todo pelo chão do banheiro. Outra grade parte do produto, ele derrama em suas mãos e assim feito: casa limpa, vida feliz.   

 

 

Ass: José Augusto Sampaio

 

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17-06-2010 10:54:00

Primeira Oração do Ano por José Augusto Sampaio

Primeira Oração do Ano
 
Pessoas viajam nos feriados e a cidade fica vazia.
Não sobra ninguém para unirmos as bocas, urinarmos em banheiros alheios
Nas arvores da rua, como na minha infância
E falar mal dos outros.
Ninguém para te ri e mentir?
Onde foram os narizes companheiros? Os cultos putos truques nazistas nostálgicos?
Não sobra quem compartilhe o vinho, como Jesus sabiamente fez.
Ninguém.
A vodca preenche um vácuo criando outro vácuo.
Minha garganta esquenta solitária.
O esmalte de meus dentes escurecem mais, mesmo que timidamente.
O sopapo passa pelo ar no espaço, no universo que habito. Não atinge ninguém.
Nada.
Eles partem na luz da velocidade.
Levem-me.
Levem-nos?
A nós. Neste momento não iria a lugar algum sem minha nega e meu preto.
Artefatos que me dão vida e são julgados como coisas do diabo quando ‘artefatos’.
 
Aqui, onde fico, subjetivasse cidade. A cidade e suas ruas com ventos de sobra.
Vagas as sombras. Tristes. Também os bancos nas praças
E as poucas pessoas que têm coragem para fazer um Cooper nesse feriado.
Feriado vago.
Vaga, uma das pessoas que ficou, obra um sorriso com a cara amarela.
Tal pessoa faz Cooper, corre. Quer forma. Uma emoção ímpar em sua vida.
Um milagre de Deus.
Outros correm passam e correm também. A forma é correr sozinho pela orla arborizada
E verde da cidade verde?
Aqui, quando feriado, fica mais claro-sol do que verde. Do que amarelo. Do que esmalte.
O amarelo das peles humanas e de férias, vagam em lembranças antagônicas com o que sinto.
Mas as minhas peles amarelas e negras, ao menos sinto Saudade.
 
Aqui fica. Dentro. Fico. Uma sombra especial formasse para mim.
Ó Pai, Mãe, Obrigado. Deus, Deusa. Assexuado. Estou agradecido por essa brisa.
Esse alento.
Acredite. Acredito. És sábio. Entende minhas palavras. Aqui se escreve, daqui se vai.
Agora compreendo meu verdadeiro clamor dogmático.
Minha promessa é minha oração.
Minha promessa com peito aberto, te escrevo para te orar.
Te obrar em minha vida.
Oro para Ti de peito escancarado despejando todos meus carmas no papel aberto 
Mesmo que sem conseguir um verso que preste, que arranhe
E que valia a pena o suor em meu corpo
E na ponta de meus dedos e cílios.
 
Ó Deus! Quero conseguir um verso que rasgue e no mínimo incomode. Quero um emprego.
Quero uma frase que me ampare. Uma palavra que não dói.
Eu garanto, minha palavra não dói aos que carregam chicotes.
As vogais não foram feitas apenas para cantar e agradar.
 
Pai. Mãe. Estou em casa, pássaros e vinhos cantam.
As pessoas que ficaram nesse feriado. Na minha rua são muitas.
Por aqui riem, agradecendo ao domingo, a tarde, a fome (sinal de vida)
E o poder de ainda querer rir.
Estou em casa. A sombra que me basta.
Acendo a luz. Grito pela janela, ao Senhor, Senhora, Senhorio, Tio:
Que meu rosto fique bem grifado em sua íris e que meus olhos fiquem acastanhados
Vertentes.
 
Afinal, homens não são cães e nem cachorros. São homens. Eles são grandes homens esses Homens. Obeliscos. Estatuas. Celebres. Celebridades. Diferenciais. Centros. Estantes. Viajantes. Artistas. Estrelas. Pelejos. Sapatos. Espaços. Espaçosos. Gorduras. Cabelos. Cargos. Reis. Cantos. Notas musicais. Picas. Escrotos mal lavados. Pedaços e criações divinas que não valem mais que o meu cachorro Toni. O preto que toma conta da sombra daqui de casa.
 
Graças a Deus. Nosso Pai. Nossa Mãe. Nosso. Amém.
 
 
///////
 
ASS: José Augusto Sampaio
 
01-06-2010 17:06:00

'As almas brandas do rebanho' por José Augusto Sampaio

As almas brandas do rebanho
 
_Tchau, meu amor.
Aline se despede de Feitosa, seu marido, que acha que desligou o celular, mas botou no modo de viva voz e o jogou no porta objeto do seu carro. Antes que Aline desligasse o celular, ela ouve uma voz feminina que vem de dentro do carro, falando com seu marido.
_Você é casado há quanto tempo, Feitosa? – Aline ouve a voz chiada e fica calada no outro lado da linha.
_Sou casado há 25 anos.
_Por isso que você me procurou?
_Também. E também porque a via todos os dias no caminho de volta para casa do meu trabalho. Hoje não resistir e resolvi parar o carro pra te conferir de perto.
_Se preocupe não amore, farei tudo mais gostoso que sua esposa. – Aline ouve calada no outro lado da linha, com o coração já mais acelerado e com mil perguntas em sua cabeça.
Depois de 5 minutos de conversas, risos e de acordo com a imaginação de Aline, caricias também, Feitosa para o carro e convida a mulher para sair.
_Aqui é muito longe da cidade, ta escuro e só tem mato, você não prefere ir há um motel? – pergunta a acompanhante de Feitosa.
_Não. Aqui mesmo.
Aline houve uma porta de carro se abrindo e fechando. E a outra porta apenas se abrindo. Ela já do outro lado da linha chorando, mesmo que calada, não desliga o telefone e fica tentando ouvir algo a mais. Quase que como sussurros, pelo jeito seu marido e a acompanhante estavam distantes do carro, Aline ouve frases distintas: Ai, ai. Você é doido. Assim não, esta me machucando. Tá doendo muito, seu tarado. Para, para... Já sem aguentar tal tortura e com dores maiores em seu coração quando ouvia aquela risada característica, alta e robusta de seu marido de felicidade e prazer, Aline desliga o telefone e sai chorando para casa, sem nem ao menos terminar as compras que estava fazendo.
 
À noite, as 21:30h, como era de costume, Feitosa chega em casa. Aline reage de forma natural, sempre preocupada com a imagem que seus vizinhos tinham deles, pois eram um casal modelo, com os filhos crescidos, bem sucedidos e exemplos na igreja do bairro. Guarda os sapatos e as roupas de seu marido no devido lugar. Já com a janta pronta, a esquenta e deixa que ele coma só.
_Não vai jantar comigo hoje, Line? – Feitosa pergunta, pois a sua esposa sempre jantava com ele.
_Estou um pouco enjoada hoje, já vou me deitar.
Feitosa acha estranho, mas degusta de sua comida sem dá muita importância. Antes de ir se deitar, ele vai ao seu oratório agradecer ao seu bom Deus pelo dia, depois toma seu banho e deita-se ao lado de sua esposa. Os dois assistem calados a TV. Quando mais tarde. Feitosa a desliga. Depois de 30 minutos, Aline desaba em choro. Você está sentindo dores? Feitosa pergunta assustado. Agitada e em prantos, Aline diz uma frase sem parar, mas falando bem baixinho: Não acredito que você fez isso comigo. Não acredito que você fez isso comigo. Não acredito que você fez isso comigo. Feitosa, muito preocupado pede que ela se acalme em nome de Deus e pede explicações. Ela fala tudo que ouviu e diz que sabe que ele estava a traindo com um puta e que ele tinha cedido a babilônia. Mas porque isso, depois de 25 anos de tanto amor entre nós? Com uma técnica apurada que todo bom pastor e homem de bem e risos tem, ele a acalma e começa explicar:
_Minha Aline. Olhe em meus olhos. Você acha que eu me sujaria e te desrespeitaria dessa forma?
_Mas eu ouvi...
_Olhe! – com seus olhos fixos nos dela e segurando seus punhos, ele continua – Eu sou um homem de Deus. Honesto. Suei muito para cuidar da minha família. Dou duro todos os dias no trabalho e todos os sábados e domingos me dedico as ovelhas de nosso senhor Deus, você acha que eu faria isso com você? Me ouça. – ele larga os punhos dela, mas continua olhando em seus olhos e bem de perto – Toda noite, quando volto pela Av. Centenário, no posto 4 tem um grupo de mulheres, meretrizes que se insinuam para mim. Aliás, não só para mim, mas para todos os homens de bem, pais de família, homens de paz que passam por ali. Todas as noites sinto nojo, revolta, entojo, vergonha, ódio dessa situação. Acredite. Minha vitória em Deus e na vida é superar esses traumas carnais, Faz alguns dias que ando orando ao nosso grande Senhor e o perguntando por que temos que aceitar isso. Porque temos que conviver com essa parte da babilônia em nossas vidas. E foi em uma das minhas orações que meu Deus me respondeu e me mostrou o caminho. Eu como sua boa ovelha e máquina terrestre do nosso grande Pai, fiz o que ele me sugeriu em sonhos e também em meus pensamentos.
_Ele te sugeriu experimentar a rapariga? - Aline ainda descrente das palavras do seu marido, o pergunta.
_Não. Não. Não. Você não vê? Eu a matei! – ele afirma com os olhos bem abertos e boca sedenta em sua verdade – A fiz sofrer e pagar todos os seus pecados. O peso da mão de Deus veio até a palma de minha mão e eu fiz a justiça divina. E ela é só a primeira. Deus depositará em mim em sua eterna vitoria e glória muito mais forças para destruir todas essas piranhas de satanás por aí. Os gritos e risos que você ouviu foram a voz e o riso de Deus saindo pela minha boca e o satanás encarnado naquela alma suja, se despedindo de mais um corpo em que ele possuiu só para nos iludir. Acredite meu amor. Eu fiz e fiz bem feito. Você deveria ter ficado com o celular ligado e assim você ouviria o som da pá cavando a cova rasa para aquela devota de satã.
_É sério, meu amor? Deus te escolheu para ser o servo contra a maldade dos homens no mundo? – já com a face mais branda, Aline pergunta, já com olhos de crença em seu marido. Ele confirma com a face de herói de Deus e diz:
_Meu amor, não era nem pra eu ter te contato isto. Em minhas orações dei minha palavra de que seria o cavaleiro Dele, mas sempre em segredo. Mas assim seja, eu sei que Deus me perdoará, afinal você é minha amada esposa e mais, amanhã tem culto as 6 da manhã, vamos dormir para descansar. Pois depois desta benção de hoje, amanhã tenho que cumprir com meu dever com Ele e trazer mais paz as almas brandas do nosso rebanho.
Aline e Feitosa dormiram abraçados. Ele com seu coração afetuoso, certo de que fez a coisa certa e está do lado certo da guerra entre o céu e o inferno travada aqui na terra. Ela certa de que dormia com um guerreiro de Deus e salvador dos dias atuais.
 
 
ASS: José Augusto Sampaio     
01-06-2010 01:02:00

Leia um poema de José Augusto Sampaio

Bar
 
Não serei político. Não sou.
Não conheço muitas pessoas.
O garçom não me conhece e não dispensa os 10%.
O dono do bar não me cumprimenta. E se lixa se não tem minha bebida preferida.
Ele não sabe ganhar dinheiro. Ele não sabe ganhar dinheiro em cima de mim.
Ele é puta de outro sistema, não precisa de um cliente pária, como eu. Isso não faz diferença.
Não faço diferença para os corpos sentados e vibrantes por aqui.
As mesas vizinhas são mesas ocupadas.
Nelas, os sentimentos não mentem, mas as vestes enganam. Nelas, vozes sem sentido.
Não faço parte da cerveja, nem parte do espaço vago do copo de cerveja.
Essas mãos, essas digitais, esse suor, essa sujeira na ponta do dedo que segura a nota de cinqüenta, essas unhas, esses cheiros e os pêlos descoloridos, loiros, esses risos e peitos abertos a todos, esse espaço, papo, dente, bafo, cigarro, graves e gritos, expulsam-me.
Não me votam. Eu peço: não me votem.
Não sou o político dos boêmios. Não sou o sonho dos que dormem.
No momento escolho uma bebida que não seja cerveja e que caiba em meu bolso e que, principalmente, me embriague.
No momento, se pudesse escolher, escolheria amor e sorriso para mim e para ela, mas longe, fora, além do vago do copo. Além dos flashes e passarela desse bar que inunda minha noite.
Eles nunca me escolheriam como seu político.
Quero uma vodca barata, a mais barata com sal e limão. Digo ao barmen. Quero um sorriso dela. Penso sozinho e desfilando, sem ser notado.     
 
 
ASS: José Augusto Sampaio
14-04-2010 14:12:00

Comentários sobre o caso Isabela

Depoimentos sobre o caso Isabella
 *Qualquer aparência dos personagens com a realidade é mera coincidência.
 
Antonio Maria, 33 anos:
Eu vejo por outro ângulo. A Mãe dela é a maior culpada. Primeiro porque a filha voltava da casa do pai com manchas roxas e marcas de mordidas pelo corpo, e a mãe continuava deixando a filha ir todo final de semana pra casa do pai.
Mas não importa se era o irmão que a mordia. Se fosse minha filha, com um machucadinho só, já não deixava mais ela ir pra casa do pai. E é bom lembrar que a mãe disse em seu depoimento, eu vi na TV, que a sua filha Isabella tinha dito que viu o seu pai jogar no chão o próprio filho, o irmão dela. Sinceramente, a mãe queria é que a menina ficasse por lá todo fim de semana. Queria liberdade. Agora a mãe perdeu uma amiguinha e linda boneca.
 
Cristiana Silas, 17 anos:
Eu vejo que esse pai e a bruxa da madrasta que mataram a pobre Isabella devem ser condenados a morte, mas pelo jeito não vai ter nada disso. No Brasil, tudo e todos que são filhos da puta sempre sobrevivem.
 
Alexandra, 11 anos:
Uma vez Isabella apareceu no meu quarto. Nós brincamos de amarelinha. No outro dia de manhã contei pra minha mãe. Minha mãe ficou nervosa e me bateu. Depois me botou de castigo por uma semana.
 
Vagner, 51 anos:
Daqui a pouco essa menina vira santa, ou pior, a sua mãe vira santa. Sinceramente, fico sentido com tudo isso, mas e as outras crianças que morrem diariamente assassinadas no Brasil? As que são estupradas, as que são torturadas, as que estão com fome neste exato momento, as que estão com dengue... Sinceramente, Deus que me perdoe, mas chega de falar de Isabella, vamos parar de falar. Nossos políticos falam demais, o pessoal da TV só fala, eu estou estupefato com a realidade da humanidade. À vezes acho que o mundo deveria se explodir por conta própria. As baratas merecem mais do que nós.
 
Sergio, 31 anos:
Quem é? Rapaz, não vi nada sobre isso.
Ah, aquela menina que o pai matou. Não matou? Ah, ele é um suspeito junto com a esposa dele, mas ninguém provou? Rapaz, o que acho sobre isso é que eles deveriam ser julgados corretamente e daí fica mais fácil dá uma opinião.
 
Mariana, 21 anos:
Eu não pretendo ter filhos. Sinceramente acho esse negocio de ter filhos uma involução. Pra que botar alguém no mundo? Esse mundo hipócrita e cheio de injustiças? Onde ninguém se olha nos olhos, nem se toca. Onde a grande maioria é um bando de inúteis e desprezíveis. Ter um filho nesse mundo é pedir pra ser podre como as outras pessoas.
Isabella? Sim, ela é mais uma vítima disso tudo.
 
Antonia, 80 anos:
O demônio está na terra e as pessoas gostam disso.
 
Zé Neto - Idade não revelada:
Não é fácil ver uma situação desta no mundo de pais matando os filhos, os filhos matando os pais. Estamos em um mundo onde ninguém se respeita, onde o certo é ser esperto e botar no fundo do outro, você me entende?
Esquecemos o que significa a palavra amor? Só pode! Esse homem que matou essa menina, esse “pai”, essa “madrasta”, eles merecem ir pra o inferno, ou melhor, deveríamos jogá-los de um prédio também. Se eles sobrevivessem, a gente jogava de novo e fazendo o maior terror psicológico. Deveria existir um inferno só para eles. E olhe que fui criado por madrasta e ela foi a minha segunda mãe.
 
Vida, 26 anos:
Eu sou mãe. E se perdesse minha filha eu ia perder parte de minha vida. Ainda mais desta forma. Me incomoda muita essa mãe da menina, ela parece que perdeu uma irmã, não a filha. De repente quem criava mesmo a menina eram os avôs. Ou será que ninguém amava realmente essa menina? Não, não, não. Acho que os avôs, pelo menos os maternos e pelo o que vi na TV, a avó paterna, amava realmente esta menina.
 
José Couto, 24 anos:
 O Brasil deveria ter essa indignação todos os dias no peito. Mas como? Eles só querem nos ver como bodes e votos. Eles quem? Eles ninguém. Eles quem você achar quem seja. Eles que fodem sua vida. Eles? Você escolhe quem são!
E sobre a menina, fico triste por Isa e feliz por Bela. A vida continua.
 
 
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Ass: José Augusto Sampaio
24-03-2010 23:35:00

Leia mais um texto do poeta, compositor e escritor Marsone Araujo Cunha

Eu sendo muito, pensando tanto, observo o crepúsculo.
È tarde de pós- chuva no interior caxingó, fazendo fumaça na beira da estrada o tempo estar para historias e genealogias. Eu sendo muito, pensando tanto, observo o crepúsculo, a lua crescendo minuciosa e envolvida pelo tempo. Formigas voejam feito borboletas e/ou mariposas em casa de “maribondos de chapéu”, que cruzam por todos os lados e ângulos, denotam liberdade e desespero.
Projeto-me em vista e pensamento, a cada minúsculo tempo ou passo, minha presença natural é pressentida ao extremo, o acesso ao mundo é de primeira grandeza, como as proposições elementares, de beleza e encantos inexplicáveis. Penso agudo: é hora de voltar para casa, saio esfregando folhas de grandeza nas mãos. Antes de descansar o juízo penso, traduzo, penso escrevo, penso, ouço e penso novamente: como porco ronca e fuça! Uma algazarra generalizada no chiqueiro, dos leitões ao varrão, num intenso convívio. Contudo, arisco uma interrogação:
- O que os porcos estão pensando?
- o que?
Percebo-me em uma rede na sala por detrás da porta da frente, o relógio na parede ao lado me adverte do movimento do tempo, com a constante do ponteiro dos segundos, sinto muito, muito mesmo! Acreditem! A existência é dada presente num corpo místico de sensações, excesso de arte inteiro de partes e leve como a boca que se abre e fecha quando se tem sono. Levito a noite inteira na imensidão do silêncio...
Acordo na manha seguinte ainda sondando na retina da lembrança a turva noite timbrística e a saudade do voejar das mariposas. Num ato de me valer da mente pensante e olhar vespertino, utilizo o corpo com destreza, numa espreguiçada longa e suave, me armando para o cotidiano de relações. Levanto assanhado, obliquo e apanhado pelo cato dos pássaros nos arvoredos do terreiro.
-Apesar de ter passado, to presente e empresto meu contexto ao mentor dos significados que aqui importo,
Foram essas palavras que avistei na alforria do dia pela porta da cozinha, e impeli versos ao vento como de lembrete:
-o que avisto não tem limite, meu sangue drena o agudo, te aviso sobre meus gestos, agora perto e bonito.
Assim, monto a aurora numa sensação de estar à beira da loucura e coberto de razão.
“Ao longe um velho arbítrio dá asilo a um moço ventre(loco)”
 
Marsone Araujo Cunha                                                                   cel. 88055738 
especulatividade@hotmail.com                                  www.brumadenotas.blogspot.com
01-02-2010 23:30:00

Leia 'Bons vizinhos bons amigos bons vinhos' de José Augusto Sampaio

Bons vizinhos bons amigos bons vinhos
 
O vizinho do maior extremo.  Tome esse extremo como distância. Imagino que tenha entendido assim, afinal você também deve ser um dos meus vizinhos. Esse vizinho, o mais distante, é o que mais me respeita. Educado, ele sempre cumprimenta:
_Boa noite.
_Para você também.
Um belo dia, quando eu vinha chegando do trabalho, ele convida:
_Vinho?
Como recusar. Amo vinho. Foram 9 dias bebendo, três por conta da casa, seis por conta da visita. A mulher dele é apetitosa, vale a bebida. E mais, ele passou esses nove dias falando mal de todos os cidadãos que ele conhece. A mulher dele, os filhos e até dele mesmo. Mas eu, para ele, sou um marajá. Uma pessoa abençoada. Mereço a vida que tenho. Como se diz aqui no Brasil: sou homem trabalhador. Dizendo ele.
Um outro vizinho, um mais antigo, cabeludo, barbudo, rippie, gosta de dar carona, olha com gosto para minha mulher, conveniente, come a mulher dele, quer outra, outra que acredite nesse ideal falido de rippie. Ele mesmo não acredita. A mulher dele finge que acredita. Não sei qual é a dela, se gosta de gozar na caceta dele ou espera que este rippie assuma a herança da família um dia. A família dele tem herança? Este vizinho adora ir a minha casa. Me mostra suas esculturas, suas marcas, feitos, sonhos, glamour. Ele dança alternativamente bem. A coroa agora está na cabeça dele e seu trono é meu sofá. Ele fuma um cigarro em meu sofá, olha entre as pernas de minha mulher e me pede vinho. Bom filho da puta. Bons vizinhos bons amigos bons vinhos. Mas aqui em casa o vinho é barato! Afirmo. Ele sorri, e como um rippie, aceita de bom grado. Cuidado pra não manchar meu sofá. Penso. Todo bom esse moço. Diz minha mulher à mulher dele. Como ele engana bem. Penso eu. Mas quem engana a si próprio é o maior enganador. Outro vizinho, o mais insuportável, é daqueles que levanta o ouvido esperando um elogio. E afina o queixo se você o critica. Quando você o critica a sós, ele sorri placidamente, quando falo a verdade com uma critica: “uma merda essa letra”, na frente dos outros, ele reage como um intelectual, culto. Mas para mim parece mais um cu soltando gazes. Esse vizinho toca violão. Faz esculturas, tem um carro, come outras vizinhas, na minha frente elogia-me e quer ser elogiado, por trás, fala mal e não quer ver-me pintado. Mas infelizmente moramos na mesma rua e, por obra do destino, nos vemos sempre.  
Vizinhos valem a pena, mas não quando dividimos o muro. Quando não são vizinhos. Mas quando são desses tipos “amigos vizinhos”, são câncer. Se acham donos de sua casa. Donos de seu sofá. Donos de sua esposa e querem dar conta de tudo que faça mal a ela. Os vizinhos amigos são os mais perigosos. A intimidade demais acaba com qualquer relação.
Uma vizinha bate à minha porta. Quer um conselho. Bom, eu dou, ela não me dá. Não serve. Outro vizinho quer montar um grande negócio, não sai da poesia. Mas vale, sou poeta quando há cachaça. Mais vizinhos: o Truta me desconhece, mas me olha toda vez que passo. Não sei se é tesão ou inveja. A M... fala, fala, fala, fala, fala, e eu deixo falar, ela tem um coração bom e belas coxas. O D...desperta-me amor e ódio. Mas, para ele, tanto faz.
 
N’outro dia, a rua acorda de manhã e todos cantam juntos:
Bom dia, meus queridos, amigos e bons vizinhos. Domingo a gente marca um churrasquinho. De tarde nossos filhos vão ao parquinho, enquanto nós dividimos este ar azul e amarelo com a amizade e a felicidade em nossos lares.
 
Já eu, um escroto disfarçado de inocente, ovelha amiga, encosto de vizinho filho da puta, saio na rua de madrugada, mijo no meio da rua. E por três vezes, em lugares estratégicos, mijo na porta de casa de alguns dos vizinhos. No outro dia, ninguém diz nada, nem ao menos sente. Durante uma semana reúno mijo em baldes e garrafas pets, minha esposa se espanta e pergunta para o que é. Ela não gosta da resposta, brigamos feio. Na madrugada, hora dos segredos, jogo os litros de mijos acumulados durante a semana nas janelas, portões e portas alheias “me esforcei para beber muita água”. No outro dia, deu até policia.
Mas quem seriam esses adolescentes marginais?
Depois de um ano, esperando a madrugada certa, juntando merda no quarto dos fundos em frízeres que comprei, saio pela rua espalhando merda pela portas, portões e janelas alheias. E antes de entrar em casa, cago no meio da rua, cago com gosto, pois havia passado dois dias sem cagar. Minha esposa, nesta parte da história, preferiu o sociável ao amável. Ninguém vive de amor.
Bons vizinhos bons amigos bons vinhos. Quem será que anda fodendo a nossa casa de merda e mijo? Perguntam-se. Três anos depois, estava eu com pacotes de merdas e garrafas pets de mijo em frente a uma das casas de um vizinho novo na vizinhança, destes que, quando me via, me amava.
Jogo o primeiro balde de merda. Fez até um desenho bem artístico na parede em questão. Queria estar com a máquina fotográfica para publicar essa foto em meu blog. Chego perto da casa desse novo vizinho para jogar por cima do muro o balde de mijo em seu jardim, quando ouço um barulho e sinto uma dor em meu peito. Fui baleado. Estou frio...
 
No outro dia, todos se surpreenderam. Mas eu estou cagando e andando para vocês.
No velório, alguém faz discurso “...era um homem que sabia compartilhar...”, outro clama em voz amiga e saudosa “...vamos musicar todos os seus poemas...”. E, no velório, todos foram, e fizeram até uma vaquinha para arcar com as despesas. Afinal, eram todos bons vizinhos bons amigos bons vinhos.  

 

ASS: José Augusto Sampaio

17-12-2009 12:31:00

Leia 'É natal' de José Augusto Sampaio

É natal

Dandara achou uma moeda de um real no quarto do patrão, onde ela fazia faxina. Ela sorriu como menina. Guardou-a na calcinha, bem no lado. Quando fazia faxina usava calcinha estilo cuecão.
O cliente, daqueles que quase nunca aparece, pagou um real de moeda a mais. O padeiro, o dono da padaria, patrocinador das massas e guloseimas, percebeu e rio, pensou em seu natal e não devolveu a moeda. O cliente vai para casa porque breve é natal e nunca mais lembrará daquela moeda.
O padeiro pagou Leandro. No meio do pagamento, a moeda de um real que veio a mais na transação com o cliente esquecido. O total foi: R$ 500. Dez horas de trabalho por dia, sem hora extra e sem confraternização. Verdade, nem confraternização pra enganar os funcionários o patrão fazia.
Leandro lembrou do natal do seu filho, de suas duas filhas e de sua mulher. No momento em que lembrou-se de sua mulher, lembrou de uma cerveja. Da sinuca. Lembrou dos amigos que o faziam ri. Gastou a moeda de um real dada pelo seu patrão com um salgadinho pra repartir na mesa. Mas especificamente, um salgadinho de pimenta. O dono do bar chama seu filho e diz:
_Toma filho, seu presente antecipado do natal. É a primeira parte.
Ele, pretinho, de dois anos, pega a moeda de um real e sorri como só a criança sabe. Assim: ...oheihfklncodjbhfojnfkewndiuegdlckndcb... De forma inimaginável sorri.
Ele, pequeno, lindo, pretinho anda pelo bar. Escorrega e deixa a moeda cair. Guilherme, seu irmão mais velho, pega a moeda, vai até o pipoqueiro, que o vende duas pipocas por um real. E vai-se a moeda de um real para o pipoqueiro, que ouvindo Guilherme falar “é Natal meu tio”, vendeu duas pipocas que são R$ 1,60, por um real. O pipoqueiro foi pra casa.
9 da noite, ruas vazias. Passando pelo bairro nobre, andando sozinho, passam três meninos, adolescentes. Eles gritam e querem pipoca. Um diz:
_Meu amigo, minha mãe pode comprar o seu negócio ai. Passa essa pipoca. É natal.
Os meninos todos eram Sandálias. Inclusive o pipoqueiro com àquela sandália remendada. Ele perdeu o um real, o carrinho de pipoca e dois dentes. E mesmo assim foi para casa feliz e vivo. É natal, tenho que pensar no lado bom. O pipoqueiro se indaga.
Felipe, um dos ‘morta-fome’ de pipoca e agressor do pipoqueiro, botou a moeda de um real em seu cofre. Aníbal, o irmão mais novo de Felipe, quebrou o cofre. E com essa moeda de um real, Aníbal comprou um DVD Pirata de uma Ex-Deputada fodendo com um Ex-Galã Global.
O telefone do vendedor de DVD toca, ele reúne alguns dos discos e pega um ônibus. A moeda de um real segue em seu bolso. Já é noite e enfim ele lembra do natal, pois a cidade está cheia de pisca-piscas.
Ele desce. Pega o celular. Dá um toque em outro celular. Recebe a ligação de volta. Ele espera.
Cícero chega e aperta a mão do vendedor de DVD que estava no bolso. Cícero dá um dinheiro a ele e o deseja feliz natal. Cícero volta ao trabalho. 8 horas da noite vai para casa. Ele tira de seu bolso a moeda de um real, que veio grudada com o presente que ele comprou na mão do vendedor ambulante. A moeda cai no chão de sua casa. Ele, com preguiça, não a pega. À noite, sua amiga Feliciana aparece em sua casa, para eles comemorarem o natal. Na manhã de sábado, ele e sua amiga recebem Dandara.
_Dandara, os produtos pra faxina estão na dispensa. Fui. À noite volto.
Ele, Cícero, nunca mais lembraria da moeda. E Dandara, limpando o quarto dele, achou, ao meio de camisinhas usadas, a moeda de um real. É natal. Ela pensou e guardou a moeda em sua calcinha.     


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Depois de algum tempo sem publicar contos, poemas e outros, estou de volta.

Espero que o próximo ano seja de harmonia e amor.

link para o meu blog de poemas (com publicações novas) -- http://joseaugustosampaio.blogspot.com/

Até breve

José Augusto Sampaio
 

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