45Graus
Dias Normais
Dias Normais
01-02-2010 23:30:00

Leia 'Bons vizinhos bons amigos bons vinhos' de José Augusto Sampaio

Bons vizinhos bons amigos bons vinhos
 
O vizinho do maior extremo.  Tome esse extremo como distância. Imagino que tenha entendido assim, afinal você também deve ser um dos meus vizinhos. Esse vizinho, o mais distante, é o que mais me respeita. Educado, ele sempre cumprimenta:
_Boa noite.
_Para você também.
Um belo dia, quando eu vinha chegando do trabalho, ele convida:
_Vinho?
Como recusar. Amo vinho. Foram 9 dias bebendo, três por conta da casa, seis por conta da visita. A mulher dele é apetitosa, vale a bebida. E mais, ele passou esses nove dias falando mal de todos os cidadãos que ele conhece. A mulher dele, os filhos e até dele mesmo. Mas eu, para ele, sou um marajá. Uma pessoa abençoada. Mereço a vida que tenho. Como se diz aqui no Brasil: sou homem trabalhador. Dizendo ele.
Um outro vizinho, um mais antigo, cabeludo, barbudo, rippie, gosta de dar carona, olha com gosto para minha mulher, conveniente, come a mulher dele, quer outra, outra que acredite nesse ideal falido de rippie. Ele mesmo não acredita. A mulher dele finge que acredita. Não sei qual é a dela, se gosta de gozar na caceta dele ou espera que este rippie assuma a herança da família um dia. A família dele tem herança? Este vizinho adora ir a minha casa. Me mostra suas esculturas, suas marcas, feitos, sonhos, glamour. Ele dança alternativamente bem. A coroa agora está na cabeça dele e seu trono é meu sofá. Ele fuma um cigarro em meu sofá, olha entre as pernas de minha mulher e me pede vinho. Bom filho da puta. Bons vizinhos bons amigos bons vinhos. Mas aqui em casa o vinho é barato! Afirmo. Ele sorri, e como um rippie, aceita de bom grado. Cuidado pra não manchar meu sofá. Penso. Todo bom esse moço. Diz minha mulher à mulher dele. Como ele engana bem. Penso eu. Mas quem engana a si próprio é o maior enganador. Outro vizinho, o mais insuportável, é daqueles que levanta o ouvido esperando um elogio. E afina o queixo se você o critica. Quando você o critica a sós, ele sorri placidamente, quando falo a verdade com uma critica: “uma merda essa letra”, na frente dos outros, ele reage como um intelectual, culto. Mas para mim parece mais um cu soltando gazes. Esse vizinho toca violão. Faz esculturas, tem um carro, come outras vizinhas, na minha frente elogia-me e quer ser elogiado, por trás, fala mal e não quer ver-me pintado. Mas infelizmente moramos na mesma rua e, por obra do destino, nos vemos sempre.  
Vizinhos valem a pena, mas não quando dividimos o muro. Quando não são vizinhos. Mas quando são desses tipos “amigos vizinhos”, são câncer. Se acham donos de sua casa. Donos de seu sofá. Donos de sua esposa e querem dar conta de tudo que faça mal a ela. Os vizinhos amigos são os mais perigosos. A intimidade demais acaba com qualquer relação.
Uma vizinha bate à minha porta. Quer um conselho. Bom, eu dou, ela não me dá. Não serve. Outro vizinho quer montar um grande negócio, não sai da poesia. Mas vale, sou poeta quando há cachaça. Mais vizinhos: o Truta me desconhece, mas me olha toda vez que passo. Não sei se é tesão ou inveja. A M... fala, fala, fala, fala, fala, e eu deixo falar, ela tem um coração bom e belas coxas. O D...desperta-me amor e ódio. Mas, para ele, tanto faz.
 
N’outro dia, a rua acorda de manhã e todos cantam juntos:
Bom dia, meus queridos, amigos e bons vizinhos. Domingo a gente marca um churrasquinho. De tarde nossos filhos vão ao parquinho, enquanto nós dividimos este ar azul e amarelo com a amizade e a felicidade em nossos lares.
 
Já eu, um escroto disfarçado de inocente, ovelha amiga, encosto de vizinho filho da puta, saio na rua de madrugada, mijo no meio da rua. E por três vezes, em lugares estratégicos, mijo na porta de casa de alguns dos vizinhos. No outro dia, ninguém diz nada, nem ao menos sente. Durante uma semana reúno mijo em baldes e garrafas pets, minha esposa se espanta e pergunta para o que é. Ela não gosta da resposta, brigamos feio. Na madrugada, hora dos segredos, jogo os litros de mijos acumulados durante a semana nas janelas, portões e portas alheias “me esforcei para beber muita água”. No outro dia, deu até policia.
Mas quem seriam esses adolescentes marginais?
Depois de um ano, esperando a madrugada certa, juntando merda no quarto dos fundos em frízeres que comprei, saio pela rua espalhando merda pela portas, portões e janelas alheias. E antes de entrar em casa, cago no meio da rua, cago com gosto, pois havia passado dois dias sem cagar. Minha esposa, nesta parte da história, preferiu o sociável ao amável. Ninguém vive de amor.
Bons vizinhos bons amigos bons vinhos. Quem será que anda fodendo a nossa casa de merda e mijo? Perguntam-se. Três anos depois, estava eu com pacotes de merdas e garrafas pets de mijo em frente a uma das casas de um vizinho novo na vizinhança, destes que, quando me via, me amava.
Jogo o primeiro balde de merda. Fez até um desenho bem artístico na parede em questão. Queria estar com a máquina fotográfica para publicar essa foto em meu blog. Chego perto da casa desse novo vizinho para jogar por cima do muro o balde de mijo em seu jardim, quando ouço um barulho e sinto uma dor em meu peito. Fui baleado. Estou frio...
 
No outro dia, todos se surpreenderam. Mas eu estou cagando e andando para vocês.
No velório, alguém faz discurso “...era um homem que sabia compartilhar...”, outro clama em voz amiga e saudosa “...vamos musicar todos os seus poemas...”. E, no velório, todos foram, e fizeram até uma vaquinha para arcar com as despesas. Afinal, eram todos bons vizinhos bons amigos bons vinhos.  

 

ASS: José Augusto Sampaio

17-12-2009 12:31:00

Leia 'É natal' de José Augusto Sampaio

É natal

Dandara achou uma moeda de um real no quarto do patrão, onde ela fazia faxina. Ela sorriu como menina. Guardou-a na calcinha, bem no lado. Quando fazia faxina usava calcinha estilo cuecão.
O cliente, daqueles que quase nunca aparece, pagou um real de moeda a mais. O padeiro, o dono da padaria, patrocinador das massas e guloseimas, percebeu e rio, pensou em seu natal e não devolveu a moeda. O cliente vai para casa porque breve é natal e nunca mais lembrará daquela moeda.
O padeiro pagou Leandro. No meio do pagamento, a moeda de um real que veio a mais na transação com o cliente esquecido. O total foi: R$ 500. Dez horas de trabalho por dia, sem hora extra e sem confraternização. Verdade, nem confraternização pra enganar os funcionários o patrão fazia.
Leandro lembrou do natal do seu filho, de suas duas filhas e de sua mulher. No momento em que lembrou-se de sua mulher, lembrou de uma cerveja. Da sinuca. Lembrou dos amigos que o faziam ri. Gastou a moeda de um real dada pelo seu patrão com um salgadinho pra repartir na mesa. Mas especificamente, um salgadinho de pimenta. O dono do bar chama seu filho e diz:
_Toma filho, seu presente antecipado do natal. É a primeira parte.
Ele, pretinho, de dois anos, pega a moeda de um real e sorri como só a criança sabe. Assim: ...oheihfklncodjbhfojnfkewndiuegdlckndcb... De forma inimaginável sorri.
Ele, pequeno, lindo, pretinho anda pelo bar. Escorrega e deixa a moeda cair. Guilherme, seu irmão mais velho, pega a moeda, vai até o pipoqueiro, que o vende duas pipocas por um real. E vai-se a moeda de um real para o pipoqueiro, que ouvindo Guilherme falar “é Natal meu tio”, vendeu duas pipocas que são R$ 1,60, por um real. O pipoqueiro foi pra casa.
9 da noite, ruas vazias. Passando pelo bairro nobre, andando sozinho, passam três meninos, adolescentes. Eles gritam e querem pipoca. Um diz:
_Meu amigo, minha mãe pode comprar o seu negócio ai. Passa essa pipoca. É natal.
Os meninos todos eram Sandálias. Inclusive o pipoqueiro com àquela sandália remendada. Ele perdeu o um real, o carrinho de pipoca e dois dentes. E mesmo assim foi para casa feliz e vivo. É natal, tenho que pensar no lado bom. O pipoqueiro se indaga.
Felipe, um dos ‘morta-fome’ de pipoca e agressor do pipoqueiro, botou a moeda de um real em seu cofre. Aníbal, o irmão mais novo de Felipe, quebrou o cofre. E com essa moeda de um real, Aníbal comprou um DVD Pirata de uma Ex-Deputada fodendo com um Ex-Galã Global.
O telefone do vendedor de DVD toca, ele reúne alguns dos discos e pega um ônibus. A moeda de um real segue em seu bolso. Já é noite e enfim ele lembra do natal, pois a cidade está cheia de pisca-piscas.
Ele desce. Pega o celular. Dá um toque em outro celular. Recebe a ligação de volta. Ele espera.
Cícero chega e aperta a mão do vendedor de DVD que estava no bolso. Cícero dá um dinheiro a ele e o deseja feliz natal. Cícero volta ao trabalho. 8 horas da noite vai para casa. Ele tira de seu bolso a moeda de um real, que veio grudada com o presente que ele comprou na mão do vendedor ambulante. A moeda cai no chão de sua casa. Ele, com preguiça, não a pega. À noite, sua amiga Feliciana aparece em sua casa, para eles comemorarem o natal. Na manhã de sábado, ele e sua amiga recebem Dandara.
_Dandara, os produtos pra faxina estão na dispensa. Fui. À noite volto.
Ele, Cícero, nunca mais lembraria da moeda. E Dandara, limpando o quarto dele, achou, ao meio de camisinhas usadas, a moeda de um real. É natal. Ela pensou e guardou a moeda em sua calcinha.     


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Depois de algum tempo sem publicar contos, poemas e outros, estou de volta.

Espero que o próximo ano seja de harmonia e amor.

link para o meu blog de poemas (com publicações novas) -- http://joseaugustosampaio.blogspot.com/

Até breve

José Augusto Sampaio
 

25-07-2009 09:54:44

Leia 'Saco Plástico' de José Augusto Sampaio

Saco Plástico.

 
Saio do trabalho as 19:30h. Pelas ruas escuras de Teresina vou até a Frei Serafim, no Banco tirar dinheiro. Teresina tem em cada rua um boteco. Isso é bom, pelo menos para mim que gosto de Cortezano. Mas nem sempre tem esse tipo de bebida nestes botecos, mas em compensação existe todo tipo de drogado em álcool.
Tirei meu dinheiro. Meu pequeno dinheiro. Meu diminuto.
Noutro minuto meu ônibus pára na avenida esperando o sinal voltar a vermelho.
O motorista abre para mim, no meio do engarrafamento e na avenida. Perfeito!
Restam dois lugares para sentar, sento em um. Mas restam também quatro pessoas em pé.
Aqui em Teresina as pessoas não gostam muito do contato físico dentro do ônibus, preferem ir em pé ao seu destino, em vez de ir com alguém ao seu lado na cadeira. Mas quando o ônibus está cheio, não tem jeito, é roça pra lá e cheiro pra cá, um suor em mim...
 
Mas voltando para dentro do ônibus, sento ao lado dum negro, com cara de dor e raiva. Eu fedo. Ele, não sei, estou com o nariz entupido.
Começa a chover, alguém diz dentro do ônibus.
_ô chuva de merda que não pára nunca.
Outro, responde:
_antes ela do que aquele sol! – Você escolhe!
O ônibus pára, entra um homem. Bem magro, com calça social, camisa de botão branca.
Tem bigode. Ele é marrom, madeira, mestiço, misturado. Ele tem um saco plástico na cabeça e uma bíblia na mão, ele já entrou falando alto e sentando na frente, nos lugares reservados. E isso não é uma exclusividade desse homem com o saco plástico na cabeça. Muitos, como ele, não tão nem aí com a reserva feita por lei para idosos e deficientes. Mas como se importar com a lei neste país? Que lei?
Ele diz, sem tirar o plástico da cabeça:
_viva JESUS! Viva o filho de DEUS. E quem não diz “viva”, é bom se preocupar! Porque Ele tudo ver e condena.
 
“Jesus condena quem não vai a seu favor”, dizem tantas línguas.
Por isso, morto de fome e canibal, como Jesus como Deus e vou divino.
 
O homem com o plástico na cabeça e a bíblia na mão, parecendo que está com o demônio no corpo, continua falando feito uma metralhadora. Resta saber se o demônio entrou através do nariz ou da alma.
 
_VIVA JESUS! Digam, viva o senhor filho de DEUS: JESUS!
Alguns no ônibus riem, outros respondem, eu calado quero chegar em casa, não agüento mais o calor desse ônibus.
 
Não pode cair um pingo d’água de chuva que fecham todas as janelas, deixando o ônibus abafado! E se você abrir uma fresta da janela, fazem cara feia. Para mim é fome!
O motorista interrompe o homem com o plástico na cabeça e diz: 
_homem! Sente ai. – O homem com o plástico na cabeça responde em voz esperançosa:
_vou sentar! É que eu tava no culto e hoje sair de lá sentido a mão de Jesus em meus ombros.
_que bom.
_meu senhor motorista, Jesus é tudo. Quem está com Ele, está salvo. Ele que cuida de nós aqui e agora, dentro do ônibus. Ele que faz chover... – Interrompido pelo cobrador:
_e essas enchentes tudo ai?
_ele cuida também dos desabrigados! Mas isso só está acontecendo porque essas pessoas devem ta devendo ao senhor. VIVA JESUS!
 
Alguém grita do fundo do ônibus em tom irônico e risonho:
_se fosse assim meu amigo, os políticos todos do Brasil, esses bando de filho da puta, estavam debaixo d’água!
_meu amigo, Jesus sabe o que faz!
Outro grito no fundo do ônibus:
_ENTÂO, JESUS, ME ARRANJA UMA MULHER!
 
“A minha eu já tenho” – Penso.
 
O homem com o saco na cabeça se revolta e diz:
_O senhor devia respeitar o nome do Senhor. JESUS não dá mulher pra ninguém, ele a respeita como uma santa. E ainda mais! A MULHER é meio caminho para o inferno. Eu garanto 90% das mulheres já estão no inferno. Pra que elas na nossa vida?
O motorista diz:
_pra a gente ficar feliz porra!
O ônibus inteiro cai na gargalhada, inclusive eu. O homem com o plástico na cabeça se levanta revoltado:
_Respeite a palavra de...
Alguém interrompe:
_e a Maria Madalena meu amigo? Não rolou nem uma metidinha com Jesus?
Algumas senhoras se benzem, uma delas, lembra que faz tempo que o marido dela não dava essa metidinha. O homem, ainda com o plástico na cabeça, grita:
_VIVA JESUS! – Ele atravessa a roleta e vai pra cima do cara que falou do caso secreto de Maria Madalena e Jesus.
 
Sinceramente, esse crente tem algum problema com sexo. E mais sinceramente ainda, mulher que é ‘Maria’ arranca até meu coro!
 
Uma breve confusão acontece. O motorista distraído olhando para trás e sorrindo, sobe em cima da calçada e estoura o pneu do ônibus.
 
_puta que pariu! Pelo amor de DEUS. - Eu grito indignado.
Alguns gritos a mais no ônibus de medo e desespero.
Mas a situação se normaliza e nada acontece.
Nem Jesus aparece e nem Deus me leva para casa, para perto de minha amada esposa.
 
 
 ASS: José Augusto Sampaio – redator publicitário, escritor e louco pela vida.  
 
 e-mail: guto.sampaio83@gmail.com
 BLOG pessoal: joseaugustosampaio.blogspot.com
 
 
    
    
16-07-2009 14:40:27

Poema de Marsone Araujo

CAÇOADA DE CORPOS PELO VISGO

 


Pelo que arde ao brabo insone, a carne curtida ao meio fio, os dizeres que vibram nas alcovas, como um tinir de um fino e calmo breu. 

Um chuvisco de risadas bem crescido, ao pé do ouvido de quem ama,

É o bocejar da revoada cor, caçoada de corpos pelo visgo, um capricho dos deuses do infinito que perfura o belo e trato abismo.

Cabem ao conto da cigana os requisitos do ilustre e clarividente mundo arfa, onde tudo é bem mais comprometido, que o comprido risco do amanhã.

Pelo que molha abranda a vista, erguida com um lapso córtex dos meus olhos, sem a fina e rùbia pele, ao regalo da crina a bela vinda, que aos deuses do telúrico vento,   vida imploro.

 

 

07-07-2009 10:32:45

Senhor Excelentíssimo Senador Vagabundo

Senhor Excelentíssimo Senador Vagabundo

Vá trabalhar vagabundo.
Desce do palanque
e vem aqui embaixo
perto da farofa e das baratas.
Vem conhecer o Brasil novo mundo.

Se na dor
minha indignação só serve de poesia
e vergonha pra nação.

Vá trabalhar vagabundo.
Arregaça as mangas
e esquece o discurso
aqui embaixo não existe só antas.
Daqui dá pra vê
que o nosso dinheiro
serve pra o seu pessoal uso.

Se na dor
minha indignação só serve de poesia
e pra seu discurso lindo com paixão.

Vá trabalhar vagabundo.
Vá trabalhar sem vergonha.
Vai logo e deixa o discurso político de lado
é seu dever mostrar trabalho.

Se na dor
minha indignação só serve pra poesia
e pra atrapalhar meu coração.
Meu coração necessitado de antidepressivo
com raiva e pavor diante de seu juízo.

Se na dor só         sinto motivo
indignado poetizo.
Na situação que for
banana, banana, banana pra você senador.

Vá trabalhar vagabundo
encerra este discurso
desça do seu palanque, vem aqui embaixo
onde está o Brasil perto da farofa.

 

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Poema de José Augusto Sampaio

18-06-2009 14:30:00

'O Tarado' - conto de José Augusto Sampaio

O Tarado
 
É manhã e cedo. Ele desperta e está alterado como sempre. Não como a maioria dos homens que acordam com vontade de fazer xixi. Está excitado. Toda noite tem algum sonho erótico. Às vezes com mulheres, até com homens, travestis, animais, alimentos, etc. Tudo o excita.
Como mora só, na cama mesmo masturba-se e bota o leite pra fora. Levanta-se cinco e cinqüenta da manhã e uma das primeiras coisas que faz é ir até a janela espiar a vizinha no banho. De vez em quando ela masturba-se, a diferença é que usa o chuveirinho.
Ele, espiando, suando e forçando seu braço esquerdo na intenção da vizinha que está no banho, geme e bota o leite de novo para fora. Goza com gosto! Desta vez porque é um verdadeiro big brother, e big brother serve para gozar.
Às vezes a vizinha percebe que ele está olhando. Ela, nem aí, abre o chuveirinho...
Já indo pegar o ônibus, ele sempre sai de casa seis e quarenta para seguir a vizinha. Não troca nenhuma palavra com ela, muito menos chega perto, mas seus olhos a seguem e a boca baba. Ele a ama desesperadamente e secretamente. Todas as manhãs a segue. Em alguns dias, em que ela atrasa-se, ele a espera na esquina para segui-la e pensa:
“Lá vai ela, rebolando como sempre, deixando meu corpo afetado e meu coração desejoso”.
Ela percebe todos os movimentos dele e rebola...
Ele uma vez conseguiu entrar na casa dela. Saiu da janela no primeiro andar de sua casa, desceu pelo muro que separa ambas as casas, chegou no quintal e viu no varal uma calcinha. Já de pau duro com a visão da lingerie, pegou a veste de seda e, rapidamente, voltou pelo mesmo caminho. Cheirou tanto aquela calcinha suja que fez até um poema para a sua vizinha:
 
“Haicai erótico

Tu és linda
Linda és tu
Queria saber a cor do seu cu.”
 
O poder que a vizinha tinha acabava exatamente na hora em que ele entrava no ônibus. “Meu Deus! Quanta gostosa reunida em um coletivo”, comemora.
Ele tinha condições de comprar um carro, mas prefere andar de ônibus, mesmo morando só e não tendo nada com o que gastar além de sua internet e algumas revistas de pornografia. Em outro tempo, teve até uma gatinha de raça em casa, mas sua mania de enfiar o dedo no cu da gata a fez fugir.
 
No ônibus, já cheio de pessoas, ele de pau duro e sem cueca faz questão de passar se esfregando nas meninas, sentindo o cheiro de cada uma. De óculos escuro, não dispensa observar um decote. Nem velha libera. Nelas roça com gosto. Algumas até gostam. E, alterado, aproveita para encostar seu pau no braço das meninas que sentam na cadeira do corredor. Aliás, não apenas roça, como encosta e ás vezes tenta puxar assunto.
Certa vez deixou cair no chão um pedaço de papel com o poema que fez para a vizinha. Uma senhora pegou o pedaço de papel e leu. Olhou para ele e sorriu. Ele desceu do ônibus no ponto dela e em plena sete e meia da manhã, num terreno baldio do centro da cidade, levantou a saia da senhora, beijou sua boca e meteu a mão, a boca, os sentidos, a libido. Enterrou-se nos orifícios.
 
No trabalho, ele é um dos primeiros a chegar. A secretária o odeia.
_Bom dia, senhor Alfonso! – diz a secretária para ele.
_Bom dia, beleza de minha manhã! – ele responde tocando com a mão suja de pica no braço dela e arrastando a mão até sua nuca. Ela pensa:
“Odeio esse tarado com cheiro de sebo na mão. Ainda vou mandar ele meter essa mão...”
Ele trabalha em uma sala, sozinho. Durante o seu dia não tem muito o que fazer, a não ser coisas rotineiras.
_O senhor tem que terminar os relatórios até cinco da tarde, senhor Alfonso! – diz a sua bela secretária.
_Não quer me ajudar, linda?
_Não, senhor. Ainda tenho dois patrões para atender aqui, além do senhor.
Ela pensa: “Tarado brocha!”.
Ele passa o dia entre sites de putaria e relatórios. (procurei no mini dicionário Aurélio outro sentido para a palavra putaria e não achei: discriminação à putaria!).
Seis da tarde, Alfonso sai do trabalho com um sorriso do tamanho de sua sede por sexo. Vai pegar um dos motivos que o deixa feliz em sua rotina: o ônibus. Na entrada já fica ouriçado. São as pernas das estudantes de sétima série voltando da aula de educação física. Mas cansado, ele senta-se, sem tirar o olho maníaco daquelas pernas. Ele percebe que todas usam calcinhas curtinhas e enfiadas. Apertando a mão entre as próprias pernas pensa:
“Em casa vou gozar gostoso por todas”.
 
Na frente dele senta um velho. Tem uma ferida horrível no redemoinho central da cabeça. Ele sente nojo e uma falta de tesão tremenda o ataca.
Tenta se concentrar de novo nas meninas, mas não consegue, pois está enjoado com a imagem da ferida.
De repente, começa a olhar a ferida compulsivamente e sem conseguir parar. Sente uma ânsia de vômito. O ônibus está cheio e um calor desgraçado aflige todos dentro do coletivo.
Engarrafamento, cheiros estranhos, calor, muito barulho, a ferida podre na cabeça do velho, a ânsia no estômago e BUM!
QUASE vomita!
Mas antes, observando a ferida, vê que a pele avermelhada e machucada ao redor tinha um aspecto nojento, mas era pele. Os cabelos brancos ao redor até que não eram tão feios: esses cabelos, se fossem em outro lugar, ficariam lindos. De repente eu pegue uma coroa com os seus 70 - filosofa. E observando melhor ainda, no meio da ânsia de vômito, vê um cascão mais avermelhado e centralizado na ferida e pensa:
 “Até que olhando direito essa feridinha vermelha, com esse olhinho vermelhinho no meio, e esse cabelo ralinho ao redor, está parecendo uma bucetinha”.
E pronto! O enjôo todo foi pro céu, então BUM!
Ele cai de língua na cabeça do velho.

 

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Conto de José Augusto Sampaio

Edição de texto de Isana Maria

 

03-06-2009 16:14:37

Leia 'Caixão de Luxo' de José Augusto Sampaio

Caixão de Luxo

João conhecido como “Boca”. João conhecido como “Toquinho”. João conhecido como “Maneco”. João conhecido como “Negão”. João conhecido como “Pepe”. João conhecido como “Popó”. João conhecido como “Cinqüenta e Um”. João conhecido como “Jonny da Pedinha”. João conhecido como homem trabalhador. João conhecido como morta fome. João conhecido como pai de família desempregado e fodido. João conhecido como mendigo. João conhecido como “Doutor João Astrobaldo Alfonso Nogueira Vieira de Sá Junior”, Deputado Federal e Juiz de uma Comarca de Teresina.
Bom! Esse último “João” será noticiado no jornal como morto. Sim, algum dia. Provavelmente na parte de celebridades que deixam saudade para o POVO. Esse João, o político e homem da lei, tem carro importado e não anda pelos confins da estação velha de Teresina. Aquela, perto do Cabral, na Avenida Miguel Rosa.
O campo desta estação é um reduto de fumadores de craque, ou era, até o exercito tomar conta daquela área, mas será que acabou? O exercito não está livre de ter fumadores de craque.
Passei por esta estação outro dia, por fora. Nesse dia, um cara colocou a faca no pescoço da minha esposa. Não aconteceu nada, felizmente.
Mas para o João ‘Boca’ aconteceu, e na estação velha. Ele morreu. Ele tava naqueles dias: magro, cheio de feridas pelo corpo, fumando craque para perder a fome e pensando em sua mãe. O João, conhecido como Boca, foi-se além. O Mataram! E ninguém sabe por que fizeram isso e nem querem saber.
Já o João Astrobaldo, o joão importante da história, neste momento, enquanto a morte não chega, está em seu escritório lindo, com um banheiro limpo e com restos de comida no prato desperdiçado do almoço: um pedaço de frango mordido, mais de uma colher de arroz, bife acebolado mordido ao meio, pedaços de alcaparra e alface, e uma colher de feijão.
 
_Aline! Mande pedir um McDonald’s para mim. – Pede o João Astrobaldo pela secretaria eletrônica para a sua secretária.
Provavelmente esta comida vai parar em algum lixo da cidade e será catada por algum outro João, o morta fome.

O João o “Boca”, esta dentro de um caixão de madeira de quinta categoria com seis furos no corpo, preparando a sua pele para os vermes. Este morreu de graça. Graças a Deus acabou seu sofrimento. Vá em paz João. A partir de hoje você não vai mais precisar passar fome nem chorar a melancolia da vida desgraçada que é oferecida por João Astrobaldo e seus comparsas brasileiros.
Enquanto isso João Astrobaldo vai ao banheiro do seu gabinete e bota tudo pra fora, com gosto e sem dor na consciência. Tranqüilo, ele limpa-se com o papel higiênico com sabor morango e de textura delicada, que é para preservar o seu cagador. Por um breve momento, João Astrobaldo em seu trono, sorri. E pensa: “se eu não botar no cu deles, eles botam no meu. Por isso roubo mesmo!”. Ele sorri copiosamente. 
Ele lembra que aqui no Brasil os políticos corruptos e juízes corruptos não têm o mesmo fim que outro João, o “João chinês”. Muito pelo contrario, o “João do voto” daqui do Brasil, tem sempre um final feliz e eterno, como nos contos de fada.
Já o João o “Boca” em seu caixão de madeira pago com mais um empréstimo do banco, longe de todo barulho do mundo, reflete: “sou a favor de corruptos levarem tiros na cabeça de escopeta. Um na cabeça e outro na cara. Pra certificar de que ele está morto e será passado”.

Que pena que o Brasil não é como a China. Lá quando o João chinês rouba de dentro de seu gabinete e é pego, este João ladrão corrupto da china e também filho da puta como o João Astrobaldo daqui, paga a bala do único furo que vai levar pra o seu caixão de luxo.
Se um dia o Brasil adotar isso, sou a favor do tiro ser na cara. E que sejam dois.



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ASS: José Augusto Sampaio – Publicitário, Escritor e louco pela vida.

e-mail: guto.sampaio83@gmail.com
BLOG pessoal: http://joseaugustosampaio.blogspot.com/
OVERMUNDO: www.overmundo.com.br/perfis/guto-sampaio
 




 

28-05-2009 09:38:25

'Todo mundo quer ser bonito' de José Augusto Sampaio

Todo mundo quer ser bonito

Todo mundo quer ser bonito
Na melancolia do infinito
Todo mundo quer ser bonito
E se jogar no precipício
Todo mundo quer ser bonito
Ter clichê, ter abrigo, escrever artigo
Todo mundo quer ser bonito
Na medida do impossível

Todo mundo está no auge
Na felicidade e na fraude
Todo mundo estampa cores e sorrir
Na curvatura estampa do verso me perdi
Todo mundo quer ser pop
E fugir desesperadamente da morte.

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ASS: José Augusto Sampaio – Publicitário, Escritor e louco pela vida. 

e-mail: guto.sampaio83@gmail.com
BLOG pessoal: http://joseaugustosampaio.blogspot.com/
OVERMUNDO: www.overmundo.com.br/perfis/guto-sampaio 

09-05-2009 09:01:04

O herói do Brasil

O herói do Brasil

Entrando no cinema para acompanhar a seção de estréia do Filme “O amador que ama”, Filho Batista é cercado por jornalistas e admiradores. Depois de setenta anos de carreira como ator, ele ainda atrai atenção de todos por onde quer que vá. Algumas pessoas e críticos gostam de falar que ele está em decadência e que essa educação e simpatia que ele tem só acontece na frente das câmeras.
Antes de adentrar a sala 4 do cinema, um dos seus muitos fãs o aborda com um abraço caloroso. Filho Batista, como é de costume, corresponde ao abraço. Em seu ouvido, o fã fala algumas palavras, só para o grande artista ouvir:
_Você é um verme morto vivo vomitado andando torto, quase de quatro e em decadência. Quando você anda, vejo muito mais esterco de diarréia do que talento...
Antes que seu fã, que o abraça com tanto carinho e afago, terminasse a frase, Filho Batista o ataca, segurando em seu pescoço com um grito que beira o ódio e com olhos inchados para fora. No meio de flash’s, curiosos, outros fãs e colegas de trabalho, Filho Batista quase mata o Flores.
Depois de separada a confusão, Filho Batista, para se explicar, ainda exaltado, fala tudo o que Flores, seu carinhoso fã, falou em seu ouvido. Os críticos viam na situação um velho aloprado, ranzinza em decadência e querendo ibope. Os fãs do Filho Batista não acreditaram em Flores até o momento. E Flores, com um rosto de vítima, dizia que ainda amava o seu grande ídolo, mesmo depois do ocorrido. 
_Mas, Flores, o Batista disse que você o xingou quando encostou em seu ouvido. O que você disse a ele?
_Não. Não o xinguei de jeito nenhum. O Filho é meu grande ídolo, a grande inspiração que tive para poder ser alguém na vida. Desde criança que admiro o Filho. E eu dizia exatamente isso a ele, quando senti suas mãos em meu pescoço. Li uma vez que ele tem andado meio entediado com a vida e a velhice, mas eu não quis acreditar. Ele é meu grande herói! Mas eu sei, todos nós temos esse tipo de fraqueza humana. – ele diz, emocionado com o encontro com seu ídolo e o ocorrido entre eles, mostrando que sabe falar bonito, em pose para mais flashes e perguntas curiosas dos repórteres.

Na mesma semana, Flores foi convidado para um programa que passa à tarde em uma das TVs nacionais. Entretenimento sobre a vida dos outros, era o que esse programa prometia. Nesse dia, ele deu opiniões criativas e populares, mostrou desenvoltura com o enquadramento e sorriu feito um Augusto romano, além de fazer tal programa crescer três pontos no ibope no horário em que estava no ar. Com isso, foi convidado a voltar neste mesmo programa pelo menos uma vez por semana. Para isso, ganhava um bom cachê. Depois de algumas semanas, já tinha fãs de todas as classes, raças e crédulos, e ainda convites para posar nu. Ele tem um dote insuperável, prometia um colunista. Depois de um certo tempo de fama, deu para Flores sair do vermelho que o acompanhava por um tempo. Depois de um ano, já participando ativamente nesse programa, é convidado por outra emissora nacional para participar de um programa que ia ao ar em todas as manhãs, de segunda a sábado. Seu salário aumentou 6 vezes, fora os “trocados” por fora. Formou-se em jornalismo. Fez curso de dicção. Curso livre de teatro. Aprendeu a falar inglês. Fez uma lipoaspiração. Retirou pés-de-galinha. Na época, muitos repórteres o bajularam em suas revistas de fofoca e páginas de web.
Uma revista famosa de entretenimento social o convidou para uma ilha onde lá estariam outras celebridades, astros, estrelas, famosos, chiques, intelectuais, músicos, políticos e artistas. Na ilha, ele revelou que adorava salmão com arroz à grega todos os domingos, bebendo Vinho do Porto. Revelou também que já tinha ficado com uma mulher que fazia a novela do horário nobre da emissora concorrente, mas que não podia revelar quem era, só que essa pessoa adorava receber chocolate na boca. E ainda acrescentou que “nunca faria filme pornô, é degradante”. Nesse mesmo ano, no mês 11, começou a namorar a âncora do programa que trabalhava. O casamento deles foi vendido à imprensa por quatro milhões de dólares e quem comprou foi um canal concorrente do canal atual de Flores. Isso fez com que ele e essa âncora fossem demitidos e disso entrassem na outra emissora concorrente que era maior, ou seja, uma oportunidade imperdível. O casamento de Flores e da âncora do antigo programa em que eles participavam foi assistido ao vivo por quase 70 milhões de pessoas no Brasil, sem contar o ibope de fora do país. E ainda foi transmitido pela internet e por outras TVs que compraram um pacote menor para transmissão. Esse assunto, do casamento deles, lotou as capas de revista de entretenimento e sites da internet por quase três meses, batendo um recorde de permanência na mídia efêmera atual. Flores, nessa nova emissora, já chegou com seu talento reconhecido de apresentador. Era bonito e ainda casado com a mais nova âncora de um programa que pegava três horas por tarde em todos os sábados. Muita cultura, entretenimento, culinária e música, era o que o programa prometia. Enquanto isso, Flores fazia pequenas participações em programas de humor, telejornais e programas de entretenimento mais cultos da TV por assinatura. No seu terceiro ano de contrato, com o salário mais uma vez renovado, muitas vezes maior que seu primeiro cachê, foi convidado para participar de uma novela no horário nobre. Uma participação especial. Ele, com todo seu charme, conquistou os críticos com a sua atuação encenando um doido de hospício que costumava andar nu pela cidade. Disso, dois anos depois, Flores foi convidado para ser o galã de uma outra novela em horário nobre. E disso, ele seguiu sua carreira fantástica.
Certa época, Flores deu uma entrevista e afirmou:
_Se não fosse meu grande ídolo, Filho Batista, nada disso teria acontecido.
Depois de tanto tempo, uma afirmação como esta se tornou graça e humor negro entre os seus críticos e fãs, que antes já tinha sido fãs do Filho e agora evoluíram a fãs do Flores.
Depois de 12 anos de casados, sua esposa teve uma parada cardíaca. Alguns críticos, mais maldosos, atribuíram a morte dela à decepção que teve com o seu marido, pois "ele era uma farsa", garantia ela em uma de suas entrevistas. Um desses repórteres críticos garante que conversou com a esposa de Flores dois dias antes da morte e ela não aparentava estar mal, e mais, “ela afirmou que Flores era uma mentira artística”.

Todos juntos choraram no enterro da esposa de Flores. A comoção nacional apoia Flores, escreveu um colunista. Assim, lá e cá, entretenimento. Assim, lá e cá, ídolos e fãs, salvando-se da realidade, na qual caminham heróis, mas vivem mascarados.  
                
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ASS: José Augusto Sampaio – Publicitário, Escritor e louco pela vida. 

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BLOG pessoal: http://joseaugustosampaio.blogspot.com/
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Edição de Texto: Isana Maria

 

24-04-2009 15:49:31

Três poemas sobre o 'Homem' de José Augusto Sampaio

O não bate papo virtual

MSN
lugar pra quem entende
de mostrar nickname.
E usar o status para brincar de esconde-esconde.

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Humana Idade

A esquerda segura arma
A direita segura arma
No corpo o peito
Na cabeça a intenção
Na boca dentes
E dentro fome.

Observando tudo, como um Deus onipresente, o medo.

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Sociedade

O urubu não come sobra, come luxo
O homem não come carniça, come o próximo.

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