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Audrey Magalhães
Audrey Magalhães
31-08-2010 19:13:00

Casos de violência contra a mulher chocam o país

Tarsila e Maria Eduarda estavam deitadas próximas uma da outra, de bruços, com os mesmos trajes que usavam quando foram vistas no final da tarde do dia 4, na Palhoça da Cris, em Maracaípe. As peças inferiores dos seus biquínis estavam arriadas abaixo dos joelhos, indicando a possibilidade de violência sexual. Um projétil de revólver foi encontrado perto dos corpos. Numa avaliação preliminar feita pelos peritos do Instituto de Criminalística (IC), as duas jovens foram assassinadas com tiros na cabeça. A cena narrada é de um dos atos de violência contra a mulher que ganha maior repercussão no estado vizinho, Pernambuco, onde duas jovens foram encontradas mortas. Nesta terça-feira (31/08) ocorre o 2º dia de julgamento pelo Tribunal de Júri, dos acusados de terem tirado a vida das garotas.
O julgamento mais esperado das últimas décadas em Pernambuco começou nesta segunda-feira (30) cercado de grande expectativa e já entra pelo segundo dia, devendo terminar nesta quarta-feira (1º). No banco dos réus, os irmãos Marcelo e Valfrido Lira, 42 e 41 anos, respectivamente. No banco do júri, sete pessoas que vão decidir pela inocência ou condenação de ambos, que são acusados dos crimes de homicídios duplamente qualificados e tentativas de estupro. O julgamento deve durar, pelo menos, três dias. O fato só aumenta o índice de violência contra a mulher, no caso, duas jovens que foram barbarizadas no nordeste brasileiro. O crime chocou a região de Pernambuco, estado vizinho ao Piauí.
JULGAMENTO E PENA
Caso sejam condenados, os acusados pela morte das jovens Tarsila e Eduarda irão cumprir pena por:
Homicídio duplamente qualificado 
(art. 121 C.P)
Qualificadoras no Caso Serrambi: 
Inciso IV - sem possibilidade de defesa 
Inciso V – para ocultar outro crime (estupro)
Pena: De 12 a 30 anos de reclusão
 
Tentativa de estupro (art. 213 e 14-II)
Pena: De 6 a 10 anos de reclusão, reduzida de 1/3 a 2/3 por se tratar de tentativa.
 
VIOLÊNCIA ‘SEM PRECEDENTES’
 
Os casos em que envolvem violência contra mulher sempre são alvos de atenção e clamor social, quando são trazidos a público, no geral, se quer chegam a ser denunciados, mas que recebem tratamento cauteloso pelo judiciário, por se tratar de fato de grande reprovação social. A aplicação de penas que coíbam o comportamento doentio dos agressores é no mínimo um dever do Estado e consolo para as vítimas ou suas famílias; e deixar de punir, só escreve o nome de cada vez mais mulheres nas estatísticas da impunidade.
 
Pouco antes do julgamento dos acusados pela morte das garotas em Pernambuco, o tema da violência doméstica foi ressaltado na última semana pela ocasião dos 10 anos do assassinato de Sandra Gomide pelo jornalista Pimenta Neves, que não aceitava o fim da relação. 
 
AS ESTATÍSTICAS DA COVARDIA

Antes e depois do caso Pimenta Neves, o assassinato e agressões de várias mulheres chocaram o país algumas vezes. Veja os crimes de maior repercussão e os resultados:

Ângela Diniz 
Raul Fernandes do Amaral Street, conhecido por Doca Street, matou a namorada Ângela Diniz, apelidada de Pantera de Minas, em 1976, com um tiro, por não aceitar o fim do relacionamento. Cumpriu pena por homicídio. 

Eliana de Gramond 
Vinte dias após o desquite formalizado, o cantor Lindomar Castilho alvejou a ex, também cantora, em um bar em São Paulo. O crime ocorreu em 1981 e Castilho pegou pena de quase 13 anos, boa parte cumprida em regime aberto. 

Eloá Pimentel 
Depois de manter Eloá Cristina Pimentel refém por mais de 100 horas, porque a adolescente de 15 anos terminou o namoro, Lindemberg Alves baleou a garota. O rapaz está preso desde o assassinato, em 2008. O julgamento não tem data marcada. 

Eliza Samudio 
Eliza Samudio desapareceu em junho. A polícia sustenta que a moça foi sequestrada e assassinada a mando do goleiro Bruno Fernandes, que jogava no Flamengo. Eliza era amante de Bruno e exigia que ele reconhecesse a paternidade de seu filho. O jogador está preso. 

Dado depõe até sexta-feira
O ator e cantor Dado Dolabella, acusado pela ex-mulher Viviane Sarahyba de agressão, será intimado pela Justiça para prestar depoimento nos próximos dias. A juíza Maria Cristina Brito Lima, da 1ª Vara da Família, na Barra, Rio de Janeiro, expediu a intimação e, agora, o artista terá cinco dias para se explicar às autoridades. Viviane denunciou e entregou à juíza inúmeros documentos que comprovariam as agressões de Dado.
31-08-2010 13:18:00

Lei autorizou envio de R$ 25 milhões para fora do país

Confirmando que o Brasil é um país que não é omisso em legislação, pois tem lei para tudo nesse país, é a recentemente lei ordinária aprovada e sancionada pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva, autorizando a doação do valor de R$ 25.000.000,00 (vinte e cinco milhões de reais) dos cofres públicos e destinando-a à reconstrução da Faixa de Gaza, na Palestina. Trata-se da lei 12.292, de julho deste ano. Por mais que se trate de uma causa nobre, a doação não está sendo vista com ‘bons olhos’ pelo povo brasileiro, que é quem está pagando por esse ato de bondade.

Veja abaixo a letra da lei:


"LEI Nº 12.292, DE 20 DE JULHO DE 2010.


Art. 1o Fica o Poder Executivo autorizado a doar recursos à Autoridade Nacional Palestina, em apoio à economia palestina para a reconstrução de Gaza, no valor de até R$ 25.000.000,00 (vinte e cinco milhões de reais).


Parágrafo único. A doação será efetivada mediante termo firmado pelo Poder Executivo, por intermédio do Ministério das Relações Exteriores, e correrá à conta de dotações orçamentárias daquela Pasta.


Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.


Brasília, 20 de julho de 2010; 189o da Independência e 122o da República.
LUIZ INACIO LULA DA SILVA”


Tal indignação brasileira com essa doação é relevantemente explicada pelo o fato de que no Brasil a gama de miseráveis aumenta acentuadamente, povo está mal das pernas, a saúde que não funciona, milhões de desempregados, faltam salas de aulas para abrigar crianças e jovens, faltam merendas, faltam moradias, aposentados ganhando salário de fome, Policiais Militares sem reajuste decente, professores do ensino fundamental e médio amargando salários indecentes, sem falar da fome, que ainda é uma realidade que assola a classe menos favorecida dos brasileiros, e mesmo nessas condições, o Brasil ainda ter orçamento disponível para se fazer uma doação desse valor para fora do país.

Nossos representantes políticos, na hora de aprovar essa lei, não levaram em consideração de que a prática de ‘cobrir um santo e descobrir o outro’ poderia causar inúmeros prejuízos ao povo brasileiro, que é o dono desse dinheiro, e também amarga situação de intensas dificuldades. Tal indignação é no mínimo explicável, e coloca o governo brasileiro ‘entre a cruz e a espada’, pois afinal, qual pai tiraria o pão da boca do próprio filho para dar a um estranho, mesmo sabendo que ele também se encontra em dificuldades?

Além do desfalque no orçamento público, a nova lei que permite a doação milionária ainda levanta desconfianças políticas sobre os motivos que levaram à sua aprovação. Segundo notícias veiculadas na mídia, o sonho de Lula é ser o próximo Secretário Geral da ONU. Mesmo que não se trata de doação por pretensão política, a boa ação deixa o brasileiro de orelha em pé. Afinal, o dinheiro público não é moeda para patrocinar o sonho alheio.

A situação dos palestinos realmente é difícil, porém a realidade do Brasil não nos permite nem pensar em tal doação, já que os grandes, médios e pequenos centros estão sendo tomados por miseráveis, acarretando a cada dia mais a violência. A violência urbana mata mais aqui no Brasil do que as guerras no mundo, segundo pesquisas.

A Comissão de Assuntos Econômicos, que deu parecer favorável à lei da doação, deixou de lado a preocupação com a fiscalização de irregularidades das tarifas bancárias cobradas pelos bancos no país e as altas taxas dos juros, que está acabando com a classe média no Brasil e se empenhou em aprovar a nova lei. Dinheiro dos cidadãos brasileiros que poderia ser empregado em áreas vitais no país, para ajudarem povos distantes. Pelo tamanho da doação, dá para esquecemos até que ainda somos um país emergente.

30-08-2010 22:30:00

'BAD BOY' - VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Dezesseis dias depois de ser condenado a 2 anos e nove meses de prisão em regime aberto por agredir fisicamente a atriz Luana Piovani, no dia 22 de outubro de 2008, numa boate do Rio de Janeiro, o ator Dado Dolabella viu a sua esposa, a publicitária Viviane Sarahyba, com quem Dado estava casado desde setembro do ano passado, dando entrada num processo na 1º Vara de Família do Rio de Janeiro, no pedindo a Divórcio conjugal. Segundo Viviane, ela era constantemente agredida fisicamente durante o período em que permaneceu casada com Dado.
A juíza Maria Cristina Brito de Lima determinou que Dado deve retirar-se do apartamento onde mora com Viviane levando consigo apenas documentos e objetos de uso pessoal e deverá enquadrá-lo em vários artigos da A Lei nº 11.340/2006, mais conhecida como a Lei Maria da Penha.
A “Maria da Penha” descreve no mínimo cinco formas de violência contra a mulher. Desde a violência física, psicológica, sexual, à violência moral e patrimonial. A aplicação recai sobre o marido ou companheiro e sempre que a conduta violenta for praticada no espaço de uma relação doméstica ou familiar. No caso do ator, a conduta narrada pela então esposa, que alega constantes agressões físicas, deve complicar a situação de Dado, que poderá, pelo menos em tese, ser enquadrado nos seguintes artigos da lei 11.340/06.
Art. 2o  Toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social.
Art. 5o  Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial:
II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa;
Art. 7o  São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras
I - a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal;
II - a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação;
A inteligência do Art. 17, da referida lei, veda a aplicação, nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, de penas de cesta básica ou outras de prestação pecuniária, bem como a substituição de pena que implique o pagamento isolado de multa.
No caso em questão, a juíza determinou liminarmente apenas o afastamento do ator do lar e da esposa ofendida, mas a situação poderá ficar muito pior, pois a Lei prevê até prisão preventiva para os maridos agressores, afastamento definitivo do lar, sem prejuízo da pena cominada ao delito cometido, caso haja condenação por alguma das situações previstas na lei.
Lei Maria da Penha, criada em 2006, pode passar por uma modificação de modo que as mulheres agredidas não necessitem ir até o fim da ação para que seus agressores sejam processados. A iniciativa é do MPF (Ministério Público Federal). O órgão acionou o STF (Supremo Tribunal Federal), para que a titularidade das representações recaia sobre si, ao invés de ter que ser levado pelas mulheres até o fim.
Também é uma forma de levar as ações adiante, já que muitas mulheres se calam por medo de perder os companheiros. Diante da fragilidade feminina, o Ministério Público deve ocupar um papel mais ativo, na condição de custus legis, devendo levar ações de natureza protetiva feminina adiante, e atuar efetivamente como órgão coibidor deste tipo de conduta e não apenas fiscal da aplicação da lei. Deve garantir que algozes sejam denunciados, processados e sentenciados, sem precisar que a figura feminina, as vezes sem pulso para tal decisão, fique a mercê de agressores ou tenha que se expor para requerer uma providência das autoridades policiais e judiciárias.
A lei que assegura proteção a mulher tem efeito erga omnes, age independente de classe social, e é um importante instrumento de segurança das mulheres, que não devem se intimidar pela força física masculina; afinal, foi-se o tempo em que a força física era o que realmente valia. O importante é agir racionalmente. Denuncie, não aceite agressão!
 
Com informações da Revista Veja de 1º de setembro de 2010, páginas 150 e 151. 
26-08-2010 18:02:00

À SOMBRA DOS MARIDOS

Bem diferente do cenário nacional, o Estado Piauí dá mostras que na política o sexo masculino é quem expressivamente se destaca (em maioria e também na intenção de votos). Enquanto a Presidência da República é fervorosamente disputada por duas figuras femininas de destaque na política brasileira, a cota de 30% de candidatas ao cargo deputado estadual (que deveria por previsão da lei eleitoral apresentar cada partido no Piauí) sequer é cumprida. Registra-se apenas 58 candidaturas do sexo feminino para Assembléia Legislativa que perfaz apenas 25,7%, não havendo mulheres que possam ser comparadas a expressão políticas das candidatas Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV). 
Dos 12 partidos e coligações que possuem candidatos inscritos, apenas três cumpriram a cota prevista em lei para candidaturas femininas. O PT, com 16 candidatos homens e 7 mulheres; a coligação Para o Piauí Seguir Mudando (PRB/PMDB/PTN/PR/PSB/PRP/PCdoB), que teve 15 mulheres entre os 29 candidato; e Unidos pelo Piauí (PHS/PTC/PT do B), com 28 candidatos homens e 12 candidatas mulheres. As demais coligações não conseguiram atingir a cota.

O único partido sem coligação que conseguiu cumprir a lei foi o Partido dos Trabalhadores. Dos 22 candidatos, apenas 7 são mulheres.
Nestas eleições (em que serão escolhidos Deputados Estaduais, Deputados Federais, Senadores e o Governador do Estado) apenas 96 mulheres disputam mandatos no Piauí, o que corresponde a 24% dos candidatos piauienses, contra 296 homens, que representam 75,5% das candidaturas totais no Estado. 
Essa minoria reflete a situação histórica/sócio/cultural da mulher. Essa sociedade, em especial na Região Nordeste, ainda é patriarcal e machista.
Para professora Lúcia Avelar, diretora do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília “a política foi sempre dominada pelos homens na história das sociedades, não só entre os homens, a resistência de grupos que ocupam posições de comando à entrada de novos atores na disputa de espaço. Segundo ela, essa aversão à partilha do poder é mais evidente em relação às mulheres, mas também ocorre com minorias, como os negros”.
E, até mesmo o sistema de “quotas” não garante, como ato isolado a inserção da mulher no cenário político, uma vez que não é obrigatório e o descumprimento dele não deveria nenhuma punição aos partidos políticos.
Com razão a deputada Luiza Erundina (PSB), em seus relatos sobre a participação feminina na política, que sustenta que a minoria representativa feminina na política se explica devido “as mulheres não serem educadas para ocupar espaços públicos”. Ainda segundo a ex-prefeita de São Paulo, existe um componente cultural, intrínseco à educação familiar, religiosa e até mesmo escolar das mulheres. As meninas são educadas para o ambiente privado. Só os meninos são estimulados a exercer liderança e ocupar os espaços públicos. Por isso, as mulheres acabam exercendo preconceito contra si mesmas e preferem votar em homens. Existe um conceito inconsciente de que política é coisa de homens.”
 
À SOMBRA DOS MARIDOS
Ainda é marcante, principalmente na realidade política piauiense, a representação política feminina de mulheres associadas diretamente à imagens de seus pais ou maridos, fruto ainda da indissociação do papel predominante do homem na vida pública.
Os discretos nomes de várias mulheres só ganham espaço na política partidária brasileira devido a relações de parentesco. Não é à toa que boa parte das mulheres que ocupam a vida pública ainda são associadas aos sobrenomes dos maridos, pais ou irmãos. Uma rápida análise na lista de candidatas piauienses nos faz constatar pouco mais de uma dúzia de esposas, que agora se lançam a cargos deixados pelos maridos, que por sua vez, buscam ascensão na carreira política.
Apesar de influenciadas pelos maridos, normalmente ligados à política tradicional, as mulheres tendem a adotar uma postura própria e se mostram mais preocupadas com as questões sociais. Tendem também a priorizar questões de grande importância, com marcante participação em questões ligadas à educação, saúde e segurança, e as mais ousadas, até empreendedorismo.
Essa participação é ínfima, mas válida. Afinal, as mulheres chegaram sob influência dos maridos, mas em geral acabam ocupando os seus lugares e criando ‘gosto pela política’. Tem representação política numericamente quase insignificante, desproporcional, mas tem a sorte de ter por natureza tendência a maior organização e têm forte expressão na defesa de suas causas. Algumas se destacam, pois tem vocação nata para vida pública, e quando auxiliadas pelos experientes esposos e tem a sorte de estar em um partido democrático, então, tem um lugar ao sol garantido. E quem ganha é o povo. Outras, ainda estão iniciando na vida pública, mas, tudo tem um começo, e a prática associada à um pouco de talento e força de vontade leva à perfeição.
 
FINANCIAMENTO PÚBLICO DE CAMPANHAS FEMININAS
 
A política brasileira tradicionalmente é uma arena masculina. Os partidos políticos até há alguns anos praticamente só abrigavam correligionários homens. Essa entrada das mulheres na representação formal começou a ocorrer a partir dos anos 80, na transição política.
 
Já se discute, em nível de reforma política, o financiamento público de campanhas femininas comoa chave para garantir que as mulheres possam concorrer em pé de igualdade com homens em disputas eleitorais, no que tange ao acesso à partilha dos recursos para campanhas dentro dos partidos políticos.
A forte presença masculina no comando dos partidos aliada à sua proximidade com o empresariado, faz com que a tímida presença feminina fique em segundo plano dentro dos partidos e deixe de ser privilegiada de forma igualitária. Poucas mulheres fazem parte de grupos econômicos e por isso têm mais dificuldades para conseguir dinheiro. E se a presença feminina ainda é tímida, a falta de estrutura para a campanha então, diminui e torna quase invisível a importante participação feminina.
 
18-08-2010 15:02:00

A atual formação do advogado brasileiro

 
O ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Piauí, advogado Norberto Campelo, falou, em entrevista, sobre o atual papel da OAB no país, o futuro da advocacia nacional e suas expectativas. Confira a entrevista, por ocasião da comemoração do dia do advogado (11 de agosto). 
Repórter - Qual é o quadro atual da formação do advogado brasileiro?
 
Acho que o ensino tornou-se mecânico. Perdemos muito da formação humanitária que acompanhava o estudo do direito. A advocacia tem sido ensinada sem a magia que de fato a envolve. Uma profissão diferenciada, exercida como verdadeiro sacerdócio, por alguém que saberá dos segredos das pessoas e lidará com seus interesses mais importantes, passou a ser ensinada como um meio de vida.

Repórter - A postura do MEC, como órgão fiscalizador do ensino superior, afrouxou nesse sentido?
 
O MEC é o grande responsável por essa situação. Fez da abertura de cursos jurídicos no País, moeda de troca política. Banalizou o ensino jurídico, entregando nas mãos de pessoas nem sempre comprometidas com sua qualidade. Se é verdade que precisávamos de mais vagas para o curso de direito, também é verdade que essas vagas tinham que ser criadas com critérios rígidos e controle absoluto do MEC, evitando o desastre em que se tornou a proliferação de cursos pelo país afora. Essa situação é hoje criticada internacionalmente.

Repórter - Que cenário o senhor acredita que seria criado caso o exame fosse extinto?
É preocupante. Um dado interessante, do qual a sociedade precisa saber, é que para a OAB, quanto mais advogados, melhor. Para a instituição, todos os recursos são bem-vindos para fortalecê-la; você não faz nada sem dinheiro. Mas esse não é o objetivo da OAB. Nós precisamos realmente controlar... A OAB é o órgão criado para fiscalizar o exercício da profissão de advogado. E o advogado é uma função pública muito relevante. Então temos de ter profissionais os mais qualificados possíveis, porque eles se envolvem em processos com bens muito caros, dos mais preciosos para o cidadão: a sua liberdade e o seu patrimônio. Com o exame nós ainda temos problemas, imagina sem ele. Todos os anos são 60 mil novos bacharéis que saem das faculdades e entram no mercado. É um número alarmante. No Piauí, a cada novo Exame da Ordem nós temos 900 inscritos. Obviamente, alguns bacharéis não se inscrevem: os que não estão interessados em entrar para os quadros da Ordem ou os que não se julgam aptos.
Repórter - Então, a realização do exame não é lucrativa para a OAB?
Não. O valor apenas cobre os custos do exame. O que é lucrativo é o advogado inscrito na OAB. Nós temos uma anuidade média de 400 reais. Se nós tivéssemos mais 100 mil novos advogados por ano, teríamos 40 milhões por ano.
Repórter - Apesar de o nível da prova ser considerado alto, muito se fala que o exame não consegue realmente avaliar o conhecimento do candidato. Se isto é verdade, porque mantê-lo?
Concordo que não é absolutamente satisfatório, mas não há outro método mais adequado. Se tivéssemos outros meios, com exames psicológicos, mais apurados em relação à conduta, seria o ideal. Mas isso não existe. O único método que possibilita aferir um conhecimento jurídico mínimo é a realização de uma prova objetiva e uma subjetiva. Não é perfeito, mas não temos alternativas. Às vezes, temos alguns advogados no quadro da Ordem que não atendem vez ou outra as necessidades do mercado. É falho? Concordo, é falho. Temos pessoas boas que poderiam estar nos quadros da Ordem e que têm um ótimo perfil de advogado; que têm boa escrita; que poderiam se aprimorar ao curso da carreira; mas que por nervosismo ou por não estar seguro em relação à teoria acabam sendo prejudicados. O advogado tem de ter uma visão geral das coisas. Quando a pessoa lhe traz um problema, imediatamente você tem de conhecer um pouco de Psicologia, de História, de Geografia, de Contabilidade. É um profissional de quem naturalmente se exige uma boa cultura. O que se vê hoje é que muitas pessoas estão fazendo Direito sem essa bagagem.
Repórter - Isso seria resultado de uma 'banalização' dos cursos de Direito?
Não tenho dúvidas. O MEC abriu as portas e criou um número exagerado de faculdades de Direito. O Brasil não suporta a quantidade de faculdades existente. Se formos comparar a outros cursos, é um número estarrecedor. Aqui no Piauí, nós temos pelo menos 20 cursos de Direito. Obviamente nós tivemos um afrouxamento do vestibular. Antigamente o aluno tinha de se preparar melhor. Ele tinha de conhecer Português, matemática, química, história, física. A prova era geral. Todo conhecimento é importante para o desenvolvimento pessoal de qualquer profissional. A gente sabe que muitas faculdades fazem provas simplórias, e com a desistência vão chamando pessoal que tiveram nível de desempenho baixíssimo; essas pessoas terão dificuldade, porque já trazem essa carência dos ensinos médio, fundamental e básico. Aí vem o resultado desastroso no Exame de Ordem.
Repórter - O MEC atualmente vem segundo o caminho oposto: reduzindo vagas, fechando cursos, proibindo a criação de novos. Como os advogados reagem a essa postura?
Aplaudem. O MEC reconheceu que cometeu um grande erro no ensino brasileiro. É verdade que precisamos ofertar vagas e mais vagas, mas isso tudo tem de ter critério científico. Você não pode abrir uma vaga para uma pessoa incapaz de acompanhar um curso de Medicina, por exemplo, que mexe com a vida humana e dizer: "nós temos uma dívida com você, o Estado não lhe deu educação adequada e você agora vai fazer Medicina". Isso não existe, não funciona. Você resgata a dívida através de um processo. Vamos cuidar de quem está chegando agora para não repetir os erros do passado e as pessoas que já passaram por isso devem buscar alternativas, como cursos técnicos ou mesmo tentando retomar o tempo perdido se preparando melhor para seu ingresso na Faculdade.
Repórter - Qual o nível das faculdades de Direito do Piauí?
Nosso nível, até pelo resultado no Exame de Ordem, não é medíocre. Estamos entre os primeiros do país. Mas precisamos ter clareza para perceber que esse nível é alto porque o nível da Universidade Federal do Piauí é elevadíssimo. Nós chegamos a quase 90% de aprovação da UFPI. Prova de que o vestibular é importante. Os melhores alunos estão na Universidade Federal. Quando chegamos às faculdades particulares, esse índice cai para 45%. Há uma disparidade ainda muito grande. Mas entendemos que esse não é um índice ruim em relação a outros estados também com universidades federais, faculdades de alto nível. Temos conhecimento de que há boas faculdades, mas também sabemos que existem faculdades ruins, que precisam urgentemente de investimentos na área de ensino, infra-estrutura, professores qualificados. Temos cerca de 20 cursos jurídicos no país e não temos sequer profissionais qualificados para atuar nessas faculdades. Precisamos de doutores, de mestres. Esse é inclusive um nicho muito bom para os bacharéis. É um mercado muito promissor porque temos carência. Inclusive a OAB vem tentando trazer um curso de mestrado para Teresina, mas o MEC vem dificultando, porque o MEC está dificultando o deslocamento do curso de mestrado, preferindo que esses cursos aconteçam na sede das faculdades que têm condições de ministrar esses cursos e é um curso muito caro. Não é possível a gente ter professores de faculdades apenas especialistas e outros sequer com especialização. Para ser professor é preciso muito mais.
30-07-2010 21:07:00

O advento dos Juizados Especiais no Piauí

O Desembargador Valério Neto Chaves Pinto nasceu em Guadalupe (PI), a 28 de abril de 1941, na localidade denominada Cocal, hoje pertencente ao município de Porto Alegre (PI). Graduou-se em Direito pela Universidade Federal do Piauí em 1975. Exerceu a advocacia e o jornalismo. Em 1980 ingressou na Magistratura por concurso público de títulos e provas, atuando inicialmente como Juiz Adjunto em diversas comarcas do interior do Estado até ser promovido, por merecimento, para Alto Longá em 1983, sua primeira Comarca como titular. Atendeu também em Luzilândia, Oeiras, e em 1994 foi promovido para a Comarca de Teresina, de 4ª Entrância, assumindo a 6ª Vara Criminal. Hoje é desembargador do Tribunal de Justiça do Piauí, onde atua na 1ª Câmara Especializada Criminal. Também, foi recentemente nomeado Supervisor Geral dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais do Piauí.
 
Em entrevista, o desembargador Valério Chaves fala do advento dos JECCs.
 
Repórter: Na sua opinião, o funcionamento dos Juizados Especiais no Piauí tem sido satisfatório ?
 
Desembargador:A Lei 9099/95 recomenda em seu art. 2º, que o processo no Juizado Especial deverá orientar-se pelos critérios da oralidade, simplicidade, economia processual e celeridade, buscando sempre que possível a conciliação. Porém, nada disse será possível se não houver número de pessoas treinadas e preparadas para essa importante missão. Acho que, hoje, ninguém mais duvida dos benefícios que os Juizados Especiais Cíveis e Criminais trouxeram para o Poder Judiciário nacional, ensejando uma verdadeira revolução na medida em que contribuem para a credibilidade da jurisdição.  A partir da implantação desse novo jeito de fazer justiça o Judiciário passou a ter condições de acudir, a tempo e modo, ao clamor do cidadão, principalmente, dos chamados excluídos. Trata-se, pois, de uma ousadia que deu certo.
  
Repórter: Uma pesquisa em nível nacional apontou os Juizados Especiais como uma das instituições que detêm maior credibilidade da população brasileira. Como o senhor avalia este resultado?
 
Desembargador:Vejo esse resultado com muito otimismo porque reflete exatamente uma das preocupações contidas na Constituição Federal, cujo preâmbulo refere o acesso à justiça como um dos maiores valores da sociedade comprometida com a solução pacífica dos conflitos, salvaguardando o exercício dos direitos individuais e coletivos  e suas garantias. Em resumo, os Juizados Especiais estão dando um passo importante na história do judiciário como um dos instrumentos mais eficientes e eficazes para o exercício da cidadania. Por isso, cresce a credibilidade de população ao contrário do que ocorre em relação a inúmeras instituições brasileiras.            
                                                           
Repórter: De que forma o resultado da pesquisa norteia o funcionamento e desenvolvimento dos Juizados Especiais ?
 
Desembargador:Os Juizados representam a realização dos direitos de cidadania por ser um fenômeno nascido da democracia participativa, ou seja, uma instância que, entre outros objetivos, põe em prática a pacificação e a solidariedade social. Por isso, é preciso que haja mais mudança de mentalidade dos operadores do Direito diante da grande importância social alcançada pela Lei 9.099/95. Diríamos que, ultimamente, os Juizados Especiais estão ganhando maior importância com a implantação de processo exclusivamente eletrônico, ingressando assim na fase decisiva da modernização dos procedimentos judiciais. Essa experiência, aliás, já foi implantada no Piauí em várias faculdades de Teresina. Com isso, esperamos que a credibilidade da população possa crescer ainda mais em relação ao que vem sendo denominado de a “Justiça do hoje”. 
 
Repórter: Qual o principal problema da lentidão dos processos dentro do judiciário piauiense ?
 
Desembargador:Penso que a principal causa de lentidão no andamento processual não diz respeito ao Poder Judiciário Piauiense. Trata-se de um mal nacional. Mas, é preciso dizer que o judiciário não é moroso, e sim, o sistema legal, porque passível de recursos infindáveis, acarretando maior complicação. Há, ainda, o problema do descompasso entre a demanda processual e o número de Juízes para atendê-la, isso sem falar em situações onde a parte se utiliza do Judiciário para retardar  o cumprimento de uma obrigação. A primeira instância, por exemplo, onde se investem mais recursos e onde há mais juízes é praticamente uma etapa de passagem dos processos. Isto é, nada é julgado definitivo. Cabe recurso para tudo. Ao lado disso, há escassez de juízes. O Tribunal de Justiça vem desenvolvendo esforços visando aumentar o número de juízes, mas, para isso, há necessidade de um orçamento maior. Nossa esperança é que essa intenção se concretize logo.
28-07-2010 12:31:00

A informatização do Judiciário Piauiense

O Desembargador Haroldo Oliveira, Presidente da Comissão de Revitalização da Informatização do Poder Judiciário Piauiense junto ao Conselho Nacional de Justiça – CNJ, fala sobre o trabalho de informatização do Judiciário Piauiense.
Haroldo Oliveira Rehem, graduado pela Universidade Federal do Piauí em 1977, foi acessado ao cargo de desembargador em 2006, exercendo atualmente a Presidência da 3a. Câmara Especializada Cível e membro das Câmaras Reunidas Cíveis do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí. Incentivador do uso da informática no TJ/PI em todos os seus setores, acha-se, dentre outras atribuições, ocupando a Presidência da Comissão de Revitalização da Informatização do Poder Judiciário Piauiense junto ao Conselho Nacional de Justiça – CNJ. Nesta entrevista, o magistrado em questão fala sobre o surgimento do supracitado Projeto, seu estágio atual e os planos para o futuro.
 
Confira a entrevista.

Repórter - O que objetiva o Projeto de Revitalização da Informatização do Poder Judiciário Piauiense e quando começou?
Desembargador - Objetiva dar uma estrutura tecnológica de melhor qualidade a todos os setores deste Poder Judiciário, haja vista que hoje em dia não se pode sequer pensar na realização de qualquer trabalho sem que a informática esteja ao seu lado, auxíliando-lhe na execução das principais tarefas; o seu começo se deu ainda na administração do Des. João Menezes da Silva (2001-2003), quando, em projeto com os seus demais Pares deste Tribunal de Justiça, decidiu por alocar junto às Varas Cíveis e Criminais da Comarca desta Capital, computadores de última geração; e mais: promoveu a qualificação de funcionários dos respectivos Fóruns para que pudessem operá-los, com vista em ajudar os Juízes nas suas tarefas jurisdicionais.
 
Repórter - Qual a importância de um sistema informatizado para a Justiça estadual?
Desembargador - Em primeiro lugar, a transparência; em segundo lugar, a celeridade desses trabalhos, tendo em vista que em sendo lançados os dados pertinentes via internet, os operadores do direito e a comunidade em si, podem ter acesso à essas informações.

Repórter - Como o senhor avalia os resultados e benefícios obtidos até o momento?
Desembargador – Excelentes, mesmo porque nós temos verificado que hoje em dia diminuiu o trânsito de advogados aos gabinetes dos juízes e dos desembargadores; isso mostra a maior confiança da sociedade e dos operadores do Direito para com o Poder Judiciário, à vista das informações que, de uma forma muito mais rápida, estão sendo levadas ao conhecimento dos mesmos a respeito de seus processos.
 
Repórter - De que forma o grupo pretende dar continuidade ao Projeto? Já existem planos para ampliação para outras comarcas?
Desembargador – Pretendemos dar continuidade, claro, com o apoio da atual gestão do Conselho Nacional de Justiça, com objetivo de adquirir mais equipamentos -muito embora tenhamos dele recebido, com muita alegria, equipamentos de última geração-, e não é só, simplesmente por podermos contar com o integral apoio da atual Presidência deste TJ; temos planos de fazer a execução do convênio realizado com a Telemar, para que a internet possa ser implantada o mais breve possível nas Comarcas do interior do Estado, otimizando, por conseqüência, o envio de informações e dados via internet, a fim de que os mesmos possam chegar o mais breve possível, não só ao Tribunal de Justiça, mas também aos operadores do direito e aos seus  respectivos interessados.
 
Repórter - Como reverter o quadro de sobrecarga de juízes e cartórios? Ou esse é um indício natural da crescente acessibilidade da Justiça?
Desembargador – Nós temos no Brasil um juiz para cada 28.000 habitantes. Demonstra-se aí como o acesso à Justiça está crescendo; o número de processos ajuizados também é crescente, entretanto, nós não mudamos o quadro de magistrados que aí se encontra, como também dos próprios serventuários; e há sempre uma óptica, não diria como sendo a título de defesa do Poder Judiciário, mas por ser bastante concreta: o Poder Judiciário não arrecada. Ele recebe, simplesmente, verbas, recursos do Executivo, que é a fonte maior, a fim de que ele Judiciário possa tratar das suas demandas costumeiras ou, de acordo com a disponibilidade orçamentaria, atender as demandas que lhes são próprias. Para que haja concurso para aumento do efetivo de magistrados, e também de funcionários, é necessário que o próprio Poder Executivo disponibilize uma verba maior para que esses concursos possam, em breve espaço de tempo, acontecer. E essa acessibilidade, repito, demonstra que há uma maior credibilidade da população, quer estadual, quer nacional, para com o Poder Judiciário.
 
Repórter - Quais paradigmas precisam ser quebrados para que a tecnologia passe a ser uma efetiva aliada da prestação jurisdicional?
Desembargador – Eu diria que em primeiro lugar a confiança do jurisdicionado junto às informações que lhe serão prestadas pelo próprio Poder Judiciário. Basta crer que pouquíssimas pessoas acessam a internet em busca de informações processuais. Isso mostra que esse paradigma precisa ser vencido, permitindo então, a partir daí, que outras vantagens possam ser mostradas, tais como, a citada transparência, celeridadade, prioridade de julgamento, enfim, ter aquela confiança de que o seu processo está recebendo a tramitação como manda a lei, e principalmente, como atua o magistrado.
 
Repórter - As novas tecnologias já estão sendo bem observadas pelos operadores do Direito?
Desembargador – Pelo menos no que diz respeito ao operador de Direito como advogado, esta relação já se encontra bastante consolidada, mesmo porque, temos deles ouvido que se encontram bastante satisfeitos no que diz respeito aos processos de 2º grau. O Tribunal de Justiça, para contentamento nosso, foi citado como exemplo perante ao CNJ, quanto ao fato de que a Justiça de 2º Grau deste Estado já se acha totalmente informatizada. E isso, ratifico, deixa-nos exultantes em razão de que somos o 6º Estado da Federação a ter implantado a Informática nos seus processos.   No que tange ao 1º Grau, a Comarca de Picos já se encontra totalmente informatizada. Esta prestação jurisdicional e a aceitação dessa extraordinária ferramenta, a Informática, contribui, e muito, para a aceleração da adesão de outros operadores de Direito mediante a sua credibilidade.
 
Repórter - Considerando o panorama atual da Justiça, em quais funcionalidades ou ferramentas tecnológicas devem ser concentrados esforços, pesquisas e investimentos?
Desembargador - Na parte de Ser Humano. É necessário que tenhamos serventuários qualificados, que possam manusear bem o equipamento que aí se encontra. É necessário também estrutura física que para se armazenar, guardar; para que se tenha uma dinâmica de conservação desses dados e equipamentos, afim de que seus operadores possam bem manuseá-los; porque danos podem acarretar não só atraso como também uma reposição econômica e financeira para do equipamento. Acredito que deve ser dado todo investimento, pesquisa e esforço; mas havendo especificamente um âmbito, acredito que deva ser o profissional, aquele que milita com a máquina.
 
Repórter - O que o senhor achou do sistema em si? O TJ/PI adaptou-se fácil às novas tecnologias?
Desembargador – Adaptou-se, e aqui cabe fazer um registro: o material humano do Poder Judiciário do Estado do Piauí, que trabalha com a tecnologia da informática, é da melhor qualidade. São pessoas sérias, competentes, pessoas que buscam a todo instante melhor uma melhor qualificação para a execução das suas tarefas, o que é cristalinamente observado, já que todos os dias as tecnologias pertinentes estão rapidamente evoluindo, evolução esta que está sendo captada pelos aludidos funcionários. O Poder Judiciário está se adequando de uma forma tão rápida que, hoje, sem nenhuma modéstia, é motivo de orgulho para o próprio CNJ. O Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, por enquanto, é um referencial em todo o país. Precisamos melhorar, e vamos sim, com a ajuda dos profissionais de informática que aqui se encontram, com a implantação de máquinas e material humano na Justiça do 1º Grau, a fim de que a resposta dos seus processos a ser dada, via informatização, seja a mais rápida possível aos nossos jurisdicionados.

Repórter - No plano nacional, o que ainda pode ser melhorado na informatização dos Tribunais ?
Desembargador – Pela plataforma, pelo planejamento e pela política adotada pelo CNJ, eu acredito que muitíssimo pouco ainda possa ser melhorado, porque todas as vertentes que poderiam ser buscadas para que simplesmente a informatização no Poder Judiciário neste País pudesse ser aplicada, está sendo feita por aquele órgão superior de controle, a ponto de, caso este Tribunal  tenha problemas na instalação ou utilização de qualquer programa ou software, e que não nos sintamos aptos a resolvê-la -o que é raríssimo, registre-se-, a própria Secretaria de Informática solicita ao mencionado CNJ o envio de um dos seus funcionários, no que, de pronto, é plenamente atendida.
24-07-2010 08:35:00

Corregedoria: Orientação e fiscalização dos juízes no Piauí

A então Corregedora Geral do Tribunal de Justiça (pleito 2010-2012), Desembargadora Eulália Maria Ribeiro Gonçalves Nascimento Pinheiro, natural de Amarante foi a primeira mulher a ingressar na magistratura piauiense. Serviu como Juíza Auxiliar nas comarcas de Floriano e Canto do Buriti. Como Juíza de 1ª / 2ª / 3ª e 4ª Entrância, serviu nas comarcas de Canto do Buriti, Barras, Parnaíba e Teresina (5ª Vara Criminal). Cumulativamente respondeu pelas comarcas de José de Freitas, Porto, Esperantina,  Batalha, Luzilândia, Cocal e Luís Correia. Foi Presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí. Hoje, desembargadora e atual corregedora do TJPI


"Proporcionar orientação e informação aos juízes e servidores mantendo, contudo, a função fiscalizadora da Corregedoria". Este foi o compromisso assumido pela desembargadora Eulália Pinheiro ao assumir Corregedoria Geral da Justiça, neste ano de 2010.

 

Acompanhe abaixo a entrevista sobre a Corregedoria do TJPI.


Repórter - Qual o papel do Corregedor Geral do Tribunal de Justiça?

Desembargador - O Corregedor Geral do Poder Judiciário estadual tem várias atividades, podemos resumir da seguinte forma: ele dirige um órgão que tem o dever de orientar, de fiscalizar, e se for o caso, de propor a instauração de processo administrativo-disciplinar contra o magistrado de 1º grau, ai se vê o quanto é relevante essa função, particularmente gosto muito de orientar os colegas mais novos no exercício da minha função de Corregedor, tenho sempre o sentido de orientar para que determinadas atividades do juiz sejam desenvolvidas de forma padronizada. A Corregedoria tem o dever de fazer com que as normas editadas sejam compreendidas pelo juiz para que não haja interpretações divergentes. Então essa é a orientação da Corregedoria, ele deve ter o cuidado de fazer por onde as normas da Corregedoria e as que emanam dos órgãos superiores, como o Conselho Nacional de Justiça, por exemplo, na medida em que sejam levadas ao conhecimento dos juízes de primeiro grau, sejam levadas de forma clara, de forma objetiva para que não haja interpretações dúbias, essa função de orientar para mim, é importantíssima, é de grande relevância, assim sendo, o Corregedor tem que ter todo cuidado com esse papel. O papel de fiscalizar as atividades jurisdicionais e as atividades do juiz, as atividades dos serventuários da justiça. Também é dever do Corregedor que não pode ficar omisso quanto a isso, porque sabemos que por mais zelo, por mais cuidado que o magistrado tenha em relação aos serviços cartorários, as atividades oficiais da justiça, enfim, a todos quanto fazem o serviço judiciário de primeiro grau, sempre podem fugir ao seu alcance e a Corregedoria está melhor equipada para esse tipo de fiscalização. É preciso também dizer que o papel da Corregedoria só pode se destinar à magistratura de primeiro grau, aos juízes de primeiro grau. O Corregedor não tem, muita gente se equivoca quanto a isso, ingerência na atividade do judiciário de segundo grau, ou seja, desembargadores não podem sofrer ingerência da Corregedoria nas suas atividades, quaisquer que sejam elas, a Corregedoria se destina apenas a orientar, fiscalizar e propor, quando for o caso, processos administrativos disciplinares contra juízes de primeiro grau e serventuários da justiça. Também é de importância nessa ordem de atribuições da Corregedoria, o fato de ter muito cuidado quando for apurar representações, pedidos de providencias, qualquer denúncia que venha ao seu conhecimento e que possa implicar na instauração de um procedimento administrativo disciplinar contra juízes, não só contra juízes, mas contra serventuários, principalmente contra juízes que não podem ficar veneráveis a denúncias vazias e que não tenham fundamento, o Corregedor tem que filtrar essas informações, filtrar a comunicação desses fatos supostamente causadores de desvio de comportamento do magistrado, porque o que não falta, infelizmente, é gente, sobretudo os que não se conformam com decisões judiciais, procurando prejudicar o conceito dos magistrados, por isso tenho muito cuidado com essas informações tendentes a expor o magistrado, por isso mesmo é que tomamos sempre o cuidado, até porque isso é de previsão legal, de quando vem a informação ela não pode deixar de ser processada, mas o juiz tem antes, de qualquer outra medida da Corregedoria, cinco dias para dar suas razões, quando verifico que aquela notícia não tem fundamento, arquivo.


Repórter - Quais são os principais projetos desenvolvidos na Corregedoria?

Desembargador - Nós tivemos como preocupação fundamental, passar orientações através de provimentos aos magistrados, foram dezenas e dezenas de provimentos levados a efeito com o propósito de esclarecer a maneira ou a forma de se conduzir as atividades que interessam a função jurisdicional de um modo geral, em primeiro grau de jurisdição, lógico. Os nossos projetos visam também reciclar magistrados. Fizemos isso através de encontros regionais, nessas ocasiões tivemos a oportunidade de esclarecer pontos que, eventualmente, não vinha sendo atendidos a contento pela totalidade dos magistrados, pontos que com esses encontros foram esclarecidos e a partir daí as atividades inerentes a função jurisdicional, em relação à Corregedoria, passaram a fluir melhor, além desses encontros, promovemos também atividades por onde os serventuários da Justiça, como os Oficiais de Justiça, tivessem a oportunidade de se reciclar.


Repórter  Qual o verdadeiro papel do Poder Judiciário?

Desembargador - O Poder Judiciário como um dos três poderes do nosso sistema político organizacional tem como missão dizer o Direito, isso é uma expressão bem comum ao alcance de todos, dar a cada um, o que é seu. Essa é a verdadeira função do Poder Judiciário. Quando se vai dar a cada um o que é seu, quando se vai mostrar que o direito de uma pessoa termina quando começa o de outra é que se tem aí a certeza de quanto essa função jurisdicional é importante para o contexto de uma sociedade organizada. O Poder Judiciário é, portanto em minha opinião, dos três poderes, sem duvidas, aquele que tem a maior gama de responsabilidades. Em poucas palavras vou explicar, os legisladores, aqueles que integram o Poder Legislativo fazem as leis, obviamente que exige uma responsabilidade muito grande, porque ao se elaborar uma lei, ao se conduzir um processo legislativo, desde apurar bem o clamor da sociedade, saber o que a sociedade quer, o que o povo enfim deseja, para que aquilo se transforme numa norma genérica, abstrata e coercitivamente imposta a vontade de todos, claro, aí já se vê o quanto é importante a função legislativa. O Executivo por sua vez tem o dever, e aí também é uma responsabilidade imensa, de administrar a coisa pública, administrar os interesses de uma comunidade dando-lhe segurança, saúde, fazendo por onde enfim, toda a sua atividade se volte para o bem estar do cidadão, isso aí também implica uma responsabilidade muito grande. Sobra para o judiciário exatamente, primeiro: o dever de fazer por onde a lei proveniente do Legislativo seja bem aplicada, cumprida e, portanto, respeitada. É dever do judiciário, mais do que isso, às vezes essa própria lei que não veio atender satisfatoriamente aos anseios da sociedade, cabe ao juiz com a sua sensibilidade adequar aos anseios do povo. Veja só como é difícil o juiz, ele próprio aplicar a lei atendendo aos fins sociais a que ela se destina e às vezes ela não é muito clara e aí é aonde reside a dificuldade do juiz interpretar aquilo que o legislador quis dizer com o texto legal. Quanto a atividade do Executivo, o Poder Judiciário é que tem, sempre que chamado, naturalmente, colocar em ordem aquilo que eventualmente o administrador público não tenha feito de forma correta. Implica dizer que se o Poder Executivo não trabalha em consonância com a moralidade, com a legalidade, enfim, com todos os princípios constitucionais que devem nortear a administração pública, cabe ao judiciário fazer por onde esses princípios voltem a ser respeitados.

Repórter  Como tornar o Judiciário mais ágil e a Justiça mais afirmativa?

Desembargador - O Judiciário mais ágil depende de mais magistrados, aonde o número de juízes não for suficiente, mais depende também de uma estrutura, que seja a ideal para que o juiz possa também desenvolver a sua atividade, o que quero dizer com isso é que não adianta ter juiz, se não tiver uma comarca estruturada, se não tiver um fórum com numero de servidores suficientes, e naturalmente todos os equipamentos, todos os mecanismos enfim, que o juiz e os serventuários necessitam, para desenvolver suas respectivas atividades, então não se pode esperar uma justiça ágil e afirmativa, se não derem meios para que esta justiça assim possa ser uma justiça afirmativa. Também além de depender de mais juízes e estrutura, ela se afirma mais quando se faz conhecida do cidadão, e a Justiça Itinerante a qual eu me reportei há pouco, é uma forma de fazer com que a justiça se afirme, mas não é só isso, cabe também aos juízes, e nós pecamos também neste aspecto, se afirmar, o juiz tem que se afirmar, ele se afirma como juiz trabalhando, trabalhando em sua comarca, atendendo aos anseios dos comarcandos, mostrando que ali existe um representante da justiça, o maior deles, dizendo de quem é o direito, pronto para dirimir, solucionar os conflitos a toda e qualquer hora, mostrando que existe a ordem, existe a lei.

Repórter Qual a vossa analise sobre as ações desenvolvidas pela Justiça Itinerante?

Desembargador– A Justiça Itinerante hoje, todos nós sabemos, que há muito tempo o judiciário ficou sempre a espera da parte, isto é, o cidadão sempre pretendia solucionar os seus interesses, e esses interesses dependiam do Poder Judiciário sempre teria que se dirigir ao juiz e hoje é diferente, com justiça itinerante, que é uma idéia maravilhosa, é o julgador que vai até o jurisdicionado, vai até ele resolver seus problemas corriqueiros, mais simples, mas que pra ele são problemas de grande monta, problemas que para o judiciário não são tão grandes, não é tão difícil um juiz ir a uma comunidade e ali resolver aquelas questões, é, que são questões que geralmente não tem tanta complexidade jurídica, mais para cidadão, é de suma importância, e a justiça itinerante tem esse papel, tem o papel de levar cidadania ao povo, tem o papel de levar com esta solução, a certeza de que ele, judiciário, existe, e está empenhado em se fazer conhecido do cidadão, e a justiça itinerante, é sem duvida nenhuma, a parte do Poder judiciário, que desenvolve essa atividade, de forma a merecer, os ecúmenos de todos nós.

Repórter  Que significa o futuro da Justiça quanto sua total informatização?

Desembargador - A informatização do Poder judiciário é sem duvida, atualmente, o maior passo, que este Poder já deu, a informatização infelizmente, em nosso Estado, não é ainda ideal, estamos caminhando para que isso se concretize, e quando definitivamente, tivermos todas as comarcas interligadas a este Tribunal, quando finalmente tivermos em cada comarca um computador, “um que seja!”, para cada juiz, quando finalmente tivermos estes recursos, ai sim, poderemos dizer, que, o Poder do estado do Piauí estará pronto para atender as suas finalidades. Os juízes piauienses se reassentem muito dessa falta de estrutura, mais digo sempre para eles que apesar disso, de estarmos caminhando para darmos ou tentarmos dar, a estrutura ideal para cada um, eles têm que saber que devem trabalhar com o que tem nas mãos, eles fazem isso, em sua grande maioria, é óbvio, não posso esconder isso. Existem, no entanto, magistrados que não são comprometidos, e ainda que dispusessem de todos os meios, não o fariam, porque não são juízes vocacionados, mas esses são a exceção.

Repórter  Qual a sua avaliação sobre a atuação do Conselho Nacional de Justiça?

Desembargador - Todos nós magistrados brasileiros quando ouvimos falar na criação de um órgão de controle externo, ficamos preocupados, como é hoje o Conselho Nacional de Justiça, temíamos pela existência desse órgão e achávamos que haveria uma ingerência indevida nas nossas atividades, esse era o nosso temor, porque o magistrado que veste a toga com convicção ele não teme nenhum órgão de controle em razão da sua pessoa, porque pouco interessa se existe ou não um órgão de controle destinado a punir magistrados se o magistrado que é correto não vai dar motivos para essa punição. A preocupação, na verdade, era com a nossa independência, com a nossa convicção de que poderia vir um órgão que quisesse interferir nas decisões judiciais, interferir, portanto na consciência do juiz, o convencimento do juiz através dos seus conhecimentos para formar convicções a respeito de decisões. Felizmente isso não ocorreu, não podia mesmo ocorrer e hoje vejo o Conselho Nacional de Justiça se ajustando aos anseios do que todos nós esperávamos. Vejo o Conselho Nacional de Justiça como um órgão que veio e que aos poucos começa a atingir as suas finalidades sem contrariar, sem invadir a seara jurisdicional.

14-07-2010 16:01:00

PEC acaba com separação judicial e com prazos para divórcio

Foi promulgada nesta quarta-feira (14) a PEC 28/09, a chamada ‘’PEC do Divórcio’’, que facilita a dissolução do casamento. A PEC que altera o parágrafo 6º do artigo 226 da Constituição Federal acaba com os processos de Separação Judicial e facilita a vida dos casais que querem se divorciar, acabando com os prazos antes exigidos pela lei, passando a vigorar com uma nova redação. 

Pela antiga redação da CF, o casamento civil só pode ser dissolvido pelo divórcio após prévia separação judicial por mais de 01 (um) ano nos casos expressos em lei ou com comprovada separação de fato por mais de 02 (dois) anos. A nova PEC muda as regras em vigor ao extinguir a exigência de prévia separação judicial por mais de um ano ou a comprovada separação de fato por mais de dois anos para obtenção do divórcio.

A proposta da matéria para a nova PEC foi fundada na realidade em que vivem milhares de casais no Brasil, de que perdeu o sentido manter tais pré-requisitos temporais para a concessão do divórcio, já que no mundo inteiro essa exigência foi abolida, pois não faz sentido manter unidas por mais tempo ainda pessoas que não querem permanecer juntas. 

Com a vigência da chamada PEC do Divórcio, poderão ser extintos todos os processos de separação judicial em exame, assim como aqueles em que os casais já obtiveram essa decisão, estando na fase de cumprir os dois anos para o pedido do divórcio. Pois, essas pessoas também poderão requerer de forma direta e imediata o próprio divórcio. 

A partir da publicação da emenda, quem tiver pedido a separação judicial ou estiver cumprindo o ‘tempo’ antes exigido pela lei para pedir o divórcio, fica livre das restrições que vinham vigorando.

Como a aplicação da nova lei é imediata, conforme dispõe o Código de Processo Civil, todos serão beneficiados com a emenda imediatamente. 

É importante lembrar que toda lei tem retroatividade ou ulterioridade. Nesses casos, aparece apenas como hipótese impeditiva da retroatividade as situações em que a lei adotada já tiver feito coisa julgada ou constituir afronta ao ato jurídico perfeito ou prejudicar o direito adquirido.

Com a publicação da PEC do divórcio, quem deseja se separar está ganhando um benefício, seja de tempo como até mesmo de economia de medidas administrativas ou judiciais, inclusive pagamento de advogados e de despesas cartoriais. 

Com a nova lei, quem se casou e sentiu necessidade de pedir o divorcio com um mês depois, ou dias, não quiser mais ficar casado, só precisa entrar com o pedido de divórcio, sem precisar cumprir prazos. A nova lei não implica em um obstáculo à reconciliação, pois, se o divorciado quiser casar de novo, inclusive com a mesma pessoa, poderá perfeitamente fazê-lo. 

A PEC do divórcio é de autoria do deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ).

05-07-2010 12:26:00

Uma nova era no Judiciário Piauiense

Ele nasceu no dia10 de agosto de 1947 no município de Oeiras-PI, foi servente de pedreiro, picolezeiro, professor, investigador, delegado, juiz de Direito e hoje comanda o Judiciário Estadual do Piauí. Edvaldo Pereira de Moura tem uma trajetória de vencedor. Filho de camponeses ele acaba de decretar, como ele mesmo define, ‘um Judiciário mais ágil, dinâmico’. Acha irritante e intolerável a morosidade da Justiça.
O mais novo presidente do Tribunal de Justiça do Piauí, desembargador Edvaldo Moura, fala, em entrevista, detalhes sobre a nova era do Judiciário Piauiense.
Confira a entrevista.
REPÓRTER: “O senhor foi vendedor de picolé, pedreiro, policial e hoje comanda o Judiciário Estadual do Piauí; tendo passado por tudo isso qual o seu maior desafio no TJ?”
DESEMBARGADOR: “O desafio é ter um judiciário mais ágil, dinâmico. Precisamos acabar com a irritável e inaceitável morosidade. Os conflitos não podem se eternizar, por isso estamos empenhados nos esforços para fazer a Justiça mais ágil e eficiente.”
REPÓRTER: “O Senhor se refere aos mutirões?”
DESEMBARGADOR: “Os mutirões são um mal necessário, mas agora no sentido de julgamento de processo e não na soltura de presos. Vamos intensificar os mutirões, mas com viés diferente, não é pra soltar preso”.
REPÓRTER: “E sobre o trabalho dos serventuários da Justiça. Como a presidência tem se preocupado em fazer com que os funcionários da Justiça atendam a demanda processual em tempo hábil?”
DESEMBARGADOR: “Bem. Nós também estamos preocupados em motivar o servidor. Aqueles que se não motivarem têm de prestar conta a corregedoria. Estamos tomando algumas medidas, a presidência e a corregedoria irão trabalhar juntas.”
REPÓRTER: “E quanto a essas denúncias de servidores que abandonam as Comarcas...”
DESEMBARGADOR: “Há denuncias nesse sentido, servidores que não querem ficar na comarca, isso com certeza não vai mais acontecer, estou apostando no trabalhado da desembargadora Eulália. Como já mencionado, aqueles que não se motivarem têm de prestar conta a corregedoria. Estamos tomando algumas medidas, a presidência e a corregedoria trabalham juntas. Em tempos de globalização, não dá para agir com mentalidade provinciana”.
REPÓRTER: “E quanto a Justiça Itinerante?”
DESEMBARGADOR: “É um projeto que pretendo ainda estender. Trabalhei durante muito tempo nele e tenho um apreço especial. O Justiça Itinerante é uma realidade das mais alvissareiras, que atua com a participação de 27 entidades parceiras.”
 
REPÓRTER: “Sobre os magistrados piauienses. Há alguma novidade, com a nova presidência, para os Juízos do Piauí?”
 
DESEMBARGADOR: “Me reuni com o presidente em exercício da Associação dos Magistrados Piauienses - AMAPI, acompanhado de diversos juízes, do Desembargador Sebastião Ribeiro Martins, presidente licenciado da AMAPI, e do Desembargador Fernando Carvalho Mendes para tratar sobre questões como esta. Nessa reunião foram tratados diversos assuntos de interesse do Judiciário Piauiense e apresentada pauta de reinvindicações, que inclui a criação do cargo de juiz auxiliar de entrância final, criação de cargo de assessor jurídico de gabinete de juiz de entrância intermediária, melhoria na gratificação de oficial de gabinete e pagamento de URV, PAE, entre outras. O ponto importante da reunião foi a agilização da prestação jurisdicional.”
 
REPÓRTER: “O senhor já nomeou um substituto para o cargo do juiz afastado pelo CNJ?”
 
DESEMBARGADOR: “Já. A Portaria foi assinada após ter sido comunicado oficialmente pelo Conselho Nacional de Justiça do afastamento do juiz titular da 2ª Vara, José Ramos Dias Filho. O nomeado foi o juiz Antenor Barbosa de Almeida Filho, titular da 1ª Vara Cível.”
 
REPÓRTER: ‘O afastamento do doutor José Ramos é definitivo?’
 
DESEMBARGADOR: “O Conselho Nacional de Justiça instaurou procedimento administrativo disciplinar e determinou o afastamento temporário do juiz.”

REPÓRTER: “Com relação a concursos, como está a situação do Tribunal de Justiçado Piauí?”
 
DESEMBARGADOR: “Agora mesmo foram realizadas as provas do concurso para o preenchimento de 68 vagas de Assessor Jurídico de Gabinete de Entrância Final [capital e interior] e 02 para Analista Judiciário-Assistente Social [capital]. O concurso foi realizado com total êxito e tranquilidade. Os aprovados tomam posse ainda este ano.”

 

Desembargador Edvaldo Moura, presidente do TJ-PI

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